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Estádio de São Paulo: quatro opções, muitos problemas

Morumbi, Piritubão, Arena Palestra Itália e Pacaembu são as alternativas

Por Da Redação - 21 jul 2010, 11h48

Uma reunião nesta quarta-feira discute qual pode ser o estádio de São Paulo na Copa do Mundo de 2014. A seguir, o que pesa a favor e contra as quatro principais opções colocadas na mesa:

Morumbi: O estádio do São Paulo era a opção prioritária para receber a Copa na cidade e até realizar a abertura do torneio. Desde o início, porém, sofreu a oposição da Fifa – e, de forma menos explícita, da CBF. O estádio precisa de reformas profundas e caras, mas é um projeto viável – afinal, já é o principal palco para o futebol e para os megashows na cidade mais populosa do país. Atrair investidores para a reformulação seria uma tarefa muito menos difícil caso Ricardo Teixeira tivesse sacramentado o apoio à escolha. No meio das incertezas, porém, o clube paulista – que costuma exercer oposição ao poder de Teixeira na CBF – não conseguiu garantias suficientes para bancar a reforma. Seria a opção mais racional: menos dinheiro público envolvido, nenhum risco de criar um elefante branco, menor risco de apostar num projeto que pode não ficar pronto a tempo. O apoio do governo estadual, porém, não deverá ser suficiente para emplacar sua escolha.

Piritubão: Projeto ambicioso e caro que inclui a construção de uma arena multiuso, centro de convenções e parque de exposições, seria a cartada de Ricardo Teixeira para cumprir o objetivo de viabilizar um novo estádio na capital paulista. Sua construção seria bancada pela iniciativa privada. Depois da Copa, o estádio poderia ser usado para grandes eventos – ou para se transformar na nova casa do Corinthians, que desconversa quando é questionado a respeito do assunto. O prefeito Gilberto Kassab, que sempre defendeu publicamente a escolha do Morumbi, comprou a ideia do Piritubão, dando corda para que o projeto ganhasse força nos bastidores. Mas faltaram investidores e o uso do estádio na abertura foi colocado sob dúvida – afinal, ele teria 45.000 lugares, mas a Fifa exige pelo menos 65.000 para o jogo inaugural do torneio. Antes da reunião desta quarta, o governador Alberto Goldman disse em entrevista à rádio CBN: “Pirituba está fora de cogitação”.

Arena Palestra Itália: Economista de bom trânsito no governo Lula, Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras, costurou um projeto que correu à margem das negociações que cercavam a Copa de 2014. Parceria entre o clube paulista e a construtora WTorre, a nova arena do Palmeiras já começou a ser construída, mas esbarra em alguns obstáculos para que seja aproveitada na Copa de 2014. Em primeiro lugar, não tem a capacidade necessária para realizar a abertura (terá só 45.000 lugares); em segundo, não foi idealizada de acordo com as exigências técnicas da Fifa, o que pode demandar adaptações complicadas no projeto. Resta saber ainda se o entorno do estádio, em bairro residencial densamente povoado, tem as condições que a Fifa cobra para montar o circo que se arma ao redor de cada partida de Copa do Mundo, com tendas para receber a imprensa, os convidados e os patrocinadores. Mas pelo menos é um projeto mais seguro e concreto.

Pacaembu: Uma ideia de última hora em meio à polêmica da escolha do estádio paulista em 2014, o tradicional campo da prefeitura seria ampliado e remodelado – o projeto fala em mais de 60.000 lugares. Só faltou combinar com o patrimônio histórico, que tombou o estádio há muitos anos. Também resta achar uma solução para a falta de espaço ao redor do estádio, construído num vale localizado em área nobre da capital paulista. Ainda que esses problemas sejam equacionados, a opção Pacaembu sofre com a falta de tempo: haveria menos de quatro anos para que o projeto detalhado surgisse, para que todos os entraves burocráticos fossem vencidos e para que a obra, enfim, saísse do papel. Em sua entrevista nesta quarta, o governador Alberto Goldman classificou a alternativa Pacaembu de “difícil”: “O projeto necessita de investimentos grandes e a prefeitura não tem recursos para isso”. Goldman também citou o problema do tombamento pelo patrimônio.

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