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Bolívia diz que reservas de gás acabaram e vai parar de exportar ao Brasil

Sem exportar o combustível e com a prevista dependência total de importações até 2029, situação criará um enorme rombo na economia do país

Por Da Redação
1 set 2023, 09h53

O presidente da Bolívia, Luis Arce, admitiu nesta sexta-feira, 1, que as reservas de gás natural do país foram esgotadas e que as exportações para a Argentina e o Brasil devem ser interrompidas, deixando um enorme buraco na economia do país.

“Chegamos ao fundo do poço”, disse Arce em discurso na cidade de Oruro, onde destacou que os governos e prefeitos deixaram de receber o dinheiro das exportações de gás que lhes permitia pagar pelo funcionalismo e cobrir dívidas.

Arce foi ministro da Economia durante o governo de Evo Morales (2006-2017, depois novamente em 2019). Durante esse período, as reservas acumuladas pelos governos anteriores – que o partido de Evo, Movimento ao Socialismo (MAS), caracteriza como “neoliberais” –, foram superexploradas. Na época, gigantescas bolsas de gás foram descobertas.

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As exportações atingiram 60 milhões de metros cúbicos por dia tanto para a Argentina como para o Brasil e geraram receitas de mais de US$ 35 bilhões. No entanto, os lucros não foram bem investidos pelo MAS, segundo especialistas, que também calculam que a Bolívia vai tornar-se completamente dependente de importações de gás para consumo interno a partir de 2029.

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Será um peso a mais para o país sul-americano, que já gasta com gasolina e diesel importadas, elevando o custo total com hidrocarbonetos para US$ 5,7 bilhões por ano.

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Com o esgotamento das reservas, o governo boliviano está correndo para evitar multas por incumprimento de contratos de exportação. Segundo o combinado atual com a Argentina, as vendas deveriam ser mantidas até 2026, e a Bolívia teria que pagar indenizações e multas pelo não envio dos volumes comprometidos, como aconteceu nos últimos dois anos.

O governo Arce quer propor um adendo a esse contrato. Segundo o presidente da petroleira estatal argentina Enarsa, Agustín Gerez, a estatal boliviana YPFB propôs um “contrato interrompível”, o que significaria que só enviará gás enquanto tiver.

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“A YPFB nos notificou que pretende assinar um contrato interrompível. Isto significa: ‘Eu te mando gás, se eu tiver gás; e se eu não tiver, não enviarei para você’. Isso coloca em risco todo o abastecimento do norte da Argentina”, disse Gerez, segundo o meio de comunicação argentino Urgente24.

Segundo o jornal boliviano El Diario, o presidente Arce esqueceu de fazer um “mea culpa” pela política petrolífera que começou no governo Morales, em 2006, quando “nacionalizou” petróleo.

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