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Dilúvios devastam o sul da Europa; pelo menos sete pessoas morreram

O mau tempo foi descrito pela imprensa grega como 'tragédia bíblica'

Por Da Redação - 25 Nov 2019, 18h43

Autoridades na França, na Itália e na Grécia reportaram até o início da tarde desta segunda-feira, 25, sete mortes decorrentes de tempestades que assolaram os países durante o fim de semana. Além dos escombros e das enchentes, outras três pessoas, pelo menos, ainda estariam desaparecidas.

As fortes chuvas se concentraram no litoral sul da França, no norte da Itália — incluindo a cidade de Veneza, que já sofria com inundações decorrentes maré alta desde o início do mês — e no oeste da Grécia.

Quatro pessoas foram declaradas mortas em território francês. Dois septuagenários, um casal, foram encontrados mortos dentro de um carro submerso; uma terceira pessoa também foi descoberta na mesma situação em um caso distinto. O quarto faleceu após um barco de resgate afundar no mar Mediterrâneo. Duas pessoas foram consideradas como desaparecidas.

Na Itália, apenas uma morte foi registrada: uma mulher cujo carro foi levado pela enchente no rio Bormida, no noroeste italiano. Mas as autoridades ainda consideram a possibilidade de vítimas do colapso de parte de uma rodovia na cidade de Savona, a menos de 50 quilômetros de Gênova, onde mais de 40 pessoas morreram na queda de uma ponte há 15 meses.

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Já próximo ao porto de Antirio, na Grécia, foram encontrados os corpos de dois homens por volta dos 50 anos — que se acreditam serem “turistas”, segundo a agência de notícias americana Associated Press. Uma pessoa foi reportada como desaparecida em Kineta, a 50 quilômetros da capital Atenas.

Embora ainda não tenham sido reportadas vítimas fatais em Kineta, a vila litorânea é vista pela imprensa internacional como a localidade mais atingida pelos dilúvios. Deslizamentos das colinas ao redor de Kineta bloquearam estradas com árvores e rochas. 

Os bombeiros, que resgataram dezenas de pessoas presas em casas e carros alagados, devem levar dias para terminar de varrer os escombros. O jornal grego Ethnos disse que Kineta, atingida pela “fúria da natureza”, experienciou uma “catástrofe bíblica”.

Também muito afetada pelas tempestades foi a comunidade francesa de Roquebrune-sur-Argens, por onde passa o rio Argens, que subiu sete metros no final de semana. Na região do Var, onde fica a comunidade, choveu em menos de dois dias o equivalente a três meses, segundo o departamento meteorológico do governo da França. 

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Sem relação ao aquecimento global

Em comentário divulgado pelo jornal britânico The Guardian, o meteorologista Jean-Pierre Hameau — do serviço de meteorologia do governo da França, o Météo France — disse que as tempestades foram fruto de um fenômeno recorrente no Mediterrâneo, conhecido em francês como cévenols, em referência à região de Cévennes, no sul do país.

“[Esse fenômeno] ocorre três a seis vezes por ano. Normalmente, acontece nos meses de setembro e outubro, mas às vezes encontramos essas condições [de fortes chuvas] em novembro”, disse Hameau.

“Isso não está relacionado com o aquecimento global. Houve cévenols ‘antes’ e não houve nenhum aumento de intensidade desde que as temperaturas aumentaram [mundialmente]. Mas há um aumento de intensidade nas chuvas”, completou.

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