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Estudo aponta confiança global na ciência, com Brasil na direção oposta

Pesquisa do Pew Research Center, conduzida em mais de 20 países, mostra que brasileiros são os que menos confiam em cientistas

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 15h11 - Publicado em 29 set 2020, 16h08
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  • Brasil adere a acordo global de vacinas, liderado pela Organização Mundial da Saúde
    Brasil adere a acordo global de vacinas, liderado pela Organização Mundial da Saúde (veja/VEJA)

    Um estudo do centro de pesquisas americano Pew Research Center publicado nesta terça-feira, 29, revela que, de 20 países pesquisados ao redor do mundo, o Brasil é o que menos confia em cientistas.

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    Apesar de ter sido concluído antes do coronavírus ganhar proporções pandêmicas, o levantamento mostra que a ciência é vista de forma positiva pelo público global, indo de acordo com a atual expectativa em torno de tratamentos para a Covid-19. Contudo, brasileiros são os que menos acreditam que os cientistas fazem o que é certo para a sociedade – 36% dos entrevistados disseram confiar pouco ou nada neles. Apenas 23% acreditam muito nas atitudes dos cientistas.

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    A pesquisa foi conduzida de outubro de 2019 a março de 2020 na Europa, Rússia, Américas e região da Ásia-Pacífico. O Brasil ficou distante da média, 19 pontos percentuais à frente da parcela de pessoas que não confia nada em cientistas.

    Entre os países que mais acreditam na ciência estão Índia, Austrália, Espanha e Países Baixos, com índices de alta confiança de 59%, 48%, 48% e 47%, respectivamente. A média de pessoas que têm “muita” confiança nos cientistas é de 36%, a mesma parcela que responde a mesma coisa sobre os militares. O número é superior à parcela que diz isso sobre líderes empresariais, governo nacional e mídia.

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    Baixa autoestima

    Além disso – ou consequentemente –, o Brasil também se mostra descrente em relação ao seu potencial científico. Apenas 8% da população acreditam que as realizações dos cientistas nacionais estão acima da média internacional – o índice mais baixo entre os países pesquisados, sendo que a média é 42%.

    Brasileiros também acreditam que o país está abaixo da média em empreendimentos tecnológicos, conquistas científicas e no ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. É a população que pior avalia seu país em todas essas áreas.

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    Ideologia

    Embora haja uma tendência global para a confiança do público nos cientistas, a confiança geralmente varia com a ideologia. Em geral, a esquerda expressa mais confiança nos cientistas do que a direita.

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    Essas diferenças são nítidas nos Estados Unidos, onde 67% dos democratas dizem confiar “muito” nos cientistas, em comparação com 17% dos republicanos. Contudo, no Brasil, a desconfiança é generalizada: 22% da direita e 22% da esquerda afirmam confiar “muito” em cientistas para fazerem o que é melhor para a sociedade.

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    Os dados do Pew Research Center ajudam a explicar porque o antiacademicismo ganhou espaço no Brasil, mesmo com mais de 142.000 mortos pela Covid-19. Boa parte da sociedade parece estar de acordo com as atitudes do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia, que se mostrou relutante à ciência – com o desacato às regras de distanciamento social, às orientações de higiene, uso de máscaras, entre outros. 

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    Apesar do novo apreço pela ciência que a pesquisa indica que virá, justamente devido à pandemia, o discurso anticiência no Brasil parece perene. O Ministério da Educação já informou que irá cortar parte das verbas discricionárias de institutos federais e universidades em 2021 – redução de quase 1 bilhão de reais para o ensino superior. A medida representa mais um golpe a atividades de ensino, pesquisa e extensão, podendo prejudicar ainda mais ciência nacional. 

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