Clique e Assine VEJA por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

A incrível história do quebra-cabeça literário que virou febre no TikTok

Curioso romance criminal dos anos 30 chega ao Brasil desafiando os leitores a decifrar sua trama

Por Amanda Capuano Atualizado em 4 jun 2024, 11h04 - Publicado em 10 dez 2022, 08h00

No início da década de 30, o compilador de palavras cruzadas do jornal inglês The Observer, Edward Powys Mathers — que assinava sob o pseudônimo Torquemada —, escreveu um mistério policial intrincado com seis assassinatos. A história de 100 páginas, batizada de A Mandíbula de Caim, foi impressa em ordem aleatória e publicada como uma espécie de livro-charada em 1934. Apaixonado por enigmas, ele desafiou os leitores a desembaralhar as páginas, vertendo o enredo em um dos quebra-cabeças literários mais difíceis de todos os tempos. “Existe uma ordem inevitável, aquela em que as páginas foram escritas”, alerta na obra original.

A Mandíbula de Caim

A MANDÍBULA DE CAIM, de Torquemada (tradução de Myra Marple; Intrínseca; 216 págs.; 49,90 reais) -
A MANDÍBULA DE CAIM, de Torquemada (tradução de Myra Marple; Intrínseca; 216 págs.; 49,90 reais) – (//Divulgação)

Quase noventa anos depois, o livro virou febre entre usuários do TikTok, e acaba de chegar ao Brasil pela editora Intrínseca. A proposta é a mesma de seu primeiro lançamento: desafiar os leitores a gastar os miolos para decifrar o mistério. A edição brasileira tem as páginas destacáveis e uma folha de respostas que deve ser enviada à editora preenchida pelos corajosos que toparem o desafio. Além da ordem correta das páginas, é preciso elencar quem são as seis vítimas e por quem elas foram mortas. “O gabarito está guardado a sete chaves e com acesso restrito. Os poucos que sabem as respostas tiveram de assinar um acordo de confidencialidade”, explica o editor Lucas Telles.

A tarefa é hercúlea: o número de combinações possíveis é uma cifra inacreditável de 158 dígitos e apenas três pessoas encontraram o arranjo correto neste quase um século. Duas delas em 1934, quando Torquemada lançou o desafio valendo 25 libras. Depois disso, a obra saiu de circulação e quase foi perdida para sempre. Voltou à tona em 2016, quando o museu inglês Laurence Sterne Trust recebeu um exemplar e resgatou a solução. Em 2019, a instituição se aliou à editora independente Unbound e lançou um novo desafio: os proponentes receberam as páginas em uma caixa, e quem entregasse a resposta correta embolsaria 1 000 libras. Doze pessoas tentaram, mas apenas o escritor inglês John Finnemore foi bem-sucedido.

Continua após a publicidade
VIRALIZOU - A americana Sarah Scannell: paredes cheias de páginas -
VIRALIZOU - A americana Sarah Scannell: paredes cheias de páginas // (Tiktok/Reprodução)

Box Sherlock Holmes

A editora manteve o gabarito em segredo e lançou o livro oficialmente em 2021. A história viralizou no fim daquele ano, quando a jovem americana Sarah Scannell postou um vídeo no TikTok tentando solucionar o mistério de modo detetivesco. Desde então, ela compartilha atualizações da empreitada que converteu a parede de seu quarto em um quadro investigativo com páginas para todos os lados. Na rede chinesa, outras centenas de pessoas tentam montar o quebra-­cabeça: a hashtag Cain’s Jawbone já tem mais de 80 milhões de visualizações e a busca pela obra foi tal que a editora teve de lançar nova impressão após os exemplares se esgotarem.

Imortal da Academia Brasileira de Letras, o escritor Marco Lucchesi tenta desvendar a obra desde que foi republicada em inglês. “Esse livro jamais termina. Há quatro anos adentrei a narrativa. Já não consigo, nem pretendo, abandoná-la”, escreve na apresentação da obra. Agora, o desafio está disponível também em português. “Estamos estudando a melhor forma de recompensar quem resolver o enigma”, diz Telles. Haja tutano.

Continua após a publicidade

Publicado em VEJA de 14 de dezembro de 2022, edição nº 2819

CLIQUE NAS IMAGENS ABAIXO PARA COMPRAR

A mandíbula de Caim
A mandíbula de Caim
Box Sherlock Holmes
Box Sherlock Holmes

*A Editora Abril tem uma parceria com a Amazon, em que recebe uma porcentagem das vendas feitas por meio de seus sites. Isso não altera, de forma alguma, a avaliação realizada pela VEJA sobre os produtos ou serviços em questão, os quais os preços e estoque referem-se ao momento da publicação deste conteúdo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 49,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.