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Coalizão governista do Japão ganha maioria no Parlamento e pode mudar constituição pacifista

Com a vitória da coalizão conservadora, o primeiro-ministro Shinzo Abe ganhou força para realizar mudanças na constituição, como a permissão de um exército mais ativo

A coalizão governista do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, obteve uma vitória esmagadora na eleição para a câmara alta do Parlamento, neste domingo. A conquista da maioria das cadeiras gera preocupações no país sobre suas políticas econômicas e planos para revisar a Constituição pacifista pós-guerra da nação pela primeira vez. Nesta segunda-feira, a apuração final indica que a coalizão de Abe conquistou a “supermaioria” de dois terços da câmara alta, necessária para tentar revisar as restrições constitucionais às Forças Armadas. Esse passo que pode afetar os laços com a China, onde memórias do passado militar japonês ainda são fortes.

O Partido Liberal Democrata (LDP), de Abe, ficou um voto abaixo da maioria simples, que teria aumentado sua influência dentro da coalizão. Ainda assim, a vitória geral irá impulsionar a sua força com a coalizão conservadora que ele levou de volta ao poder em 2012, prometendo impulsionar a economia com uma política monetária frouxa, gastos fiscais e reformas.

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A principal polêmica entre os japoneses após a eleição é a possível mudança, defendida por Abe, do artigo 9 da constituição, que renuncia iniciativas de guerra por parte do país. Atualmente, a cláusula proíbe o Japão de usar suas forças militares para estabelecer disputas internacionais e permite que o exército funcione apenas de forma defensiva. Se aprovada no Parlamento, a emenda precisaria passar por maioria simples em um referendo nacional.

No momento, a constituição do Japão o impede, por exemplo, de realizar medidas anti-terrorismo mais drásticas e de tomar inciativas contra a Coreia do Norte, que se demonstra cada vez mais agressiva com uma série de testes de mísseis nucleares. Uma pesquisa divulgada no domingo pelo jornal Asahi Shimbun mostra que a nação está dividida sobre o tema: 49% apoiam uma mudança constitucional, enquanto 44% são contra a reforma.

(Com Reuters)