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Coronavírus: Taxa de contaminação é maior em negros nos EUA

Atingida pela desigualdade social, a população afro-descendente também é mais suscetível por não poder optar pelo trabalho em casa

Por Da Redação 8 abr 2020, 19h19

Nos Estados Unidos, as taxas de contaminações e morte pela Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, são maiores na população negra. As diferenças de incidência são desproporcionalmente maiores do que em brancos, segundo levantamento do jornal americano The New York Times.realizado com base em dados divulgados pelos estados.

As estatísticas, porém, são preliminares porque várias cidades e estados não reportam a etnia dos novos casos e mortes de Covid-19. Mas nos lugares que fazem essa distinção, os dados se mostraram alarmantes para as autoridades, informou o Times.

No estado de Illinois, 43% das pessoas que morreram pela doença e 28% dos que testaram positivos eram afro-americanas, um grupo que compõe apenas 15% da população estadual. No Michigan, um terço dos pacientes é negro e 40% das mortes são dessa população, que representa 15% dos habitantes  do estado. Em Lousiana, onde os afro-descendentes também representam um terço da população, 70% dos mortos pela Covid-19 eram afro-americanos.

A Carolina do Norte e a Carolina do Sul divulgaram que a taxa de infecção na população negra excede a taxa da população em geral. Já em Connecticut, os afro-americanos contaminados se encaixam na taxa média do estado.

Para especialistas consultados pelo Times, a disparidade entre os números pode ser causada pela desigualdade de longa data no país. Como em outros países, os governos instauraram o isolamento social para combater a propagação do vírus, mas as populações menos favorecidas fazem parte da força de trabalho que não pode optar por realizar suas atividades em casa. O percurso para ir ao trabalho, portanto, os expõem ao coronavírus, que se espalha muito facilmente pelo ar.

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Outros fatores, como o estresse, poucas horas de sono e a falta de acesso à assistência de saúde e a alimentos mais saudáveis, que são mais caros nos Estados Unidos, e a expectativa de vida mais baixa também contribuem para uma maior taxa de infecção e de mortes.

Na terça-feira 7, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que estava ciente dessa disparidade e afirmou que seu governo estava trabalhando para prover estatísticas mais concretas nos próximos dias. “Por que os números na comunidade afro-americana são mais altos dos que em outras?”, questionou o presidente durante a coletiva de imprensa sobre a situação do coronavírus no país.

Os Estados Unidos se tornaram o novo centro da epidemia do novo coronavírus no mundo. Com cerca de 400.000 casos, o país conta com 12.912 mortes. No mundo, a doença afetou 1.450.343 pessoas e matou 83.568, segundo a Johns Hopkins University, que faz o levantamento em tempo real dos números da pandemia.

  • Morte entre jovens

    Outro levantamento combase na idade das vítimas, feito pelo jornal The Washington Post, mostra que pelo menos 759 das quase 13.000 pessoas mortas nos Estados Unidos pela Covid-19 tinham menos de 50 anos. O indicador está longe de questionar a maior vulnerabilidade ao coronavírus entre as pessoas idosas, mas deixa claro que os mais jovens não estão imunes a complicações capazes de levar ao óbito.

    “Para as pessoas muito jovens, menores de 20 anos, a morte é extremamente rara na atual pandemia. Mas isso acontece: o Post identificou nove casos”, informou.

    De acordo com o levantamento, 45 pessoas falecidas pela doença causada pelo coronavírus estavam na faixa dos 20 anos. O risco de morte aumenta para a faixa dos 30 anos, na qual estão 190 casos, e na dos 40 anos, que abrange 413. O jornal pondera que os dados coletados são preliminares e não chegam a ser precisos porque há divergências na forma como os estados americanos distinguem os grupos por idade. “os verdadeiros números de mortos entre os mais jovens são, provavelmente, mais altos.

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