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‘As mulheres ainda lutam para ter voz’, diz Nicole Kidman

Atriz vai interpretar no teatro cientista que contribuiu para a descoberta do DNA e foi desprezada pelos acadêmicos da época

Por Da Redação - 3 set 2015, 12h04

A atriz Nicole Kidman passará uma temporada nos palcos de West End, em Londres, na peça Photograph 51, sobre Rosalind Franklin, cientista britânica considerada a mãe do DNA. Em entrevista ao site do jornal britânico The Guardian, Nicole falou sobre sua ligação com a ciência, com o teatro e também a identificação com a personagem, que foi excluída pelos colegas de trabalho nos anos 1950.

“Ela era uma mulher judia e cientista. Foram muitos os fatores que a colocaram em uma situação de constante autodefesa”, disse Nicole sobre Rosalind. “O que me atraiu na peça é que ainda é uma história relevante. Pois, até hoje, as mulheres continuam a lutar para ter uma voz, uma identidade, em um mundo dominado por homens.”

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De acordo com uma correspondência dos anos 1950, divulgadas em 2010, antigos colegas de trabalho de Rosalind conversam sobre o desprezo que a cientista causava e como eles a queriam fora de sua pesquisa sobre o DNA. Ela conseguiu uma foto da estrutura em dupla hélice em caracol, até então desconhecida. A imagem, batizada de Fotografia 51 – inspiração para o nome da peça – foi levada por um de seus alunos ao chefe da pesquisa, que escreveu um artigo sobre a descoberta, sem citar o nome de Rosalind. Em 1962, ele ganhou o Nobel de medicina. A cientista, que morreu em 1958, vítima de um câncer, não recebeu seus méritos.

“Outra coisa que me atrai é que ela não buscava a fama. Era comprometida, não se vendia. Ao contrário do que vemos hoje. Esta peça conta a história de uma pessoa que não se importava em aparecer na superficialidade. Ela se interessava por seu trabalho”, diz Nicole.

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A atriz também falou sobre sua paixão pelo teatro, um lugar de refúgio, segundo ela, e sobre seu envolvimento precoce com a ciência. “Meu pai era cientista, um bioquímico. Minha mãe trabalhava em um hospital. Eu brincava em laboratórios, entre tubos de ensaios”, diz. “Por isso, era meu desejo prestar um tributo aos cientistas.”

A peça com a atriz estreia neste fim de semana, dia 5, em Londres, e fica em cartaz até 21 de novembro.

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