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Com ‘Escrava Mãe’, Record aposta no clássico para brigar com a Globo

Novela que estreia nesta terça-feira vai concorrer com ‘Haja Coração’, da emissora carioca, munida de muito romance, vilanias e comédia

Seis meses depois da data em que deveria ter estreado, Escrava Mãe finalmente chega à tela da Record, nesta terça-feira, às 19h30. Inicialmente programada para substituir Os Dez Mandamentos, em novembro passado, a novela de Gustavo Reiz foi adiada sucessivas vezes. Primeiro, pesou o sucesso do folhetim bíblico, que até hoje ainda não teve seu ponto final, e, depois, o crescimento da audiência de Totalmente Demais, produção global com a qual Escrava Mãe iria concorrer, quando a Record decidiu criar uma nova faixa horária de novelas. Agora, a emissora estreia a história da mãe da Escrava Isaura no mesmo dia e horário que Haja Coração, da Globo, com uma aposta grande nos elementos mais clássicos do folhetim.

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No primeiro capítulo, apresentado para a imprensa, o público vai conhecer o casal Luena (Nayara Justino) e Kamau (Marcel Batista), que é trazido ao Brasil em um navio negreiro em 1789. Durante a viagem, a moça é estuprada e engravida de Osório (Jayme Periard), que invadiu uma tribo africana perto de Angola e negocia a venda de escravos. Luena morre ao dar à luz, mas consegue salvar a criança, que é acolhida em uma fazenda açucareira. Anos mais tarde, a filha, Juliana (Gabriela Moreyra), descobre sua origem e jura jamais se envolver com um homem branco, já que sua mãe havia sofrido nas mãos de um deles.

Ela, porém, conhece o português Miguel (Pedro de Carvalho) e os dois se apaixonam imediatamente. O relacionamento é atrapalhado por Maria Isabel (Thais Fersoza), filha do coronel em cuja fazenda Juliana mora. Ela também se apaixona pelo português. Além de disputar o mesmo homem com Juliana, Isabel nutre ódio pelo tratamento diferenciado que a escrava recebia em sua casa.

A vida de Juliana vai se tornar ainda mais complicada após o casamento de Teresa (Roberta Gualda), irmã de Maria Isabel, com o Comendador Almeida (Fernando Pavão), que vai assumir o comando da fazenda onde mora a família. Malvado, ele vai ficar obcecado pela escrava e fazer de tudo para impedir o romance da moça com Miguel.

A novela não vai fugir do modelo clássico do folhetim, com um casal apaixonado que luta contra vilões invejosos para tentar ser feliz, uma briga entre duas famílias inimigas de longa data e a injustiça social promovida pela escravidão. Além disso, como não poderia deixar de ser, vai ter também seu núcleo cômico, que será centrado principalmente nas personagens Rosalinda (Luiza Tomé), dona de uma pensão, e Urraca de Almeida (Jussara Freire), mãe do Comendador Almeida.

Na coletiva de imprensa de apresentação de Escrava Mãe, o autor da novela, Gustavo Reiz, prometeu que ela vai trazer “tramas para todos os gostos” em um ritmo ágil, com muito romance e histórias de amizade e esperança, sem centrar o enredo nos castigos sofridos pelos escravos no Brasil para não tratar o tema de maneira “sensacionalista”.

Concorrência – Faz sentido que a Record aposte em um formato já conhecido e aclamado pelo público das novelas, ainda mais para ser o carro-chefe de um novo horário dedicado a esse tipo de produção e para enfrentar a sucessora de Totalmente Demais, um verdadeiro sucesso de audiência da Globo na faixa das sete. Haja Coração, aliás, é uma espécie de “remake frankenstein”, ou seja, com algumas modificações na história e em personagens, de outro hit da emissora carioca, a já clássica Sassaricando (1987).

Na coletiva de imprensa, o vice-presidente de programação da Record, Marcelo Silva, foi bastante franco sobre a concorrência, admitindo que a emissora havia adiado a estreia da novela para que ela não fosse ao ar no mesmo dia em que a Globo exibiria o último capítulo de Totalmente Demais. “Precisamos de audiência, precisamos pagar por tudo isso”, disse. “Temos que ser inteligentes, as emoções têm que dar lugar ao raciocínio nessas situações.”

De acordo com o diretor de dramaturgia da casa, Anderson Souza, a Record não estabeleceu uma meta de audiência para a novela. No entanto, a emissora deve estar bastante esperançosa, já que investiu cerca de 350.000 reais por capítulo do folhetim e importou dos Estados Unidos equipamentos para poder gravar em 4K (resolução quatro vezes maior do que a de alta definição).

Ao contrário do que aconteceu com Os Dez Mandamentos, que teve seu final adiado por causa do sucesso e teve muitas de suas cenas gravadas às pressas, já que a autora, Vivian de Oliveira, precisou alongar a história, Escrava Mãe já está toda filmada e deve ter cerca de 140 capítulos. Segundo Souza, não há o risco de a audiência influenciar muito o rumo da trama, já que as locações foram desmontadas e alguns atores nem possuem mais contrato com a casa. A edição ainda não está finalizada, mas não se deve alterar muito o número final de capítulos – uma ótima notícia que indica que a qualidade da produção não será prejudicada por um “deslumbramento” da emissora com seu eventual sucesso.