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Buenos Aires ainda não vive clima de decisão de título

Por Fábio Hecico

Buenos Aires – Véspera de jogo importante é certeza de torcedor entusiasmado pelas ruas de São Paulo. Com a camisa do time, bandeiras no carro, cantando e provocando rivais. Em Buenos Aires, a história é bem diferente. Numa caminhada nesta terça-feira pelas “calles” do centro da capital argentina, não há referências para a decisão da Libertadores desta quarta, entre Corinthians e Boca Juniors. É até surpreendente, tamanha a paixão dos argentinos por seus clubes e sua seleção.

Num dia comum de trabalho, o que mais marca em Buenos Aires são os protestos por melhorias nas condições de vida. Em todo canto há gente gritando e cobrando por melhores condições no emprego e redução de impostos e taxas. Nesta quarta-feira está programada uma greve dos caminhoneiros, o que promete atrapalhar a chegada dos torcedores à Bombonera.

A direção do Boca Juniors já pediu que os torcedores cheguem cedo ao palco da primeira final da Libertadores. Uma coisa é certa: a Bombonera terá 45 mil pessoas. Onde elas estão, ainda não dá para se ver – nem mesmo aqueles que preferem ficar em casa, vendo pela televisão.

Nas ruas de Buenos Aires, um ou outro torcedor do River Plate, uniformizado, ainda festejando o título da segunda divisão e a volta à elite, conquistados no último sábado. As lojas também não “bombam” os produtos do Boca Juniors. Preferem exibir a camisa nacional com o 10 de Messi às costas.

Onde se encontra as “bufandas” (tipo de faixa em tecido com o nome dos clubes), as do Boca Juniors ainda têm de dividir espaço, quem diria, com as do Corinthians. Os vendedores acreditam que podem lucrar mais com os produtos de inverno e pouco vistos no Brasil do time “favorito”, como os argentinos estão apontando os corintianos.

Até os programas esportivos, mesmo aqueles de debate, ainda não entraram no clima da decisão. Não evitam noticiar os finalistas, mas frisam mais a derrota do tenista argentino David Nalbandian em Wimbledon, o título do Arsenal no Torneio Clausura e o drama do San Lorenzo, que disputará mata-mata com o Instituto para ver quem fica na Série A e quem disputará a Segundona.