O chef que decidiu manter seus restaurantes longe de São Paulo e do Rio
À frente de seis casas em Salvador, Fabrício Lemos defende o turismo gastronômico
Mesmo com seis restaurantes e mais de 200 funcionários, Fabrício Lemos, 46, não tem nos planos abrir uma filial própria em São Paulo ou no Rio de Janeiro. A decisão de concentrar em Salvador as casas que comanda ao lado da mulher, a chef-pâtissière Lisiane Arouca, é também uma defesa da Bahia como destino gastronômico. “As pessoas têm que fomentar o turismo gastronômico e, para fomentar esse turismo, precisa fortalecer o que a gente tem aqui. Então, se você quiser comer minha comida, venha para a Bahia”, disse em entrevista à coluna GENTE.
A relação profissional com a cozinha, porém, começou quase que por acaso. Ainda adolescente, Fabrício se mudou para os Estados Unidos com o pai e o plano original não passava perto da gastronomia: queria ser policial. Sem experiência e precisando trabalhar, conseguiu uma vaga como lavador de pratos em um restaurante italiano. Ficou três anos na função até surgir uma oportunidade na cozinha. Ele seguiu os estudos no Le Cordon Bleu e trabalhou em diferentes cozinhas da Flórida antes de retornar à Bahia, em 2010.
A mãe, que fazia marmitas para complementar a renda da família, é apontada por Fabrício como sua principal ligação com a comida afetiva. Mesmo nos Estados Unidos, ele telefonava para pedir instruções para preparar receitas baianas, como o caruru. “É uma comida bem simples do dia a dia, mas que traz muitas lembranças de infância. Sabor e cuidado na escolha do produto e no preparo”, contou. Em 2013, conheceu Lisiane e, juntos, começaram a percorrer a Bahia, visitar cooperativas e pesquisar ingredientes e preparos.
Dessa pesquisa nasceu, em 2016, o Origem (@restauranteorigem), primeira casa do casal e ainda o restaurante que melhor sintetiza a proposta do grupo. Ali, a culinária baiana aparece sob técnicas contemporâneas em um menu-degustação que muda conforme a pesquisa e a sazonalidade. Com uma década de história, a casa serve o Menu Borí, com criações como “A Travessia”, representada pelo “ravióli aberto de siri de mangue e espuma de moqueca”. As sobremesas ficam sob o comando de Lisiane, como a Textura de Tangerina (sorvete de iogurte e tangerina com mousse, bolo e granita de tangerina, pérolas de avoador) e a Doce Lembrança (queijadinha, sorvete de pamonha, coulis de amora, tempurá e tuile de milho, amora).
Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente





