Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

De Menudo a ativista: “Vamos tirar o ódio da nossa vida”, diz Ricky Martin

Dez anos após se revelar homossexual, o cantor lança disco que reflete sua vida em família bem resolvida e abraça causas como a luta pelos direitos LGBTQI+

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 20 jul 2020, 18h49 - Publicado em 17 jul 2020, 06h00

Em julho do ano passado, uma manifestação popular tomou conta de San Juan, a capital de Porto Rico. Ricky Martin, um dos mais ilustres filhos da ilha caribenha, foi para as ruas e, em cima de um caminhão, exigiu a renúncia do governador Ricardo Rosselló, flagrado em diversos casos de corrupção e também proferindo mensagens homofóbicas contra Martin. Deu certo. O político cedeu às pressões e renunciou. Do protesto, surgiu a música Tiburones, em que ele canta em espanhol: “Por você cruzo a Terra e luto com mil leões / Eu faço qualquer coisa por você, nado até com tubarões”. No clipe, gravado antes da pandemia, o cantor está nas ruas, em meio aos manifestantes, brandindo que o amor vai acabar com a violência.

+ Compre livro Eu, biografia de Rick Martin

A faixa se tornou a primeira a ser lançada de seu novo EP, Pausa, disponível em streaming. Quase todas as seis canções foram compostas e produzidas durante o confinamento. Simple, que abre o trabalho, foi gravada em parceria com o britânico Sting, notório artista-ativista. “Ele despertou em mim a necessidade de fazer coisas pelos outros”, afirmou Martin em entrevista por vídeo a VEJA, em português fluente. “Eu disse a Sting que quero ser parte do movimento musical que vai nascer desta pandemia. Brasil, o mundo está vendo o que está bom e o que está ruim. Vai tudo ficar bem.” Quando a pandemia passar, Martin pretende lançar outro EP, Play, com faixas mais animadas.

Longe de ser fabricado, seu ativismo foi moldado a partir das dificuldades que ele enfrentou no preconceituoso mundo artístico em que foi jogado aos 12 anos, quando entrou para a boy ­band Menudo — na qual ficaria até os 17. “Trabalhei e aprendi muito naquela época”, relembra. O preço cobrado pela fama foi alto. Ao encarnar a persona de galã latino, já na carreira-solo, ele precisou esconder a homossexualidade. Foi só aos 38, após ter os filhos gêmeos Valentino e Matteo, que finalmente se assumiu gay (alguns, de forma antagônica, vivem a mentira uma vida inteira). Ao contrário das previsões pessimistas, a atitude não prejudicou sua carreira, e ainda angariou mais fãs. Desde então, Martin criou uma fundação que luta contra a exploração infantil e o tráfico humano. “Todos os problemas estão conectados. Temos de falar do racismo, do tráfico humano, da luta da comunidade LGBTQI+. São bandeiras que carrego comigo”, afirma. “Recebo muitas mensagens de ódio, mas tenho 48 anos e sei o que eu quero. Muitos jovens que ainda estão tentando aceitar sua natureza também são ofendidos. Vamos tirar o ódio da nossa vida.”

+ Compre o livro Rick Martin com Histórias e Fotos

Continua após a publicidade

Há dois anos, ele deu outro passo importante na vida pessoal ao se casar com o artista plástico Jwan Yosef. Foi só recentemente, no entanto, que se sentiu à vontade para divulgar um vídeo em que beijava o marido — com quem tem mais outros dois filhos, Lucía e Renn. “Para muitos, ainda não é normal que um homem beije outro homem. Para mim, é importante normalizar o jeito que eu amo. Quero que o público veja que minha família é amorosa e que nossos filhos estão crescendo em um ambiente saudável”, diz. Em casa, Martin buscou forças para enfrentar o isolamento social. “Foi especial passar esses últimos 110 dias com meus filhos. Eles estão ótimos, bem melhores do que nós”, conta. O mundo também fica melhor com astros tão conscientes e bem resolvidos.

VEJA RECOMENDA | Conheça a lista dos livros mais vendidos da revista e nossas indicações especiais para você.

Publicado em VEJA de 22 de julho de 2020, edição nº 2696

CLIQUE NAS IMAGENS ABAIXO PARA COMPRAR


Eu, biografia de Rick Martin

Rick Martin com Histórias e Fotos

*A Editora Abril tem uma parceria com a Amazon, em que recebe uma porcentagem das vendas feitas por meio de seus sites. Isso não altera, de forma alguma, a avaliação realizada pela VEJA sobre os produtos ou serviços em questão, os quais os preços e estoque referem-se ao momento da publicação deste conteúdo.

Continua após a publicidade

Publicidade