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Conjuntura afetou lucro da Petrobras; ações despencam

RIO DE JANEIRO, 10 Fev (Reuters) – O lucro da Petrobras caiu em 2011 por conta de problemas conjunturais que limitaram a produção e reduziram a capacidade da companhia de investir, e o resultado financeiro afetou fortemente as ações na sessão desta sexta-feira. Na noite de quinta-feira, a Petrobras anunciou lucro líquido de 5,05 bilhões […]

Por Da Redação
10 fev 2012, 14h56
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  • RIO DE JANEIRO, 10 Fev (Reuters) – O lucro da Petrobras caiu em 2011 por conta de problemas conjunturais que limitaram a produção e reduziram a capacidade da companhia de investir, e o resultado financeiro afetou fortemente as ações na sessão desta sexta-feira.

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    Na noite de quinta-feira, a Petrobras anunciou lucro líquido de 5,05 bilhões de reais no quarto trimestre de 2011, queda de 52,4 por cento ante o mesmo período do ano anterior. No ano de 2011, o resultado foi de 33,3 bilhões de reais, 5 por cento inferior ao lucro de 2010.

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    “Os problemas que enfrentamos são conjunturais”, disse nesta sexta-feira a jornalistas José Sergio Gabrielli, presidente da companhia, que está de saída após ter comandado a estatal desde 2005.

    “Estamos definitivamente em um período de transição”, acrescentou ele, em evento de despedida no Rio de Janeiro.

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    Mas o mercado reagiu negativamente. Por volta das 16h00, a ação preferencial quase 7 por cento, enquanto a ordinária perdia mais de 7 por cento. No mesmo instante, o Ibovespa recuava 1,96 por cento.

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    “Nós poderíamos ter tido um 2011 melhor, mas tivemos diversas coisas extraordinárias que impactaram os resultados. Além disso, é basicamente a taxa de câmbio e o preço do petróleo”, completou o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, que deverá permanecer no cargo.

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    A queda nos ganhos foi diretamente influenciada pelo aumento dos custos operacionais e das importações de derivados de petróleo, apesar da alta dos preços da commodity ter aumentado a receita da companhia.

    “Sessenta por cento dos nossos custos de exploração são baseados em dólar”, lembrou Barbassa.

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    Segundo Gabrielli, a companhia atingiu seu limite de capacidade da produção de gasolina, gás, diesel e nafta, o que forçou o aumento das importações, por conta do crescimento da demanda.

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    “Seria impossível prever sob circunstâncias normais que o consumo de combustíveis iria crescer três vezes mais que o PIB”, disse Gabrielli.

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    No caso da gasolina, as importações foram recordes em 2011, chegando a 100 mil barris/dia em uma semana de dezembro, volume que representa quase um quarto de todo o consumo do país.

    “Os resultados do quarto trimestre vieram abaixo de nossas expectativas, particularmente pelos gastos com importação muito maiores”, afirmaram os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes, do Itaú BBA, em relatório. A instituição considerou os números “muito ruins”.

    As importações de gasolina se aceleraram em 2011 após uma forte quebra de safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil, principal região produtora de etanol, combustível que tem forte participação na matriz, mas que muitos motoristas deixaram de usar pelos preços pouco competitivos frente à gasolina, cujo valor é controlado pela Petrobras.

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    Em anos anteriores, a produção do combustível renovável conseguiu atender a demanda, em meio a baixos investimentos em refinarias nos últimos anos, algo que não foi suficiente em 2011, com a alta demanda de combustíveis e a quebra de safra de cana que elevou o preço do etanol.

    Para este ano, a safra de cana deverá ter uma recuperação moderada, segundo especialistas, enquanto a demanda por combustíveis dependerá do PIB, disse o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, nesta sexta-feira.

    Ele indicou que atualmente 85 por cento do mercado está sendo atendido pelo refino nacional, e o restante com importações.

    PRODUÇÃO E EXPLORAÇÃO

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    Além da dificuldade para atender a demanda, o Gabrielli afirmou que a cadeia de fornecimento de equipamentos não se expandiu o suficiente para que a companhia pudesse realizar os devidos investimentos, que ficaram abaixo do esperado em 2011.

    Atrasos nas entregas de sondas foram citados pela Petrobras como um dos problemas para a produção não ter crescido muito no ano passado.

    Segundo Gabrielli, que assumiu a presidência da Petrobras em 2005, os problemas com fornecimento de combustível não serão resolvidos até 2013.

    Na noite de quinta-feira, a estatal divulgou o resultado de uma licitação de sondas que envolverá cerca de 76 bilhões de dólares, com o objetivo de impulsionar a produção no longo prazo.

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    Gabrielli será substituído pela atual diretora de Gás e Energia, Graça Foster, com evento de posse marcado para a próxima segunda-feira.

    Na noite de quinta-feira, a Petrobras também anunciou trocas nas diretorias de Exploração e Produção e de Gás e Energia.

    Para E&P, chega José Formigli Filho e sai Guilherme Estrella. No caso da diretoria de Gás, José Alcides Santoro Martins assumirá no lugar de Maria das Graças Foster, que por sua vez assumirá a presidência da estatal.

    De acordo com Barbassa, a companhia enfrentou um ano muito difícil em produção em 2011, mas aumentou o seu índice de sucesso em exploração.

    O aumento do índice de sucesso foi para 59 por cento em 2011, ante 57 por cento em 2010, disse Barbassa.

    (Reportagem de Jeb Blount, Leila Coimbra e Sabrina Lorenzi)

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