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Vestibular da Ufpel tem ‘Fora Bolsonaro’ oculto em prova

Universidade já identificou funcionário responsável pelo ato, justificado como 'protesto'

Por Ricardo Ferraz Atualizado em 7 dez 2021, 14h37 - Publicado em 7 dez 2021, 14h23

No último sábado, os estudantes que decidiram se candidatar a uma vaga na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) por meio do PAVE, um vestibular próprio, se depararam com um texto de instruções para a prova, em que algumas palavras estavam escritas fora do padrão. Uma das letras era destacada em negrito. Juntando-se todas elas,  forma-se a frase “Fora Bolsonaro”.

O caso foi revelado por um dos candidatos nas redes sociais, o que causou furor entre críticos e revolta entre os apoiadores do presidente da República. Um processo de investigação interno foi iniciado pela reitoria porque o episódio poderia indicar uma quebra de segurança na elaboração e aplicação da avaliação. Assim que os funcionários envolvidos no processo foram interrogados, um deles admitiu a culpa pelo ocorrido. Justificou a bazófia como um ato de protesto.

“Não há qualquer indício de ofensa à integridade da prova”, assegurou a instituição por meio de nota.

O servidor agora será submetido a Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conduzido por uma comissão de funcionários e professores que poderá decidir por, basicamente, três tipos de punição: a assinatura de uma advertência e um termo de ajustamento de conduta, suspensão do cargo com suspensão de salário ou demissão.

Internamente, o caso dividiu o corpo docente. Muitos professores entenderam o ato como um desabafo, outros pregam uma punição severa por expor a Instituição. O PAVE é um programa muito caro à comunidade acadêmica por ser um vestibular diferente dos praticados no país.

Os alunos fazem três provas ao longo do ensino médio e, ao final do processo, os melhores colocados escolhem em  qual curso querem se matricular. O programa engloba um quinto das vagas totais da universidade e 90% é destinado a alunos egressos do ensino público.

Até o momento, a reitoria não foi informada de nenhuma manifestação por parte do MEC.

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Essa não é a primeira vez que a Ufpel se torna palco de atritos entre os acadêmicos e representantes do governo. A atual reitora, Isabela Andrade, foi nomeada, em janeiro, mesmo sem ter sido a mais votada na lista tríplice apresentada ao MEC. No entanto, ela integrava a chapa vencedora e conduz uma administração conjunta, o que desagrada o ministério.

Recentemente, o epidemiologista César Victora, agraciado com a medalha de Grão-Cruz de Honra ao Mérito Científico recusou a homenagem por considerar que a ciência está sob ataque do governo.

Veja a íntegra da nota divulgada pela Ufpel:

“A administração da Universidade tomou conhecimento, no último domingo, de inclusão em sua prova do Programa de Avaliação da Vida Escolar (PAVE) de formatação de caracteres em negrito compondo mensagem de cunho político na folha de instruções.

Cumpre informar à comunidade que a autoria da iniciativa já foi identificada, que não há qualquer indício de ofensa à integridade da prova e que já foi instaurado processo administrativo destinado a plena apuração dos fatos e responsabilidades.

A Ufpel reitera seu compromisso com a comunidade universitária e regional com a transparência, integridade e regularidade de todos seus processos.”

 

 

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