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Entrevista: Adam Lambert, de reality ao microfone do Queen

Cantor americano que se apresenta na noite de abertura do Rock in Rio fala sobre a inspiração vinda de Freddie Mercury: ‘Ele era livre’

O cantor Adam Lambert O cantor Adam Lambert

O cantor Adam Lambert (/)

Em 2009, Adam Lambert, na época com 26 anos, conseguiu uma vaga no disputado reality show American Idol ao entoar na primeira audição a música Bohemian Rhapsody, um dos hinos do Queen, sua banda favorita. Ao longo do programa, o jovem de franja emo e espinhas no rosto cresceu, ganhou espaço e foi alvo de comoção quando perdeu a disputa e terminou em segundo lugar. Contudo, o cantor americano é mais um dos casos de perdedores que, na verdade, saíram ganhando – caso de outros como One Direction (terceiro lugar no The X Factor) e Jennifer Hudson (sexta posição no American Idol e, mais tarde, vencedora do Oscar).

Hoje, Lambert se divide entre a carreira-solo e o cobiçado e temido lugar de vocalista do Queen, espaço antes ocupado pelo icônico Freddie Mercury. “No começo, foi bem assustador”, diz o cantor sobre o trabalho ao lado dos integrantes Brian May (guitarra) e Roger Taylor (bateria). A formação “Frankestein” da banda tem viajado o mundo e arregimentado multidões, caso do Brasil, que recebe três shows do grupo. O primeiro ocorreu em São Paulo, no dia 16, em um Ginásio do Ibirapuera lotado. O próximo será nada menos que o show principal da noite de abertura do Rock in Rio, nesta sexta-feira, dia 18, seguido por uma apresentação no Ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, em 21, segunda.

No intervalo das gravações do programa MTV MÓV3L, episódio que vai ao ar com Lambert no dia 7 de outubro, o cantor conversou com o site de VEJA. Confira:

São inevitáveis as comparações entre você e Freddie Mercury. Sentiu algum receio de assumir o posto de um dos vocalistas mais marcantes da história do rock? No começo, há três anos, quando começamos, eu logo pensei: “Deus, o que os fãs vão achar disso?”, “Será que eu consigo?” e “A banda vai me aceitar?”. Todas estas perguntas passaram pela minha cabeça e, depois dos primeiros shows, eu respirei aliviado e pensei: “Ok, os fãs aceitaram. A banda e eu nos damos bem”. Mas no começo foi sim, bem assustador.

Se identifica com Mercury? Segundo os rapazes da banda, eu e ele temos um senso de humor parecido. É o que me dizem. Temos uma ideia parecida de humor e não nos levamos muito a sério.

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Você surgiu no American Idol cantando uma música do Queen. A banda e Mercury foram uma inspiração para o começo da sua carreira? Sim, totalmente. Quando eu comecei a ouvir canções de rock dos anos 1970, percebi o quão livre Freddie era. Ele era um showman e tanto. Pelo que vejo em fotos e vídeos, ele parecia sempre fazer o que tinha vontade. Era muito impulsivo e independente. Essa atitude dele foi muito inspiradora para mim.

Qual sua primeira memória do Queen? A música Bohemian Rhapsody cantada pelo elenco do filme Quanto Mais Idiota Melhor. Eu tinha uns nove ou dez anos quando o filme foi lançado e ainda não conhecia o Queen. Quis saber que banda era aquela. Foi então que passei a prestar mais atenção e logo descobri We Will Rock You e We Are the Champions, que são músicas comuns em eventos esportivos nos Estados Unidos.

O rock tem vivido um momento fraco, mesmo assim você apostou no estilo em um reality show e chegou perto da vitória. Tem esperanças de que o rock volte a ter força na indústria musical? Realmente é um estilo que não anda muito popular, especialmente nas rádios, como era antigamente. É uma pena. Para mim, o melhor rock é o que foi produzido no passado. O rock da era clássica, entre os anos 1960 e 70. O cenário alternativo dos anos 1990 também me agrada. Mas, infelizmente, é um estilo em baixa. Uma pena. Eu tenho esperança sim de que ele volte à tona.

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Roger Taylor disse que os shows do Queen no Brasil podem ser um dos últimos da banda. Ele falou sério? Ah, você vai ter que falar com ele. Não sei de nada (risos).

Por quanto tempo continuará com o Queen? Os próximos quatro shows depois do Rock in Rio são tudo o que temos na agenda por enquanto. Então, quem sabe o que o futuro nos reserva. Não sei.

Freddie Mercury se tornou um ícone gay e você também tem desempenhado esse papel. Acha que o rock está mais receptivo que outros estilos para artistas abertamente homossexuais? Depende. Cruzar esse limite ainda é complicado. Acho que no caso do Queen, para mim, foi mais confortável, porque o Freddie era. Porém, ele não era um gay assumido. Só depois que ele morreu que as pessoas descobriram de fato que ele era gay. Vivemos agora um tempo interessante. Parece que a cada dia a aceitação aumenta e as pessoas têm a mente mais aberta. Pois somos todos iguais. Somos todos seres humanos, temos os mesmos sentimentos. Todos queremos amar e ser amados. E essas ideias e sentimentos universais podem ser cantados por gays e héteros. Somos todos humanos. Tanto que meu hino do Queen é Somebody to Love (alguém para amar, em tradução literal). Espero por alguém… alguém por favor (risos)!


Queen + Adam Lambert

Apesar da formação “Frankenstein”, a banda Queen tem se esforçado para continuar na ativa com vocalistas que tentam ocupar o lugar do inalcançável Freddie Mercury. Nesta edição, quem chega com os músicos originais é Adam Lambert. O performático cantor americano vai entoar os grandes hits da banda, garantindo a sensação de nostalgia, especialmente para aqueles que compareceram à primeira edição, em 1985, quando o Queen foi aplaudido como o melhor show do festival. São esperadas canções como Bohemian Rhapsody, Under Pressure, Don’t Stop Me Now, Somebody to Love, Killer Queen, We Will Rock You e, claro, We Are The Champions. Os rapazes são a atração principal do dia 18 de setembro, abertura do festival, e se apresentarão à meia-noite, no Palco Mundo. 

Ira! + Rappin Hood e Toni Tornado

Edgard Scandurra e Nasi, à frente da banda de rock Ira!, se apresentam ao lado do rapper Rappin Hood e do ator e cantor de soul Tony Tornado. A mistura inesperada de suingue, guitarras e versos soltos promete uma boa experiência musical. Aposta para começar o dia 18, às 16h30, no Palco Sunset. 

Homenagem à Cássia Eller

A cantora Cássia Eller será tema de uma elaborada homenagem feita pelo festival, que encerrará a programação do Palco Sunset, no dia 18. O show com grandes sucessos da roqueira terá a participação de Nando Reis, Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Mart’nália, Emanuelle Araújo, Filipe Catto, Xis, Julia Vargas, Tacy (que interpreta Cássia no musical sobre a cantora), Fabão e Márcio Mello. A apresentação começa às 20h. 

Metallica

Após seis participações no festival, o Metallica se firma como o grande arroz de festa do Rock in Rio. Uma das principais referências do metal, a banda merece ser vista quantas vezes voltar ao país. Com uma longa coleção de hits, os roqueiros liderados por James Hetfield prometem mais uma apresentação enérgica com faixas como Seek and Destroy, Disposable Heroes, Master Of Puppets, One, Lords of Summer, The Unforgiven e Enter Sandman. O grupo é a atração principal do dia 19 de setembro, no sábado, e se apresentam no Palco Mundo, à meia-noite.

Rod Stewart

Há cinco décadas na ativa, o cantor britânico começou ao lado da banda Faces antes de partir para a carreira solo. Sua voz rouca e letras românticas são os ingredientes que embalam hits como Maggie May, Tonight’s the Night (Gonna Be Alright), You’re in My Heart (The Final Acclaim), Da Ya Think I’m Sexy? e Forever Young, canções esperadas no palco do Rock in Rio. Covers também podem fazer parte da setlist, como The First Cut Is the Deepest, de Cat Stevens, e Some Guys Have All the Luck, do The Persuader. O cantor se apresenta no dia 20 de setembro, mesma data de seu compatriota Elton John. Ambos são os nomes fortes do domingo no Palco Mundo, com John às 22h30 e Stewart à meia-noite.

John Legend

O clima de romance do primeiro domingo do festival, com Elton John e Rod Stewart, é reforçado pelo cantor americano John Legend, que levou o Oscar de melhor canção original este ano pela faixa Glory, tema do filme Selma. O vocal forte e a habilidade no piano são as marcas do cantor, que deve entoar por aqui hits como All Of Me, Ordinary People, P.D.A (We Just Don’t Care), Stay With You e You & I (Nobody in the World). Legend se apresenta no Palco Sunset, às 20h. 

Baby do Brasil + Pepeu Gomes

Depois de 27 anos, os cantores voltam a tocar juntos em um grande show no Rock in Rio, com produção do filho do casal, Pedro Baby. A dupla que marcou a MPB nos anos 1970, inicialmente com o grupo Novos Baianos, fez um aclamado show na primeira edição do festival, em 1985, quando Baby estava grávida de 8 meses. O repertório trará canções da turnê Baby Sucessos – A Menina ainda Dança, lançado em DVD em 2014. São esperadas músicas como Seus Olhos, Telúrica, Tinindo Trincando, Sem Pecado e Sem Juízo, Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, Um Auê com Você, Menino do Rio, entre outros. A dupla sobe ao Palco Sunset no dia 20, às 16h30. 

System of a Down

A banda que deu um novo fôlego ao metal nos anos 1990 retorna ao Rock in Rio, após uma apresentação enérgica em 2011. Os roqueiros são a atração principal do dia 24, quinta-feira que abre o segundo fim de semana do festival. Eles sobem ao Palco Mundo à meia-noite após um esquenta de ninguém menos que o Queens of the Stone Age, que se apresenta às 22h30. A expectativa é que o System of a Down entoe hits como Chop Suey!, Toxicity, Lonely Day e Sugar.

Slipknot

Os roqueiros mascarados tocam pela terceira vez no festival (a primeira em 2004, no Rock in Rio Lisboa, e a segunda em 2011, no Rio de Janeiro) e quinta vez no Brasil (dois shows em 2005, um em 2011 e outro em 2013). Elogiada em todas as apresentações, a banda retorna com a moral alta e o novo disco 5: The Gray Chapter, primeiro de inéditas em seis anos, lançado em 2014. O grupo é a atração principal do Palco Mundo, na sexta-feira, dia 25, à meia-noite. São esperadas canções como Surfacing, (Sic), Spit It Out, Wait and BleedThe Heretic Anthem e o novo hit Killpop

Faith No More

Para completar um dos melhores dias do metal no Rock in Rio 2015, o grupo Faith no More sobe ao Palco Mundo às 22h30, em um sanduíche com as ótimas Mastodon, que toca às 21h, e Slipknot, que fecha a noite. A última vez dos roqueiros no festival foi em 1991, em sua segunda edição, sediada no Maracanã. Depois, a banda passou por um hiato de 11 anos, voltou à ativa em 2009 e lançou em maio de 2015 seu oitavo disco, Sol Invictus, o primeiro de inéditas em 18 anos. Além dos sucessos do passado, o setlist do grupo deve incluir muitas faixas do novo trabalho, como as densas Motherfucker, Superhero e a canção que dá título ao CD.

Sam Smith

Nos passos da cantora Adele, o cantor britânico uniu uma decepção amorosa a uma voz potente e conquistou o mercado fonográfico com seu primeiro disco In the Lonely Hour, que lhe rendeu logo quatro gramofones no Grammy deste ano. Além dos hits do álbum, como Stay With Me, Money on My Mind, I’m Not The Only One e Lay Me Down, são esperadas canções como Nirvana, de seu primeiro EP, Latch (que ele gravou ao lado da banda Disclosure), e os covers My Funny Valentine (hit do jazz, conhecido na voz de Ella Fitzgerald) e Do I Wanna Know?, do grupo Arctic Monkeys. Smith sobe ao Palco Mundo no sábado, dia 26, às 22h30, antes da cantora Rihanna. 

Rihanna

A cantora caribenha promete ser o nome que vai causar no Rock in Rio. Ousada e desbocada, ela foi eleita atração principal do Palco Mundo do sábado, dia 26. Essa é a segunda vez seguida da moça no festival, que trará novas canções como FourFiveSeconds, Bitch Better Have My Money e American Oxygen, além de hits de seus discos Unapologetic, Talk That Talk e Loud. Apesar de ter atrasado mais de uma hora em sua última participação no Rock in Rio, Rihanna não deixou uma má impressão e foi dona do recorde de vendas este ano: em menos de uma hora, seu dia já estava esgotado. Se seguir a agenda, ela sobe ao palco à meia-noite. 

Sérgio Mendes e Carlinhos Brown

Uma pitada de samba com reggae misturado com bossa nova e um apurado piano. A fórmula é boa e são poucas as chances de dar errado o show de Sergio Mendes e Carlinhos Brown. A dupla, que foi indicada ao Oscar pela trilha sonora do filme Rio e produziu uma canção para a Copa do Mundo 2014, se apresenta no Palco Sunset no dia 26, às 20h. Vale lembrar que Brown foi um dos primeiros artistas a protagonizar um barraco no Rock in Rio. Em 2001, o músico fez um show quase inteiro sendo agredido pela plateia de roqueiros, que jogava contra ele objetos e garrafas de água. 

Erasmo Carlos e Ultraje A Rigor

Assim como Carlinhos Brown, o tremendão foi outro que sentiu a vaia do público do Rock in Rio, logo na primeira edição, em 1985. O músico superou o trauma e voltou ao festival em 2011, ao lado de Arnaldo Antunes. A recepção foi bem diferente, e Erasmo saiu ovacionado da apresentação. Agora, ele volta acompanhado pelos músicos Roger Moreira, Mingau, Bacalhau e Marcos Kleine, da banda Ultraje à Rigor. A trupe se apresenta no dia 26, sábado, no Palco Sunset, às 16h30. 

A-Ha

Mais uma banda volta das cinzas. Sucesso nos anos 1980, o grupo norueguês tocou pela primeira vez no Rock in Rio em 1991, e foi eleito o melhor show da edição. Em 2010, eles anunciaram o fim da banda e passaram pelo Brasil para uma turnê de despedida. Para alegria dos fãs, os roqueiros anunciaram o retorno este ano e vão aproveitar a vinda ao Rio de Janeiro para emendar uma turnê pelo país, com datas marcadas para Brasília, Recife, Fortaleza, São Paulo e Curitiba. Eles se apresentam no Rock in Rio no domingo, dia 27 de setembro, no Palco Mundo, às 22h30, antes da cantora Katy Perry.