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Chegam à Colômbia helicópteros brasileiros que resgatarão reféns das Farc

Na segunda-feira começa a ação para libertar 10 sequestrados, que estão sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia há cerca de 13 anos

Os helicópteros cedidos pelo Brasil para participar da operação de libertação de dez reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que acontecerá a partir desta segunda-feira, aterrissaram neste domingo no aeroporto da cidade colombiana de Villavicencio. A guerrilha colombiana se comprometeu a libertar os militares Luis Alfonso Beltrán Franco, Luis Arturo Arcia, Robinson Salcedo Guarín e Luis Alfredo Moreno Chagüeza. Também devem ser libertados os policiais Carlos José Duarte, César Augusto Lasso Monsalve, Jorge Trujillo Solarte, Jorge Humberto Romero, José Libardo Forero e Wilson Rojas Medina, todos sequestrados entre 1998 e 1999. Eles são os reféns mais antigos das Farc.

Segundo uma fonte do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), organização que participa da operação, os dois helicópteros Cougar 532UE cedidos pelo governo federal para a operação decolaram pouco antes das 12h de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, próximo à fronteira com a Colômbia. Viajavam 22 pessoas, entre elas os pilotos e mecânicos das Forças Armadas do Brasil.

Ao local chegaram também Michael Kramer e Thomas Ess, dois delegados do CICV, e quatro da organização Colombianas e Colombianos pela Paz (CCP), inclusive sua líder, a ex-senadora Piedad Córdoba, que lidera a missão humanitária.

A tripulação das aeronaves pernoitará no aeroporto e amanhã sairá para buscar o primeiro grupo de quatro militares e seis policiais que as Farc prometeram entregar, conforme um comunicado da guerrilha divulgado em fevereiro. Segundo disse à agência EFE, María Cristina Rivera, porta-voz do CICV na Colômbia, os técnicos e mecânicos brasileiros revisarão os dois helicópteros, enquanto a Cruz Vermelha Internacional e o CCP realizarão reuniões internas separadamente. O Brasil, que participou em outras três ocasiões em operações desta índole, forneceu dois helicópteros e as tripulações.

Alguns parentes dos sequestrados que recuperarão a liberdade foram ao aeroporto para receber a missão humanitária.Com este processo de libertações terminará na Colômbia o drama dos sequestros com fins políticos de troca de reféns por guerrilheiros presos, pois as Farc anunciaram em fevereiro sua decisão de não voltar a usar a prática como arma de guerra e financiamento.

Histórico – Esta será a quarta operação humanitária deste tipo que a Cruz Vermelha realiza com apoio logístico e técnico do estado brasileiro, desde 2009. No total, devem ser libertados dez reféns que estiveram entre 13 e 14 anos em mãos da guerrilha das Farc – quatro militares e seis agentes policiais. As Farc – guerrilha mais antiga da Colômbia, com 47 anos de sangrenta luta contra o estado – garantem que estes são os últimos reféns militares que mantêm em seu poder.

Guerrilha – Os dez militares e policiais que serão libertados são os últimos “passíveis de troca”, como a guerrilha denominou um grupo de sequestrados que chegou a superar os 70 e que pretendiam entregar em troca da libertação de 500 guerrilheiros presos. Segundo a Fundação País Libre, entre 2002 e 2011, as Farc realizaram 2.678 sequestros, enquanto, atualmente, esta organização calcula que na Colômbia restariam nas mãos de diferentes grupos armados 405 colombianos.

Segundo a ONG, entre 1º de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2011, 186 pessoas foram feitas reféns pelas Farc, período no qual esta guerrilha aumentou o sequestro de 45 para 77 casos. A fundação aponta que 79% dos sequestros perpetrados pelas Farc nesse período foram de caráter extorsivo (por dinheiro), sendo que os alvos eram quase sempre homens (92%). Os departamentos mais afetados pelos sequestros da guerrilha mais antiga da América nos últimos três anos são Arauca (26 casos), Cauca (24), Meta (18) e Putumayo (16). Quase todas as pessoas sequestradas pelas Farc entre 2009 e 2011 são colombianas, apenas cinco são estrangeiras.

(Com EFE)

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