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Brasil, o país da repetência

O novo censo escolar mostra que um de cada quatro alunos chega ao fim do ensino fundamental com pelo menos uma reprovação no currículo

Por Maria Clara Vieira Atualizado em 16 fev 2017, 21h47 - Publicado em 16 fev 2017, 09h00

O censo escolar levanta ano a ano, escola a escola, dados que ajudam a dimensionar o quanto o Brasil avançou – ou não – na quantidade e na qualidade do ensino. Na edição que o Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), divulga nesta quinta-feira, há um dado que, mesmo tendo jeitão de reprise, deve vir aos holofotes como um aviso de que há algo de muito errado por aqui: a repetência no país continua entre as mais altas do mundo. Trata-se de um indicador inequívoco do baixo nível das escolas brasileiras.

Os números confirmam que o Brasil está ainda muito longe do que propõe o Plano Nacional de Educação: no papel, 95% dos alunos deveriam concluir o ensino fundamental na idade adequada até 2024; na realidade, 23% (quase um de cada quatro estudantes) que cursam o 9º ano em colégio público repetiram pelo menos uma vez ao longo de sua vida escolar. A diferença para as escolas particulares merece ser ressaltada pelo fosso que as separa: na rede privada, 7% tiveram a mesma trajetória.

“O alto índice de alunos repetentes sinaliza que o professor não está ensinando, o aluno não está aprendendo e o Brasil joga dinheiro fora num sistema inoperante”, resume a secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães. Em 2015, a repetência dragou cerca de 30 bilhões de reais dos cofres públicos (está incluído aí o preço de pagar duas vezes pelo mesmo aluno). O economista americano Eric Hanusheck, especialista em derrubar os costumeiros mitos que pairam sobre a sala de aula, costuma dizer: repetir custa caro ao aluno e ao país. E pior ainda, é um ciclo vicioso. Repetência chama repetência. Mas que fique claro: a ideia não é passar todo mundo de ano baixando a régua. Escola boa é aquela que consegue evitar este desfecho sem abrir mão de metas elevadas.

  • Dentre os outros números do censo, vale destacar que a tão propalada universalização da pré-escola, que deveria ter acontecido até o ano passado, não se concretizou. Sim, era o que a lei exigia, mas os números mostram que ficou só no texto mesmo: 600 000 alunos de 4 e 5 anos ainda estão fora da sala de aula. Já está comprovado que quem entra na escola bem cedo, e recebe estímulos apropriados, se beneficiará disso por toda a vida escolar. Na outra ponta, 1,6 milhão de jovens entre 15 e 17 anos – a idade esperada para o ensino médio – não estão estudando. O censo não deixa dúvidas de que é chegada a hora de o Brasil começar a ter, com o perdão do trocadilho, senso (com “s”) de responsabilidade com o futuro.

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