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Casamento gay: a pauta é diferente nos EUA e no Brasil

Suprema Corte americana avalia a manutenção ou não da legislação que proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia e a Lei de Defesa do Casamento. No Brasil, STF reconheceu a união homoafetiva em 2011

Por Da Redação - 27 mar 2013, 15h57

Nesta semana, a Suprema Corte dos Estados Unidos começou a analisar ações que podem determinar como o país passará a tratar a questão do casamento gay. Em duas sessões, foram apresentados argumentos contra e a favor de o casamento entre pessoas do mesmo sexo se tornar um direito constitucional – o que obrigaria todos os estados americanos a aceitá-la. A decisão deverá ser anunciada apenas em junho, mas os magistrados se mostram divididos sobre a questão. Por ora, é importante ressaltar algumas diferenças entre as discussões atuais sobre o casamento gay nos Estados Unidos e no Brasil – onde os ministros do Supremo Tribunal Federal reconheceram a união civil entre homossexuais em maio de 2011.

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Relator das ações que deram origem ao entendimento do Supremo, o ministro Ayres Britto lembrou que a Constituição Federal proíbe qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, cor. Da mesma forma, não poderia haver discriminação em função da preferência sexual. “O sexo das pessoas, salvo disposição contrária, não se presta para desigualação jurídica”.

Com a decisão do Supremo, a união de homossexuais passou a ser reconhecida como entidade familiar, estendendo os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões estáveis aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo. Antes da decisão do STF, as uniões homoafetivas eram tratadas como sociedades.

Em junho do mesmo ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) converteu uma união civil homoafetiva em casamento. Com a certidão de casamento em mãos, duas pessoas passam a ser reconhecidas como um casal, a ter como estado civil “casado” e podem adotar novos sobrenomes. A união estável implica uma escritura de convivência afetiva, e permite que o casal compartilhe patrimônios e benefícios, como plano de saúde e seguro de vida. O casamento dá origem a uma certidão, que pode ser usada, por exemplo, para exigir dos empregadores a extensão de benefícios para cônjuges aos parceiros homossexuais. Também permite que o par construa seu patrimônio como um casal, e não mais como sócios.

Porém, na prática, a falta de uma lei que de fato regulamente o casamento gay no Brasil faz com que todos os pedidos que chegam aos cartórios dos diferentes estados dependam da avaliação de um juiz – é ele quem decide se autoriza ou não o casamento. Com isso, a mesma questão acaba resultando em decisões diferentes pelo país, pois são tomadas caso a caso. O principal argumento de alguns juristas contrários ao casamento gay é que, ao entrar na alçada do Poder Legislativo, o Supremo exacerbou suas funções e afrontou a Constituição. No Congresso Nacional são três as principais propostas que visam regulamentar o tema.

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EUA – Nos EUA, cada um dos estados americanos tem autonomia legislativa para aprovar leis, desde que elas respeitem a constituição do país. Atualmente, nove deles – Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Nova York, Vermont, Maryland, Maine e Washington – e o distrito de Columbia, sede da capital dos Estados Unidos, aprovam o casamento homossexual, mas em outros 38 estados, o casamento é limitado a heterossexuais. Dessa forma, a discussão sobre o casamento gay ultrapassa os termos em pauta no Brasil. Além de incitar os embates públicos de opinião, a realização das audiências nos EUA destaca o debate sobre o papel da Suprema Corte, a última instância da justiça americana, questionando se ela deve ou não intervir nos dilemas sociais que, tradicionalmente, são de competência dos legisladores de cada estado americano.

Hoje, 58% dos americanos são a favor do casamento gay e 36% são contra (percentuais opostos aos levantados em 2006). Cerca de 81% dos jovens americanos defendem a igualdade no casamento – a maioria de jovens republicanos é favorável. Em maio de 2012, o presidente Barack Obama se posicionou, pela primeira vez, a favor do casamento entre homossexuais. Porém, no âmbito da justiça, conservadores e liberais concordam que muitos estados ainda estão “experimentando” o casamento gay e dando à sociedade “mais tempo para entender a direção” que o assunto está tomando. Para eles, ainda era cedo para tomar uma decisão definitiva e histórica, visto que é difícil avaliar seu impacto.

Debate – O primeiro dia de discussão na Suprema Corte, na terça-feira, abordou a Proposta 8, que proíbe a união matrimonial entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Os magistrados devem analisar se a Proposta 8, ou a proibição de casamentos gay em geral, viola a garantia de igual proteção aos cidadãos sob a lei, prevista na emenda 14. Durante a sessão, nenhum dos nove magistrados demonstrou apoio à solução dada pelo governo de Obama, na qual a Proposta 8 seria derrubada e os estados que já reconhecem a união civil passariam a permitir casamentos de gays e lésbicas. Esse posicionamento do presidente pode levar a corte a decidir pelo tudo ou nada: fazer com que o casamento gay seja legal em todos os 50 estados ou deixar que eles decidam por si sós – e a aprovação não seria aconselhável em uma corte dividida, com um veredito apertado, sobre um caso de tamanha amplitude.

Nesta quarta, a Suprema Corte americana se dedicou à Lei de Defesa do Casamento (DOMA, na sigla em inglês), que o define como a união entre um homem e uma mulher. A lei, sancionada em 1996 pelo então presidente Bill Clinton, impede que os homossexuais casados nos nove estados que aceitam a união matrimonial sejam reconhecidos e recebam os benefícios fiscais em nível federal. A lei já foi contestada por quatro tribunais federais e duas cortes de apelação. O próprio Bill Clinton, recentemente, considerou a lei incompatível com a realidade e com o princípio da igualdade assegurado na Constituição. Sua mulher, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton – possível candidata presidencial em 2016 -, apoiou publicamente o casamento gay.

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