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Cristina fala em resistência: ‘Aprendi a aguentar tudo’

Presidente da Argentina participou de ato público pelo segundo dia consecutivo, sem mencionar diretamente grave acusação contra seu governo

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, evitou falar diretamente neste domingo sobre a grave denúncia que pesa sobre seu governo, de ter acobertado a participação de iranianos em um atentado contra um centro judaico em Buenos Aires. No entanto, em um evento em El Calafate, mencionou sua disposição a resistir.

“Aos que continuam assombrados porque aguento tudo o que tenho que aguentar, digo que aprendi aqui, na Patagônia, com o vento, com o frio, com a neve, com o esquecimento’, disse, em pronunciamento em rede nacional, durante a inauguração de um hospital na província de Santa Cruz, no sul do país.

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Pelo segundo dia consecutivo, a presidente participou de um ato público sem se referir à acusação feita pelo promotor Alberto Nisman em janeiro, quatro dias antes de ser encontrado morto em circunstâncias não esclarecidas no banheiro do apartamento em que morava. O promotor Gerardo Pollicita, que analisou a denúncia de Nisman, concluiu que a investigação deve prosseguir.

“Somos mais importantes do que os refletores, somos mais importantes do que as câmeras, do que aquilo que um jornal pode dizer”, disse Cristina, no final de seu discurso.

O governo mantém uma ofensiva para tentar minimizar a investigação de Nisman sobre o ataque contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) realizado em 1994 e que deixou 85 mortos e centenas de feridos. Neste domingo, o ministro da Economia, Axel Kicillof, afirmou que o pedido de acusação contra a presidente, o chanceler Héctor Timerman e vários colaboradores do governo faz parte de “uma manobra de um setor do Poder Judiciário”.

O promotor Pollicita solicitou ao juiz Daniel Rafecas cerca de cinquenta medidas para angariar provas, incluindo mandados de busca, quebras de sigilo telefônico e depoimentos de testemunhas, para avançar na acusação contra Cristina, informou neste domingo o jornal Clarín.

O juiz antecipou o fim de suas férias e deverá voltar ao trabalho na próxima quarta-feira. Para o mesmo dia, que marcará um mês da morte de Nisman, está prevista uma manifestação em homenagem ao promotor. Os principais nomes da oposição, representantes da comunidade judaica, empresários e setores da Igreja Católica anunciaram sua presença.

(Com agência EFE)