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Dia de glória e de sangue

Israel celebra 70 anos com EUA inaugurando Embaixada em Jerusalém; mais de 50 palestinos morrem em protesto em Gaza pelo dia do Nakba (catástrofe)

Por Tamara Schipper, de Jerusalém 15 Maio 2018, 06h59 | Atualizado em 4 jun 2024, 17h21
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O aniversário dos 70 anos da independência de Israel vai ser lembrando na história.

Do lado israelense, o ápice da celebração foi a abertura da embaixada americana em Jerusalém, como prometeu o presidente dos Estados Unidos Donald Trump quando reconheceu a cidade como capital de Israel no ano passado. A decisão irritou a maioria dos países-membros da ONU, ao mesmo tempo que abriu portas para outros países próximos a Israel ou aos Estados Unidos, como Guatemala e Paraguai, transferirem suas embaixadas a Jerusalém.

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Somente Israel sempre considerou Jerusalém como sua capital, tanto que todos os prédios governamentais estão nessa cidade. Os palestinos reivindicam Jerusalém oriental, que até 1967 era controlada pela Jordânia, como capital de um futuro Estado. São contra a abertura de qualquer embaixada com o receio de que nunca terão a capital que desejam.

Vista da cidade de Tel Aviv, em Israel
Vista da cidade de Tel Aviv, em Israel (iStock/Getty Images)
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Já do lado palestino, como um dia de violência e dezenas de mortes, na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel.

Em quase sete semanas de constantes protestos palestinos, chamados de Grande Marcha do Retorno, esta segunda-feira (14) foi o dia com mais sangue e fogo.

jerusalem
Jerusalém (Pixabay/VEJA.com)
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O objetivo palestino era arrombar a cerca da fronteira e entrar em Israel. Pneus queimados para causar cortinas de fumaça e pipas com coquetéis molotov para cair do outro lado da cerca e provocar incêndios foram utilizados. O exército israelense foi instruído para que os palestinos não cruzassem a fronteira. Os militares usaram franco-atiradores, jogaram bombas de gás lacrimogênio por drones e tanques estavam a postos.

A comunidade internacional demonstrou preocupação com a violência de hoje. A ONU convocou uma sessão de emergência para hoje por causa dos confrontos. Segundo informações não oficiais, o grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza e convocou essas manifestações, teria ordenado o término dos protestos — começando com o desmanche das barracas de acampamento ao longo da cerca.

Antes deste dia violento, o planejado era uma grande manifestação marcada para hoje ao longo da fronteira, com cerca de cem mil pessoas para relembrar o Dia do Nakba, que em árabe significa catástrofe. Se refere às 700 mil pessoas do lado árabe, que fugiram de suas casas ou foram desalojadas depois da independência de Israel em maio de 1948.

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Palestinos protestam em Gaza
Palestinos protestam em Gaza em 9/1/2018. (AFP/VEJA.com)

Histórico

Na proposta da segunda partilha do que era o então Mandato Britânico da Palestina, em 1947, ficou acertado que Jerusalém seria “governada” por um órgão internacional. Isso não aconteceu porque a Jordânia ocupou a parte oriental da cidade impedindo judeus de frequentarem o lugar mais sagrado para sua religião na guerra iniciada em 15 de maio de 1948, após judeus aceitarem a divisão proposta pela Liga das Nações e declararem sua independência no território a eles oferecido — e da recusa de países árabes em aceitar qualquer tipo de divisão das terras.

Os israelenses mantiveram Jerusalém ocidental no armistício de 1949 e declararam aquela parte da cidade sua capital. Até aquele momento, não havia um movimento palestino-árabe estabelecido, e o entendimento de então era que a maior parte dos palestinos se unificaria eventualmente com a Jordânia.

O controle de Jerusalém oriental passou para as mão de Israel na Guerra de 1967 (Guerra dos Seis Dias). Na década de 1980 o país anexou por meio de leis internas a porção leste da cidade, declarando Jerusalém unificada sua capital “eterna e indivisível”.

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