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Samara Joy: quem é a cantora que renovou o jazz – e é fã de Djavan

Prestes a se apresentar no Brasil, a americana traz um sopro de renovação ao gênero graças à voz potente e conexão com a nova geração

Por Amanda Capuano
15 abr 2023, 08h00

Quando Olivia Rodrigo subiu ao palco para anunciar o vencedor da categoria artista revelação do Grammy, em fevereiro, Samara Joy não esperava ouvir seu nome proclamado pela cantora do hit juvenil Drivers License. Aos 23 anos, a nova-iorquina Samara era até então desconhecida por uma parcela considerável da audiência e concorria com atrações de apelo popular inegável, como a brasileira Anitta e a banda italiana Måneskin. Mas foi seu jazz embalado por uma voz potente que levou para casa a cobiçada estatueta. “Fiquei tão descrente que deixei meu celular com o discurso na mesa e tive de improvisar na hora”, contou ela a VEJA — a artista se apresenta no festival C6 Fest, no Rio e em São Paulo, em 19 e 21 de maio.

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Dona de um timbre marcante e técnica vocal apurada, Samara surge como uma renovação bem-vinda em um gênero marcado por cantoras lendárias, impondo a ela comparações inevitáveis com as divas do passado. “É como se Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald vivessem em seu corpo”, descreveu a atriz Regina King, citando duas das maiores representantes do jazz. “No começo, senti a pressão. Hoje, gosto quando dizem que eu lembro Sarah Vaughan, já que ela é uma das minhas inspirações. Mas também fico feliz que reconheçam que tenho minha própria voz”, reflete a cantora, que aponta Betty Carter, Aretha Franklin, Chaka Khan e Beyoncé como outras fontes de influência.

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Nova estrela de uma vertente musical tradicional hoje quase alijada do mainstream, Samara reverencia as figuras históricas da música, mas não deixa de ser fruto de seu tempo: ativa nas redes sociais, ela acumula mais de 4 milhões de visualizações no TikTok, no qual compartilha suas apresentações e vídeos divertidos — como aquele em que reage ao elogio de Regina King. “Tenho um público para o qual posso apresentar e difundir o jazz. A internet ajuda, mas não sem sacrifício”, afirma ela, que sofreu uma onda de ataques on-line de brasileiros depois de bater Anitta no Grammy: “As pessoas têm opiniões. Não presto muita atenção, nem fico ofendida”.

LENDAS - Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan: inspirações às quais ela é comparada
LENDAS - Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan: inspirações às quais ela é comparada (Harry Croner/Brownie Harris/Getty Images)

Nascida no Bronx, em Nova York, Samara é fruto de uma família musical: os avós paternos fundaram o grupo gospel The Savettes, e o pai, baixista, fazia turnês com o cantor Andraé Crouch. “A música estava por toda parte. Gospel, R&B: cresci ouvindo e imitando muitos cantores”, relata ela, que se interessou pelo jazz no ensino médio, quando começou a cantar com a banda do colégio, mas só se decidiu por esse caminho na faculdade. A opção, no entanto, não foi fácil. Escanteado pela indústria musical americana, hoje pautada pelo pop e pelo hip-hop, o jazz acabou virando música de nicho, restrito a iniciados. Para Samara, estar fora do circuito tradicional é um fardo e uma bênção. “É prejudicial para os artistas porque as pessoas não enxergam o gênero como algo popular. Mas também gosto de estar fora do mainstream porque, de certa forma, o estilo se mantém puro. Não é unicamente por dinheiro ou atenção: é sobre a música”, afirma.

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Com dois álbuns lançados, o autointitulado Samara Joy (2021) e Linger Awhile (2022) — esse último vencedor do Grammy de álbum de jazz —, é difícil negar que o ritmo que nasceu na comunidade negra de Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos, seja, de fato, sua casa. Mas a cantora também tem ouvidos para outras melodias: prestes a aterrissar no Brasil, Samara diz estar ensaiando canções em português — e tem uma afeição nacional curiosa. “Eu adoro Djavan”, proclama. A diva do jazz 3.0 é coisa nossa.

Publicado em VEJA de 19 de abril de 2023, edição nº 2837

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