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As razões por trás da volta do Genesis e outras bandas veteranas

O sucesso infalível junto a um público mais velho e endinheirado alimenta a indústria nostálgica das eternas turnês de "volta" de grandes artistas

Por Itaici Brunetti - 5 mar 2020, 12h51

Os fãs da banda Genesis acordaram com uma boa notícia na quarta-feira 4. O clássico grupo de rock progressivo anunciou que retornará aos palcos este ano para sete shows no Reino Unido. A primeira apresentação da The Last Domino? Tour 2020 acontecerá no dia 23 de novembro, em Liverpool, e a última será em 11 de dezembro, em Glasgow. A turnê ainda passará por Newcastle, Londres, Leeds, Birmingham e Manchester.

O vocalista Phil Collins, o tecladista Tony Banks e o baixista Mike Rutherford, integrantes do Genesis, não subiam ao mesmo palco desde 2007, quando se reuniram para a turnê Turn It On Again, em que comemoravam os quarenta anos da banda. Assim como naqueles shows realizados há 13 anos, Peter Gabriel, membro fundador do grupo, se ausentará do reencontro em 2020.

Na turnê, Nicholas Collins, filho de Phil, deverá ajudar o pai com a bateria. Aos 69 anos, o cantor já avisou em entrevistas que não tem mais condições de tocar o instrumento devido a uma lesão na espinha. Quem o assistiu em 2018, quando veio ao Brasil pela primeira vez com sua turnê solo, o viu entrando no palco com a ajuda de uma bengala e fazendo os shows sentado.

Recentemente, vimos reuniões de bandas clássicas que foram – e estão sendo – sucesso absoluto de acúmulo de cifrões em suas contas bancárias. Guns N’ Roses, Black Sabbath, Spice Girls, Jonas Brothers, System of a Down e Rage Against The Machine são exemplos. Também podemos incluir no pacote o The Police, que fez uma turnê em 2007, e até o Queen com Adam Lambert. Grupos cujos integrantes não se falavam há anos. Em alguns casos, eram brigados e nem sequer se olhavam na cara.

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No Brasil, temos um bom exemplo: a turnê Nossa História, de Sandy & Júnior, teve a segunda maior bilheteria mundial por show em 2019, segundo pesquisa divulgada pela Pollstar, empresa especializada no mercado de shows. Cada apresentação dos irmãos brasileiros rendeu bilheteria de US$ 2,26 milhões (cerca de R$ 10,3 milhões na cotação do dólar de hoje), ficando atrás apenas de Elton John. A do Guns N’ Roses ficou em quarto lugar, com US$ 2 milhões (R$ 9,25 milhões).

Com estes dados, fica fácil constatar que dinheiro é, sim um dos principais motivos pelos quais os artistas colocam band-aid em cima de cicatrizes, engolem egos e voltam a se reunir. Isso tudo é impulsionado pela nostalgia, um fator importantíssimo que leva os fãs a lotarem os estádios, seja qual for o preço do ingresso. Até o momento, há pouquíssimos sinais de grupos relevantes que tenham se reunido e passado por situações de fracassos com suas turnês. Talvez o The Who seja um caso à parte: quando veio a São Paulo, em 2017, não conseguiu encher o Allianz Parque. Mas o quadro, via de regra, é sempre o inverso.

Normalmente, fãs de bandas clássicas rondam os 40 anos de idade. Muitos para mais, alcançando até os 50 e 60 anos, outros para menos. A maioria possui empregos fixos e estabilidade financeira. Portanto, arcar com os valores altos dos ingressos para ver seu artista favorito de volta, e de perto, e ainda ouvir canções significativas de suas vidas, não machuca tanto o bolso. É um sacrifício financeiro que vale a pena para vivenciar aquela sensação boa do passado, mesmo que seja por uma hora ou duas apenas. É a nostalgia que vende. Lucro certo.

Não restam dúvidas de que a turnê do Genesis será um sucesso. Ouvir clássicos como Home By The Sea, Invisible Touch, Mama, Follow You Follow Me e In Too Deep com certeza satisfará os fãs que esvaziarão os bolsos para assisti-los. Para os brasileiros, resta torcer e esperar que o grupo inglês dê continuidade à turnê, saia para um giro mundial e passe pela longínqua América do Sul. Enquanto isso, vamos guardando dinheiro.

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