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Após arrastões, blocos de Carnaval de SP se unem para pedir segurança

Onde de agressões e tiroteio deixou produtores preocupados

Por João Batista Jr. Atualizado em 20 fev 2020, 19h18 - Publicado em 20 fev 2020, 13h09

As semanas de pré-Carnaval na cidade de São Paulo foram de intensa euforia e bastante público, mas com muitos casos de falta de segurança. O mais conhecido foi o tiroteio na região da Avenida Luís Carlos Berrini, quando um policial reagiu à tentativa de assalto. Não parou por aí. No centro da cidade, jovens fizeram arrastões, alguns dando murros e pontapés em foliões para tomar celulares e carteiras. Pochetes foram arrancadas das cinturas e pescoços de quem queria apenas se divertir. A crueldade deixou organizadores e foliões em pânico. O bloco Desculpa Qualquer Coisa se manifestou pelo Instagram: “Apesar de ter sido maravilhoso ver aquela galera toda presente, o que assistimos foi sem precedentes em termos de violência e agressividade. Para além dos furtos, o que vimos foram mulheres absurdamente assediadas, pessoas agredidas por grupos inteiros; paramos o som de música em música, tentando conter as inúmeras brigas que aconteceram e infelizmente, não pudemos garantir a paz, tranquilidade e o espaço seguro que o bloco se propõe a ser para o público LGBTQIA+ e principalmente as mulheres.”

Diante desse cenário, diversos blocos se uniram para escrever uma carta endereçada ao prefeito Bruno Covas. O objetivo: cobrar segurança e saber detalhes de como será o esquema para o Carnaval. A expectativa da prefeitura é de que cidade receba 15 milhões de pessoas. Os produtores envolvidos reclamam de não haver informações sobre número do efetivo disponível nem de estratégias a serem tomadas em caso de arrastões.

A CARTA 

Devido aos inúmeros casos de arrastão, furtos, roubos e violência vividos no pré-carnaval de São Paulo, nós fundadores de blocos carnavalescos de rua de São Paulo vimos através desta carta aberta expressar profunda preocupação com a segurança da população diante de um evento de tamanha relevância cultural e econômica na cidade. É fundamental que exista segurança pública proporcional ao tamanho do carnaval ou as pessoas deixarão de frequentá-lo, por medo. Para nós, que construímos essa experiência gratuita e aberta a todos na cidade, é de extrema importância que os órgãos responsáveis se comprometam a reavaliar suas estratégias e redobrar seus esforços para garantir o bem estar dos foliões, ou o esforço para construir tudo isso de nada vale. Sem a população segura o carnaval não acontece. Entendemos o crescimento exponencial desse evento nos últimos anos mas achamos imprescindível dar uma atenção especial a esta questão. Na mesma medida em que de nós, produtores de blocos, são cobrados planos de segurança muitas vezes alheios à nossa capacidade operacional, pedimos aos órgãos competentes esclarecimentos acerca de pontos de extrema importância, tais como: efetivo total alocado durante o carnaval, por região; o plano geral de segurança pública para o evento; as atividades realizadas durante o carnaval, com interação entre equipes dos blocos e forças policiais, especialmente nas torres de monitoramento e nas operações do COPOM; o número de ocorrências e medidas sendo tomadas. Solicitamos encarecidamente uma resposta pública ao nosso pedido.

Assinam a carta 154 blocos, como Tarado Ni Você, Confraria do Pasmado, Gambiarra, Chá da Alie, Do Pedal e Xaranga da Pompeia.

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A resposta de PM

Na noite desta quinta 20, o coronel Marcelo Vieira Salles, comandante geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, enviou uma carta na qual comenta a ação:

“(…) O Carnaval de rua na cidade de São Paulo vem crescendo ano a ano, seja em relação à quantidade de blocos e de público, seja em relação à estrutura providenciada pelo poder público e por organizadores privados.

Com relação à segurança, não é diferente. Neste ano, está sendo empregado o maior contingente de segurança da história. A Polícia Militar, por exemplo, está utilizando sua força máxima nos eventos, empregando todo o contingente policial, além de tecnologia de ponta e planejamento minuciosamente preparado. Para que se tenha uma ideia, foram realizadas, desde setembro, 40 reuniões entre organizadores e representantes do poder público, objetivando mitigar potenciais riscos em todas as áreas, em especial à segurança pública.

Os números falam por si. De acordo com a estimativa de público passada pelos próprios organizadores (por exemplo, no domingo, dia 16, tivemos um público estimado de 1.347.450 foliões), o efetivo da Polícia Militar empregado (8.324 policiais militares na Capital), adicionado do contingente empregado pela GCM, Polícia Civil e Polícia Técnico Científica, corresponde a 1 agente de segurança para 149 foliões nas ruas. Neste cálculo não contabilizamos a segurança privada que cada bloco contratou (ou deveria tê-lo feito, afinal é uma obrigação). Destacamos, ainda, o emprego de drones, câmeras do sistema Olho de Águia e aeronaves para o monitoramento dos eventos. As prisões e apreensões realizadas demonstram que a estrutura de segurança foi empregada adequadamente, diante da complexidade do evento.

(…) Para os próximos dias e, evidentemente, próximos anos, novos avanços permitirão uma festa ainda melhor. Por isso, ao invés de se buscar transferir problemas e responsabilidades para outras esferas, necessitamos encontrar, juntos, oportunidades de melhoria, bem como executar com excelência, cada um, a sua própria missão. (…)”

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