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Como o Paquistão perdeu a chance de capturar Bin Laden

Relatório secreto revela que líder da Al Qaeda chegou a ser parado por excesso de velocidade e viveu uma década no país por incompetência das autoridades

Por Da Redação
9 jul 2013, 02h20

Um dos períodos mais misterioros da vida do líder terrorista Osama bin Laden, os quase dez anos em que o chefe da rede Al Qaeda viveu no Paquistão até ser localizado e morto por soldados dos Estados Unidos em maio de 2011, acaba de ganhar um valioso manancial de detalhes até agora desconhecidos. As revelações estão em um relatório secreto, encomendado pelo governo paquistanês a uma comissão especial, obtido pela rede de televisão Al Jazeera e publicado nesta segunda-feira na internet.

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Além de relatos inéditos sobre a vida de Bin Laden no território paquistanês colhidos pela comissão de investigação, o documento traz um diagnóstico bastante duro sobre a explicação para o então homem mais procurado do mundo ter conseguido se esconder por tanto tempo no país. Segundo o relatório, isso só foi possível devido à negligência e à incompetência generalizada de diversos setores do governo do Paquistão, que permitiram ao líder da Al Qaeda se refugiar sem problemas, durante quase uma década, nos arredores da cidade de Abbottabad, sede do Academia Militar paquistanesa.

“OBL (Osama Bin Laden) pôde permanecer nos limites do perímetro de Abbottabad devido ao fracasso coletivo das autoridades militares, dos serviços de inteligência, da polícia e da administração civil”, destaca o texto. “Este fracasso inclui negligência e incompetência e um eventual nível de cumplicidade entre o Exército e a Inteligência”, conclui o relatório.

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Numerosos detalhes sobre a perseguição de Bin Laden pelos serviços de Inteligência dos Estados Unidos vazaram nos últimos meses, mas esta é a primeira vez que um documento oficial do Paquistão critica o papel do Exército e da Inteligência local pela permanência do líder terrorista no país.

Excesso de velocidade – O relatório cita episódios em que Bin Laden poderia ter sido capturado. Certa vez, seu carro chegou a ser parado por excesso de velocidade. Em depoimento aos investigadores da comissão, Maryam, mulher de Ibrahim al Kuwaiti, um de seus dois assessores e guarda-costas mais confiáveis​​, contou que a polícia paquistanesa parou o veículo em que Osama estava na região de Swat. “Estavam todos em uma visita ao bazar e eles foram parados por excesso de velocidade por um policial”, diz o relatório. “Mas o marido dela (Maryam) rapidamente resolveu a questão com o policial e seguiu adiante”.

O texto não explica se o policial falhou ao não notar a presença de Osama no carro ou foi subornado para deixar o grupo seguir viagem. O relatório aponta ainda que, para evitar ser identificado do alto, Bin Laden passou a usar um chapéu de cowboy quando se deslocava na cidade de Abbottabad, disseram suas esposas aos investigadores.

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Escrito por uma comissão liderada por um juiz, o relatório foi baseado em entrevistas com 201 fontes, incluindo familiares e funcionários de Osama Bin Laden. O documento de 336 páginas não descarta explicitamente o possível envolvimento de elementos infiltrados no próprio serviço paquistanês de inteligência, uma questão delicada de ser abordada mesmo em um documento desse nível.

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�”Quanto a (não ter detectado) a rede da CIA, houve negligência culpável e incompetência. Quanto à conivência, isso não foi estabelecido em nenhum nível�”, diz o texto. �”Embora a possibilidade de algum grau de conivência dentro ou fora do governo não possa ser inteiramente descartada, nenhum indivíduo pode ser identificado como culpado de conivência.”

‘Bandidos’ – Já os EUA são criticados pela �maneira ilegal� como a operação foi conduzida. “�Os EUA agiram como bandidos�”, disse a chamada Comissão de Abbottabad, instituída um mês depois da morte de Bin Laden. “�Mas, acima de tudo, a tragédia se refere ao abrangente fracasso do Paquistão em detectar a presença de Osama bin Laden em seu território durante quase uma década, ou de discernir a direção da política dos EUA para o Paquistão, que culminou na inevitável humilhação do povo do Paquistão”, afirma o texto.

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Após dez anos de caçada, a CIA localizou em 2011 o fundador da Al Qaeda morando em uma casa na região da Academia Militar do Paquistão. Em missão secreta na calada da noite, o Team 6 dos Seals, uma força especial da Marinha dos Estados Unidos entrou no espaço aéreo paquistanês, invadiu o esconderijo e Bin Laden e matou o líder terrorista. O governo e as autoridades de segurança do Paquistão não se pronunciaram sobre a divulgação do relatório.

(Com agências Reuters e France-Presse)

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