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Bento XVI pede mudanças em Cuba e no mundo

Por Da Redação
28 mar 2012, 13h52

Juan Lara.

Havana, 28 mar (EFE).- O papa Bento XVI disse nesta quarta-feira em Havana que ‘Cuba e o mundo precisam de mudanças’, e exigiu maior liberdade religiosa no país caribenho para que a Igreja Católica amplie seu trabalho social, incluindo a educação.

Em frente a centenas de milhares de pessoas reunidas na praça da Revolução de Havana, local dos grandes eventos relacionados com a revolução comunista cubana, o pontífice oficiou uma missa na qual reivindicou a dignidade inviolável do ser humano, advertiu contra o ceticismo e o relativismo e fez críticas a quem não se compromete com a sociedade.

Uma imagem de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, presidiu a missa, à qual compareceu na primeira fila o presidente cubano, Raúl Castro, vestido com uma camisa ‘guayabera’ branca.

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‘Cuba e o mundo precisam de mudanças, mas estas só ocorrerão se cada um estiver em condições de se questionar pela verdade e se decidir tomar o caminho do amor, semeando reconciliação e fraternidade’, afirmou o papa.

Essas palavras lembraram as pronunciadas há 14 anos por João Paulo II quando visitou a ilha e disse essa já famosa frase: ‘Que Cuba se abra para o mundo, e o mundo para Cuba’.

Em relação à necessidade de mudanças, no último dia 26 em sua chegada a Santiago de Cuba e perante Raúl Castro, o papa pediu aos cubanos que lutem por uma sociedade ‘aberta e renovada’ e lhes exortou à reconciliação, além de ter se mostrado convencido de que Cuba ‘já olha para o futuro’.

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Nesse mesmo discurso ele condenou com firmeza o capitalismo selvagem, ‘que deixou o homem – disse – desprotegido frente a certos poderes que não levam em conta o bem autêntico das pessoas e as famílias’.

‘Não se pode seguir por mais tempo na mesma direção cultural e moral que causou a dolorosa situação que tantos experimentam. O progresso verdadeiro tem necessidade de uma ética que coloque no centro o ser humano e leve em conta suas exigências mais autênticas’, declarou o papa.

Bento XVI reivindicou também hoje maior liberdade religiosa em Cuba para que a Igreja exerça seu trabalho plenamente.

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‘É preciso reconhecer com alegria que em Cuba estão sendo dados passos para que a Igreja realize sua missão inescapável de expressar pública e abertamente sua fé. No entanto, é preciso seguir adiante, e desejo encorajar as instâncias governamentais da nação a reforçar o que já foi alcançado e a avançar por este caminho de genuíno serviço ao bem comum de toda a sociedade cubana’, acrescentou.

O pontífice disse que o direito à liberdade religiosa, tanto em sua dimensão individual como comunitária, manifesta a unidade do ser humano, que é cidadão e crente ao mesmo tempo, e acrescentou que é também legítimo que os crentes ofereçam uma contribuição à edificação da sociedade.

Joseph Ratzinger afirmou que quando a Igreja põe em relevo o direito à liberdade religiosa ‘não está reivindicando privilégio algum’, mas pretende ser ‘apenas fiel ao mandato de Cristo, sabedora de que onde Cristo se faz presente o homem cresce em humanidade e encontra sua consistência’.

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Bento XVI lembrou o trabalho da Igreja em divulgar o testemunho de Cristo nos âmbitos escolar e universitário.

‘É de se esperar que em breve chegue aqui também o momento que a Igreja poderá levar aos campos do saber os benefícios de sua missão’.

O texto do evangelho de hoje correspondeu ao de João no qual Cristo diz que ‘a verdade vos fará livres’, e Bento XVI afirmou que Cristo é o ‘único’ que pode mostrar a verdade e dar a genuína liberdade.

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‘Seu ensino provoca resistência e inquietação entre seus interlocutores’, ressaltou, acrescentando que a verdade é um desejo do ser humano, e buscá-la sempre representa um exercício de autêntica liberdade.

O papa afirmou ainda que, no entanto, ‘muitos preferem os atalhos e tentam fugir desta tarefa’, e que essa atitude, ‘como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma mudança no coração dos homens, tornando-os frios, vacilantes, distantes dos demais e fechados em si mesmos’.

O papa advertiu que há muitos que interpretam mal essa busca da verdade, o que leva ‘à irracionalidade e ao fanatismo, limitando as pessoas à sua própria verdade e fazendo com que cada um tente impô-la aos demais’.

O bispo de Roma convidou os cubanos a ‘não vacilar e a seguir Jesus Cristo, afirmando que Ele ajuda a derrotar ‘os egoísmos, as ambições e a opressão’.

A missa foi celebrada em uma manhã ensolarada e na qual uma ligeira brisa amenizou o calor. O altar foi colocado aos pés do monumento ao herói da independência cubana, José Martí, e em frente à efígie de tamanho gigante de Ernesto Che Guevara colocada na parede de um dos edifícios oficiais do local.

Bento XVI retorna ainda hoje a Roma, dando por concluída sua viagem pela América Latina que incluiu uma visita ao México. EFE

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