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Ricardo Teixeira, o fim de uma presidência conturbada

Ricardo Teixeira renunciou nesta segunda-feira ao cargo de presidente da CBF, que ocupou durante 23 anos, após sofrer diversas acusações de corrupção que o deixaram em situação delicada diante da Fifa e acabaram com seu sonho substituir seu desafeto, Joseph Blatter, à frente da principal entidade do futebol mundial.

O ex-dirigente, de 64 anos, renunciou de forma definitiva, quatro dias após ter pedido licença médica, em carta lida nesta segunda-feira à imprensa por José Maria Marin, que o substituiu na presidência da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014.

Com a influência do seu ex-sogro João Havelange, presidente da Fifa durante 24 anos, entre 1974 e 1998, Teixeira acumulou muito poder.

“Eu o avalio como um paraquedista cujo sogro o colocou à frente da entidade e que tem sabido jogar de acordo com as regras do jogo para se manter no poder”, avaliou o jornalista Juca Kfouri, um dos mais críticos em relação ao ex-presidente da CBF.

Apesar de parecer intocável, Teixeira acabou sendo vítima de acusações de corrupção e deixou o cargo antes do fim do seu mandato, previsto para 2015.

“Ricardo quer se candidatar agora (à presidência da Fifa), mas eu disse a ele: ‘Faz uma Copa do Mundo de qualidade, trata todo mundo de maravilha, e vão votar em você por agradecimento”, revelou João Havelange em entrevista à revista Piauí publicada em julho de 2011.

Aos 95 anos, o próprio Havelange renunciou ao cargo vitálicio no Comitê Olímpico Internacional no início deste mês de dezembro, devido ao seu suposto envolvimento em casos de corrupção.

Teixeira e Havelange teriam recebido dinheiro de uma empresa de marketing esportivo, a ISL, no fim dos anos 90.

A denúncia veio do jornalista da BBC Adrew Jenning, autor do livro “Jogo sujo, o mundo secreto da Fifa”.

Baseando-se em informações da justiça suíça, Jenning explica que a ISL subornou ambos os dirigentes para conseguir os direitos de transmissão de diversas competições.

“Se a presidente Dilma ler meus documentos e checar os fatos, trocará o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 em poucos dias. Ricardo Teixeira está realizando a Copa no Brasil para roubar em contratos”, afirmou Jenning em outubro diante da Comissão Esporte e Cultura do Senado, em Brasília.

De acordo com o jornalista, Havelange teria recebido 50 milhões de dólares e Teixeira, mais de 9 milhões e ambos teriam chegado a um acordo com a justiça para restituir o dinheiro em troca da não revelação dos seus nomes.

Entre 2000 e 2001, Teixeira também foi investigado por lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal envolvendo os negócios da CBF com a Nike, patrocinadora da seleção brasileira.

Mais recentemente, Teixeira teve seu nome associado a um caso de superfaturamento no amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008.

“Já falaram tudo de mim: que eu trouxe contrabando em avião da seleção, a CPI da Nike e a do Futebol, que tem sacanagem na Copa de 2014. Todos ficam repetindo as mesmas merdas”, declarou Teixeira na entrevista à revista Piauí em julho.

Em maio, ele também foi acusado junto com outros membros da Fifa de comportamento “incorreto e antiético”, pelo ex-presidente da candidatura inglesa à Copa do Mundo de 2018 David Triesman.

Em depoimento ao Parlamento Britânico, Triesman citou um encontro que teve com o presidente da CBF em 2009. Ao explicar a Teixeira que tinha ficado feliz ao saber que o então presidente Lula via com simpatia a candidatura inglesa, o dirigente inglês teria recebido como resposta: “Lula não é nada. Me diga o que você tem para mim”.

No fim do ano passado, o dirigente tentou desviar as atenções ao convocar nomes de peso para o conselho de administração Comitê Organizador da Copa, o ex-craque Ronaldo, e em seguida Bebeto.

Estas nomeações também tiveram como objetivo de ‘contra-atacar’ após a presidente Dilma Roussef, que tinha escolhido meses antes o ‘Rei’ Pelé como embaixador do governo sem consultar a CBF.

Com todos os escândalos no qual acabou sendo envolvido, Ricardo Teixeira tornou-se no dirigente mais controverso do futebol brasileiro nos últimos anos.