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Antes condenado à morte, manifestante iraniano Erfan Soltani é libertado sob fiança

Jovem de 26 anos foi detido meio a intensos protestos anti-governo no Irã. Soltura vem na esteira de ameaças de Donald Trump de ações militares

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 fev 2026, 10h14 •
  • O iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, que foi preso no mês passado por participar de protestos contra o governo e teria sido condenado à morte, foi libertado sob fiança, informou nesta segunda-feira, 2, a mídia estatal Press TV. Sua soltura, confirmada também pela Hengaw, organização de direitos humanos com sede na Noruega, veio na esteira de uma série de ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse que responderia à execução de manifestantes com ações militares.

    Soltani foi preso em meio à violenta repressão dos protestos por parte das forças de segurança iranianas. Ele foi detido em 10 de janeiro em sua casa em Fardis, cidade a cerca de 40 quilômetros a oeste de Teerã, e acusado de “reunião e conspiração contra a segurança interna do país”, bem como de “atividades de propaganda” contra o regime, de acordo com a emissora estatal IRIB.

    Depois disso, a Hengaw, o Departamento de Estado americano e um parente de Soltani afirmaram que as autoridades iranianas planejavam executá-lo (o país tem uma das maiores taxas de pena capital do mundo e já executou diversos manifestantes após protestos). A Justiça do Irã, porém, descartou essas informações como “notícias fabricadas”. Posteriormente, sua família comunicou que a execução havia sido adiada, e Trump disse ter recebido garantias “de fontes confiáveis” de que não havia planos para a aplicação da pena de morte contra manifestantes no Irã (o que também diminuiu o grau de suas ameaças de intervenção, ao menos temporariamente).

    A Hengaw informou que Soltani foi libertado sob fiança no sábado 31, depois do caso ganhar repercussão internacional durante os enormes protestos que abalaram o Irã no mês passado, representando a maior ameaça ao regime dos aiatolás desde a Revolução Islâmica de 1979. As forças de segurança iranianas responderam com uma repressão brutal, matando mais de 6 mil pessoas e prendendo outras 40 mil, segundo a ONG Hrana, com sede nos Estados Unidos. Outras 11 mil mortes ainda estão sob investigação.

    O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, reconheceu que milhares de iranianos perderam a vida durante mais de duas semanas de protestos, mas atribuiu algumas das baixas a Trump, que, segundo ele, “incentivou abertamente” os manifestantes ao prometer-lhes “apoio militar” dos Estados Unidos. Enquanto o movimento se intensificava, o republicano encorajou os iranianos a “tomarem o controle” das instituições do país, garantindo-lhes por meio de uma postagem nas redes que “ajuda está a caminho”. No entanto, não houve nenhuma ação militar até agora.

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    Pressão por acordo

    Em vez disso, o líder americano agora considera um grande ataque à nação persa, que passou a pressionar pela assinatura de um acordo de não proliferação de armas nucleares que Washington propõe. Os Estados Unidos também reforçaram sua presença militar na região, com o envio de uma armada liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln.

    Em uma publicação em sua rede, a Truth Social, na semana passada, Trump exigiu que o Irã se sentasse à mesa de negociações para “um acordo justo e equitativo – SEM ARMAS NUCLEARES”, alertando que o próximo ataque americano ao país “será muito pior” do que o realizado em 2025 contra três de suas mais importantes instalações nucleares. No domingo, 1º, o republicano afirmou que enxergava chances de um tratado entre seu governo e os do Irã e de Cuba que impeçam uma ação militar dos Estados Unidos nos dois países (ele também ameaça Havana com cortes no fornecimento do petróleo na tentativa de forçar uma mudança de regime, segundo a imprensa americana).

    Nesta segunda, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou ter recebido um ultimato dos Estados Unidos para a conclusão de um acordo nuclear, mas disse que uma “estrutura” para negociações com os americanos seria definida nos próximos dias. Contudo, Khamenei adotou um tom mais desafiador, advertindo que um ataque enfrentaria uma forte retaliação.

    “Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, disse ele a uma multidão na mesquita Imam Khomeini, em Teerã, no domingo.

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