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Música digital dispara no país e VEJA testa os serviços

O mercado de música digital no Brasil cresceu a níveis exponenciais no primeiro semestre deste ano. Ainda engatinhando tanto em oferta de tecnologia como em faturamento, se comparado a países como os Estados Unidos, onde a venda de fonogramas digitais já responde por mais da metade (52%) da receita total das gravadoras e há uma quantidade muito maior de serviços disponíveis, o país provou ser um terreno fértil para empresas de streaming e downloads pagos que aportaram por aqui no fim do ano passado. Segundo especialistas desse mercado, que movimentou 5,2 bilhões de dólares no mundo todo em 2011, as vendas digitais feitas no Brasil até o fim do primeiro semestre de 2012 já representam cerca de 20% do total, e de acordo com dados da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco) e do Ecad, essa fatia, que antes era de 16%, deve crescer muito nos próximos meses.

Em 2011, o mercado digital brasileiro, que antes sofria com a pirataria e era um dos líderes mundiais em downloads ilegais, ficou em oitavo lugar no ranking global dos países que mais lucraram com música na internet, arrecadando 262 milhões de dólares, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês). E deve subir mais algumas posições na próxima edição da lista: o site de VEJA apurou que esse mercado cresceu 78% no país somente no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado.

A música digital caminha a passos largos no Brasil, principalmente graças à chegada de serviços como a loja iTunes, criada em 2003 nos Estados Unidos, e a plataforma de streaming pago Rdio (confira na lista abaixo), empresa fundada pelos criadores do Skype, com sede em São Francisco. As empresas comemoram. “Como qualquer serviço novo, ainda encontramos resistência, mas já percebemos que temos potencial para crescer. Até agora, tivemos um retorno extremamente positivo”, diz Gustavo Alvim, gerente de serviços de valor agregado da operadora de telefonia Oi, responsável por trazer a Rdio para o Brasil.

Streaming – Segundo um relatório divulgado nesta semana pela empresa Strategy Analytics, o mercado de streaming cresceu cerca de 40% neste ano, enquanto os downloads subiram somente 8,5%. Apesar de os downloads ainda dominarem esse mercado, com uma fatia de 80%, a empresa afirma que, até 2015, a venda de música digital já terá superado as vendas físicas, graças ao streaming. Além da Rdio, empresas como a americana Pandora e a sueca Spotify lideram esse mercado – e sua chegada ao Brasil não deve demorar.

Fontes ouvidas pelo site de VEJA afirmam que o Spotify deve aportar por aqui até o fim do ano. Procurada pela reportagem, a empresa não confirma, mas diz que seu objetivo é “estar presente em todos os países” e que sabe “o quanto os brasileiros são apaixonados por música”. Já executivos do Pandora confirmam os planos de vir ao Brasil, mas dizem ter encontrado dificuldades em licenciar as músicas junto às gravadoras locais. A concorrência vai ficar acirrada.

Apesar do aumento da oferta de serviços digitais no Brasil, ainda não há números concretos da execução de músicas em streaming e rádios on-line, algo que deve mudar a partir do outubro deste ano, quando a Crowley Broadcast Analysis, empresa responsável por monitorar as rádios brasileiras e por organizar a lista das músicas mais tocadas no país para a revista Billboard Brasil, passará a medir também as execuções na web, algo inédito no país. “Vemos o mundo on-line como uma expansão territorial, por assim se dizer, do formato rádio e, portanto, uma área a ser agregada à avaliação do meio”, diz Paul Smith, diretor-geral da Crowley no Brasil.

Terreno fértil – As gravadoras, cientes do potencial do mercado digital, já fazem grandes investimentos. Nos Estados Unidos, algumas delas — caso de Mad Decent, Stones Throw, Domino, Fool’s Gold e Ghostly International — lançaram neste ano um serviço inédito de assinatura que funciona no site drip.fm. Nele, por cerca de 10 dólares por mês, é possível baixar novos álbuns e acessar todo o catálogo da gravadora escolhida de qualquer computador, e também ganhar brindes, como camisetas e edições limitadas e exclusivas de discos recém-lançados.

Esse serviço não deve demorar a chegar ao Brasil. “O mercado digital de música vem crescendo muito no país, principalmente com a chegada do iTunes e de serviços de streaming”, diz o americano Francisco Moreno, chefe de novas mídias da Warner Music. “O futuro é digital, é aí que o lucro estará”, prevê.

Por esse motivo, o mercado digital é hoje fonte de inspiração para as estratégias mais agressivas das gravadoras. A Universal Music, por exemplo, lança discos exclusivos no formato, como as coletâneas Baladas de Ivete, atualmente em primeiro lugar no iTunes, e Jorge e Mateus Elétrico, também entre os mais vendidos na loja on-line. “É uma forma de incentivar o consumo nesse mercado”, diz Danillo Ambrosano, gerente digital da gravadora. Atualmente, a empresa também trabalha para digitalizar todo seu catálogo, inclusive álbuns que estão fora de estoque.

Neste mês, a Sony Brasil lançou o site Som É Sony, que, embora não venda música, tem a intenção de construir uma sólida base de fãs e preparar terreno para lucrar com ela. “A Sony pretende lançar no Brasil, futuramente, a loja Sony Entertainment Network, que venderá música e outros conteúdos, mas entende que a melhor maneira de fazê-lo é primeiro criar uma plataforma com um grande número de fãs de música”, diz Cláudio Vargas, vice-presidente de novos negócios e digital da Sony Music Brasil. Em um prazo de 12 meses, a empresa espera ultrapassar a marca de 2 milhões de usuários – ou melhor, potenciais consumidores.

Parece que o mercado fonográfico, depois da crise dos últimos anos, pode enfim voltar a sorrir.