Com Kast no poder, Chile começa a escavar trincheiras para criar ‘escudo’ anti-imigrantes
O recém-empossado presidente ultraconservador centrou campanha em temas de segurança; País abriga cerca de 337 mil estrangeiros irregulares
O represidente do Chile, José Antonio Kast, visitou nesta segunda-feira, 16, a cidade de Arica, no extremo norte do país, para acompanhar o início das obras de um projeto de trincheiras na fronteira. A iniciativa faz parte do chamado “Plano de Escudo da Fronteira”, lançado pelo novo governo para conter a entrada irregular de imigrantes e combater organizações criminosas, temas da área de segurança que galvanizaram sua campanha eleitoral.
Kast, recém-empossado e conhecido por suas posições ultraconservadoras, chegou à região acompanhado de ministros das áreas de segurança e defesa, além de autoridades responsáveis pela chamada Macrozona Norte — área que concentra parte significativa do fluxo migratório que entra no país pelas fronteiras com Peru e Bolívia.
Durante a visita, o presidente afirmou que o objetivo do projeto é reforçar o controle fronteiriço e combater redes de crime organizado que atuam na região.
“O tráfico de drogas, o crime organizado e a imigração ilegal não conhecem fronteiras”, declarou. “Qualquer pessoa que esteja foragida ou tenha pendências legais deve se entregar para que não sejamos obrigados a gastar recursos públicos em algo que inevitavelmente acontecerá”, acrescentou.
Muro chileno
Segundo o governo, as obras já começaram em alguns pontos da fronteira e incluem a escavação de trincheiras com cerca de três metros de profundidade. O material retirado será utilizado para erguer um muro adjacente que pode chegar a cinco metros de altura, projetado para dificultar a passagem de imigrantes em áreas consideradas mais vulneráveis – qualquer semelhança com o muro projetado por Donald Trump nos Estados Unidos não é mera coincidência.
O projeto prevê a instalação dessas estruturas em diferentes trechos da fronteira norte, totalizando cerca de 500 quilômetros. Uma das primeiras etapas ocorre nas proximidades do Complexo Fronteiriço de Chacalluta, na divisa entre Chile e Peru. Nesse ponto, entre os marcos 1 e 15 da fronteira, as obras devem se estender por cerca de 600 metros.
O governo afirma que a iniciativa não tem como objetivo militarizar a fronteira, mas modernizar o sistema de controle migratório e reduzir as entradas irregulares no território.
Kast também afirmou que o problema exige cooperação regional. “O que fizermos aqui também deverá ser feito mais tarde na Bolívia, no Peru, na Argentina”, disse.
Foco em segurança
Além do plano de segurança na fronteira, autoridades anunciaram uma operação policial realizada entre os dias 12 e 14 de março que resultou na prisão de mais de 2.500 pessoas procuradas pela Justiça. A ação envolveu forças dos Carabineros de Chile e da Policía de Investigaciones de Chile.
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A construção das barreiras foi uma das principais promessas de campanha de Kast, que assumiu recentemente a Presidência após vencer as eleições com um discurso centrado em segurança pública e imigração. Analistas avaliam que sua chegada ao poder representa a guinada mais à direita na política chilena desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990.
Durante a campanha presidencial, Kast apresentou o plano chamado “Escudo de Fronteira”, afirmando que o Chile enfrenta uma “crise migratória sem precedentes” e que a fronteira norte com Peru e Bolívia se tornou um corredor para imigração irregular, tráfico de drogas e contrabando de pessoas.
Dados oficiais indicam que cerca de 337 mil estrangeiros vivem atualmente no país sem a documentação exigida pelas autoridades.





