A chef que transforma ingredientes amazônicos em alta gastronomia
Esther Weyl comanda o restaurante Celeste em Belém, no Pará
A chef paraense Esther Weyl, 34 anos, encontrou nos ingredientes da Amazônia a matéria-prima para desenvolver uma culinária autoral no restaurante Celeste (@celesteorestaurante), em Belém (PA). Inaugurada em 2024, o espaço aposta na chamada “culinária de produto”, conceito que coloca o ingrediente no centro da criação dos pratos, respeitando a sazonalidade dos alimentos. Com passagem por cozinhas internacionais, como Estados Unidos, México e Espanha, Esther voltou ao Pará para investir em uma gastronomia contemporânea conectada às suas origens e ganhou projeção nacional na COP 30, em 2025.
(A coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)
Localizado na Cidade Velha, região histórica de Belém, o Celeste oferece um cardápio que muda de acordo com a disponibilidade e a qualidade dos ingredientes. A chef explica que prefere retirar uma preparação da carta a trabalhar com um produto que não esteja fresco. “A gente pensa primeiro no ingrediente e depois numa receita”, resumiu à coluna GENTE. A escolha também envolve o cuidado com a procedência. O pirarucu, por exemplo, vem de pesca de manejo sustentável, enquanto o chocolate utilizado na casa é produzido a partir de cacau cultivado em sistema agroflorestal. O restaurante também trabalha com produtos orgânicos, ovos e mel provenientes do sítio de seu sogro.
Entre os pratos que traduzem a proposta está o peixe do dia com pirão de tomate e tucupi (88 reais) — o favorita de Esther. Outra combinação que se destaca é o filhote com cuscuz de farinha d’água (88 reais), criação inspirada no cuscuz marroquino, mas elaborada com um ingrediente característico da culinária paraense. O cardápio também apresenta preparações com pirarucu, banana-da-terra, macaxeira, cumaru e outros produtos regionais.
A preocupação com a origem dos alimentos se estende à gestão do negócio. Esther defende que a ideia de sustentabilidade e bioeconomia precisa estar presente também nas relações de trabalho. Desde a inauguração, o Celeste adota a escala 5×2 e oferece seguro de saúde e de vida aos funcionários, além de treinamentos sobre proteção contra a violência às mulheres e práticas antirracistas.
“A hospitalidade não pode estar desvinculada do que a gente faz como empresa”, afirmou a chef. Para ela, o cuidado com a equipe faz parte da experiência oferecida ao cliente. A proposta também orienta o trabalho na Merenderia Tina, outro empreendimento comandado por Esther.
A escolha por fornecedores locais e produtores orgânicos, no entanto, traz desafios à rotina da cozinha. Segundo Esther, diferentemente das grandes cadeias de abastecimento, esses produtores têm seus próprios ritmos e nem sempre conseguem entregar os ingredientes imediatamente. “É mais difícil trabalhar com produtores orgânicos, porque o tempo é outro. Mas esse é um desafio do qual a gente quer fazer parte”, disse.






