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Do jazz ao punk: 3 documentários que contam saborosas histórias musicais

A vida de Miles Davis, a trajetória do punk e a realização do festival de Águas Claras são retratados em filmes disponíveis nas plataformas de streaming

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 7 abr 2020, 09h30 - Publicado em 7 abr 2020, 09h12

Três documentários lançados recentemente e disponíveis nas plataformas de streaming mesclam boas músicas e histórias da vida de Miles Davis, de artistas do punk e do inacreditável festival de rock de Águas Claras, que ocorreu durante a ditadura militar no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 em Iacanga, no interior de São Paulo, e que contou com a participação de Raul Seixas e João Gilberto. Confira abaixo detalhes das produções e onde assisti-las:

Miles Davis, Inventor do Cool (Netflix)

“A música quase sempre foi uma maldição para mim”. A frase impactante, dita pela voz rouca e titubeante de Miles Davis, abre este documentário que repassa todas as fases da vida do artista que ajudou a popularizar o jazz pelo mundo. Dirigido por Stanley Nelson, o filme segue o ritmo frenético do jazz, com muitas cenas de bastidores e uma profusão de entrevistas com as pessoas que conheceram Miles, morto em 1991. Momentos tensos da vida do artista são escancarados, como o episódio de agressão a ex-mulher Frances Davis, passando pelo consumo de heroína, cocaína, álcool e analgésicos. Há ainda episódios saborosos. Um deles conta como, depois de ficar cinco anos afastado dos palcos, voltou a fazer shows para receber um poupudo cheque. Endividado, sua primeira providência não foi acertar as contas e, sim, comprar uma Ferrari para chegar com estilo até a apresentação. Em outro momento, sem acreditar na quantidade absurda de dinheiro que estava ganhando, confidenciou para um amigo: “É tanto dinheiro que acho que estou roubando as pessoas.”

Punk (Globoplay)

Dividido em quatro episódios de aproximadamente uma hora, a minissérie Punk, produzida por Iggy Pop, conta a história de um dos gêneros musicais mais estigmatizados do século XX. Se a atração peca por não apresentar muitas imagens históricas, ela ganha musculatura com a quantidade absurda de entrevistados (Iggy Pop, John Lydon, Dave Grohl, Debbie Harrys, Chris Stein, Marky Ramone, Jello Biafra, Duff McKagan, Billie Joe Armstrong, Fat Mike, entre outros). A sensação é de que os produtores só não entrevistaram quem já morreu. A série começa pelo punk de Nova York, representado pelos Ramones, passando pelo movimento de Londres, com Sex Pistols e The Clash, chegando até o hardcore do Meio Oeste americano e o surgimento de um punk rock moderno identificado com bandas da Costa Oeste, como Bad Religion, NOFX, Green Day e Offspring. Há ainda menção ao movimento grunge, de Seattle. Para os fãs de punk é um alento perceber que o gênero, embora não tão forte quanto antigamente, ainda continua vivo.

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O Barato de Iacanga (Netflix)

Chamado de “Woodstock brasileiro”, o Festival de Águas Claras, que ocorreu nos anos de 1975, 1981, 1983 e 1984 em Iacanga, no interior de São Paulo, em plena ditadura militar, é retratado neste documentário de 1h30 de duração. O filme entrevista os idealizadores do evento, moradores da cidade e mostra até uma insólita conversa com um agente infiltrado da ditadura que, na época, foi ao local para fazer fotos do público. O festival entrou para a história por reunir mais de 30.000 pessoas em uma fazenda de difícil acesso e sem a menor infraestrutura, com um lineup de artistas de fazer inveja. Em 1983, por exemplo, eles conseguiram o impensável ao escalar Raul Seixas e o recluso João Gilberto. Um dos momentos mais divertidos conta como o pai da Bossa Nova decidiu ir até Iacanga dirigindo o próprio carro (ele não tinha habilitação) e quase causou um acidente por se distrair com o “maravilhoso” som do motor. O Barato e Iacanga retrata como, mesmo durante um período dramático da história, foi possível realizar um dos eventos mais memoráveis da música brasileira.

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