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Coronavírus cria novas tensões entre EUA e China

Autoridades chinesas divulgam teorias de que doença foi levada para a China por americanos; Pequim acusa Washington de usar termos racistas e xenófobos

Por Da Redação - 17 mar 2020, 10h23

A tensão entre os Estados Unidos e a China em meio à pandemia do novo coronavírus aumentou nesta terça-feira, 17, quando as autoridades de Pequim protestaram depois que Donald Trump descreveu o patógeno como “vírus chinês”.

É o último capítulo de uma série de desacordos entre os dois países nesta crise global da saúde. Nos últimos dias, várias autoridades chinesas divulgaram teorias sobre uma suposta conspiração e até apontaram que o coronavírus foi levado para a China pelos militares americanos.

Por sua parte, os membros do governo Trump usam termos para descrevê-lo que estigmatizam a China. “Os Estados Unidos apoiarão fortemente as indústrias, como companhias aéreas e outras, que são particularmente afetadas pelo vírus chinês”, escreveu Trump no Twittter na segunda-feira.

Vários aliados de Trump já se referiram à pandemia como “coronavírus chinês”. A China reagiu nesta terça-feira, dizendo que está “indignada” com essa expressão, que considera uma forma de “estigmatização”.

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Os Estados Unidos devem “cessar imediatamente suas acusações injustificadas contra a China”, disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang. A agência de notícias chinesa Xinhua afirmou que usar “termos racistas e xenófobos para culpar outros países pelo surto revela a irresponsabilidade e incompetência dos políticos que apenas intensificam o medo do vírus”.

“Alimentar a intolerância”

A guerra de declarações reacende as tensões entre os dois países, constantes desde a chegada de Trump à Presidência, principalmente em relação ao comércio.

Os comentários de Trump também foram criticados nos Estados Unidos por medo de criar tensões com a comunidade asiática no país. “Nossa comunidade asiático-americana – pessoas a quem você serve – está sofrendo muito. Elas não precisam de você para alimentar a intolerância”, escreveu no Twitter o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, cujo estado é um dos mais afetados pelo vírus no país.

O novo coronavírus foi detectado pela primeira vez na China em dezembro do ano passado. As autoridades disseram que ele apareceu em um mercado de Wuhan onde animais vivos estavam sendo vendidos. Mas, desde então, a China tem mantido reserva sobre a natureza do vírus e diz que sua origem é desconhecida.

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em conversa telefônica com Yang Jiechi, uma autoridade chinesa, expressou seu descontentamento pelo fato de os canais oficiais chineses “agora acusarem os Estados Unidos pelo Covid-19”, segundo o Departamento de Estado.

Pompeo enfatizou que “agora não é o momento de espalhar desinformação e rumores, mas de unir todos os países para combater essa ameaça comum”, segundo seu gabinete.

Na sexta-feira, o Departamento de Estado chamou o embaixador chinês nos Estados Unidos, Cui Tiankai, para denunciar as teorias da conspiração espalhadas por Pequim, muito presentes nas redes sociais.

Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, sugeriu na semana passada no Twitter que o “paciente zero” da pandemia pode ter vindo dos Estados Unidos.

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Por sua parte, Pompeo vinculou o vírus à China, falando várias vezes do “vírus de Wuhan”, apesar dos profissionais da saúde refutarem esse tipo de apelo geográfico e preferirem um nome neutro para se referir à doença.

Casos importados

A China informou nesta terça-feira apenas um caso local de contágio pelo novo coronavírus, mas registrou 20 novos infectados “importados”. O único caso local foi registrado em Wuhan.

Wuhan e a província de Hubei – com mais de 50 milhões de habitantes – foram colocadas em quarentena no final de janeiro. Em fevereiro, a China registrava mais de 1.000 novos casos do coronavírus por dia, mas na semana passada declarou ter “praticamente detido” o vírus.

Agora o país enfrenta o desafio de impedir a volta da Covid-19 por meio de pessoas que chegam do exterior. Na segunda-feira 16, Pequim iniciou uma quarentena obrigatória de 14 dias em hotéis frequentados por pessoas procedentes do estrangeiro, mas permite que menores, mulheres grávidas e pessoas que moram sem companhia que observem este período em casa.

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Dos 20 casos importados anunciados nesta terça, nove ocorreram em Pequim e três em Xangai. No total, a China tem 143 casos importados.

O número de óbitos pela epidemia no país aumentou para 3.226 nas últimas 24 horas, com o registro de mais 13 mortes. No mundo, já há 182.000 infectados, com mais de 7.100 mortes.

(Com AFP)

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