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USP, Unesp e Unicamp caem em ranking internacional de educação

USP continua a melhor entre as brasileiras, na 15ª posição; Unicamp, que ficou em 40º lugar, perdeu sete posições; Unesp caiu para a 166ª colocação

A Universidade de São Paulo (USP), a Estadual de Campinas (Unicamp) e a Estadual Paulista (Unesp) perderam posições no ranking que mede o desempenho de instituições de países emergentes. É o que mostra a lista, divulgada nesta terça-feira, 15, da revista britânica Times Higher Education (THE), uma das principais em avaliação do ensino superior no mundo,

A USP continua na melhor colocação entre as universidades brasileiras, na 15ª posição. No ano passado, estava em 14º e, desde 2017, não alcança o top 10 das universidades com os melhores desempenhos. Em seguida vem a Unicamp, que ficou em 40º lugar, perdendo sete posições em relação a 2018. A Unesp caiu para a 166ª colocação (em 2018, estava em 162º).

Enquanto isso, outras universidades brasileiras ganharam destaque. É o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que saiu da faixa de 201-250 e subiu para a 119ª posição, com melhoras em todos os indicadores, e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que subiu 23 posições, chegando à 127ª colocação.

O ranking de economias emergentes da THE analisou quase 450 universidades de 43 países, em quatro continentes. O levantamento feito pela revista britânica é uma das principais referências em reputação acadêmica. Trinta e seis instituições brasileiras aparecem no estudo – mais do que no ano passado, quando o país tinha 32. Mesmo assim, dezessete universidades brasileiras perderam posições no levantamento divulgado nesta terça.

Para Ellie Bothwell, editora global de rankings da THE, o cenário brasileiro é de estagnação. A publicação britânica indica que o desempenho do país está ligado a cortes financeiros. “Como em muitos países da América Latina, o setor de ensino superior do Brasil está sofrendo sérios efeitos colaterais dos contínuos cortes de financiamento”, apontou Ellie.

Também há maior competitividade. “Outras economias emergentes estão avançando em um ritmo mais acelerado, à medida que cada vez mais as vemos posicionando as instituições no centro de suas estratégias nacionais de crescimento econômico”, disse Ellie. A China é a nação que conquista as melhores posições na tabela (4 das 5 primeiras) e tem a melhor representação: 72 instituições chinesas aparecem no ranking.

A primeira colocada da lista é a Universidade de Tsinghua, que tomou o lugar ocupado pela Universidade de Pequim no ano passado. Entre as trinta primeiras, também aparecem universidades russas, sul-africanas, turcas, indianas, entre outras.

THE

O ranking de Economias Emergentes da revista britânica THE usa os mesmos treze indicadores de desempenho analisados no ranking geral de universidades, que avalia 1.000 instituições ao redor do mundo. Para a análise dos países emergentes, no entanto, esses indicadores são calibrados para refletir o contexto das universidades pesquisadas.

São levadas em consideração áreas como ensino (o ambiente de aprendizagem); pesquisa (volume, rendimento e reputação); citações (influência de pesquisa); perspectiva internacional (equipe, estudantes e pesquisadores); e rendimento da indústria (transferência de conhecimento).

Reação das universidades

De olho nos rankings internacionais, as universidades estaduais paulistas estão criando “núcleos de inteligência” para monitorar a própria performance acadêmica. Esses núcleos são escritórios ou comissões que fazem a ponte com as agências responsáveis pelas principais avaliações e dão dicas práticas a pesquisadores sobre como melhorar a visibilidade das publicações científicas.

De modo geral, USP, Unesp e Unicamp têm boas posições ante as demais universidades da América Latina, mas ainda estão bem longe do topo de rankings mundiais, ocupado pelas elites britânica (como Oxford) e americana (Stanford, por exemplo). Também perdem para nações emergentes, como mostra o levantamento da THE, divulgado nesta terça-feira.

(Com Estadão Conteúdo)