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Kast toma posse no Chile no mais radical giro à direita desde era Pinochet

Ele consolida o avanço de direitistas na América Latina, prometendo linha-dura contra o crime e pautas ultraconservadoras nos costumes

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 10h04 • Atualizado em 11 mar 2026, 10h04
  • O ultraconservador José Antonio Kast assume a presidência do Chile nesta quarta-feira, 11, na virada mais radical à direita desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet. Sua posse consolida o avanço de direitistas na América Latina, que lideram agora cinco de doze países na região e podem avançar ainda mais após as eleições deste ano na Colômbia e no Brasil.

    O advogado chileno de 60 anos chega ao cargo garantindo uma postura linha-dura em relação ao crime e à imigração irregular, as duas maiores preocupações da população. Kast prometeu um “governo de emergência” em resposta ao aumento da criminalidade.

    Nos últimos anos, os cidadãos abandonaram o desejo por uma nova Constituição, movimento que surgiu com a revolta social que abalou o país em 2019. O presidente em final de mandato, o esquerdista Gabriel Boric (2022-2026), foi um dos principais defensores desse processo, que fracassou após duas tentativas.

    O novo chefe de Estado, católico devoto e pai de nove filhos, representará “uma direita conservadora sem precedentes desde o retorno à democracia”, afirmou Rodrigo Arellano, analista político da Universidade do Desenvolvimento (Universidad del Desarrollo), à agência de notícias AFP.

    Embora assassinatos e sequestros tenham aumentado, e gangues estrangeiras como a venezuelana Tren de Aragua tenham chegado ao seu território, o Chile ainda é uma das nações mais seguras da região. A taxa de homicídios foi de 5,4 por 100 mil habitantes em 2025, uma das mais baixas da América Latina. Para efeito de comparação, o Brasil registra índice quase quatro vezes maior – 21,2  por 100 mil habitantes –, segundo os últimos dados do Atlas da Violência.

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    No entanto, durante a campanha, Kast fez discursos atrás de um vidro à prova de balas, retratando o Chile quase como um Estado falido dominado por narcotraficantes e afirmando repetidamente que o país “está caindo aos pedaços”. Ele venceu as eleições presidenciais em dezembro contra a socialista Jeannette Jara.

    O líder de extrema direita tomará posse em uma cerimônia no Congresso em Valparaíso, a 110 km de Santiago. Além de confirmar o avanço da direita, ele se juntará ao crescente número de governos aliados dos Estados Unidos na região. Os presidentes Javier Milei (Argentina), Rodrigo Paz (Bolívia) e Daniel Noboa (Equador), entre outros, estarão presentes no evento, assim como o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, e a venezuelana Nobel da Paz, María Corina Machado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou na terça-feira sua presença anunciada no último minuto, e será representado pelo chanceler Mauro Vieira.

    Espectro de Pinochet

    Dois dos futuros ministros de Kast foram advogados de Augusto Pinochet (1973-1990), cuja ditadura deixou 3.200 mortos e desaparecidos, além de milhares de pessoas torturadas e presas por motivos políticos. O novo presidente já declarou que, se o autocrata estivesse vivo, teria votado nele.

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    Investigações jornalísticas revelaram em 2021 que o pai de Kast, nascido na Alemanha, era membro do Partido Nazista de Adolf Hitler. O advogado alegou, no entanto, que o registro se deve ao seu recrutamento para o Exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e negou que o pai tenha sido simpatizante do nazismo.

    O ultraconservador também nomeou uma ativista antiaborto como ministra dos Assuntos da Mulher, formando uma equipe “com pouca experiência em negociação e manobras políticas” que “pode causar problemas com o Congresso”, afirmou o cientista político Alejandro Olivares, da Universidade do Chile, à AFP.

    Tensão incomum

    O Chile tinha uma longa tradição de transições cordiais de poder entre governos, mas a posse desta quarta-feira pode ser diferente. Na semana passada, Kast rompeu abruptamente os laços com o governo de Boric, acusando o presidente cessante de ocultar informações sobre um projeto de cabo submarino de fibra óptica para conectar o país à China, alvo de críticas dos Estados Unidos por representar suposta ameaça à segurança regional.

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    Embora a transição tenha sido eventualmente restabelecida, sua reação serviu como um sinal de seu estilo de governar.

    Durante a campanha, no entanto, Kast evitou certas controvérsias: esquivou-se de perguntas sobre sua conhecida admiração por Pinochet e sua rejeição categórica ao aborto.

    Também não forneceu detalhes sobre como cumpriria suas promessas de cortar gastos públicos em US$ 6 bilhões (cerca de R$ 30,96 bilhões) sem eliminar benefícios sociais e de deportar mais de 330 mil imigrantes irregulares.

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