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À frente do Yayá, chef carioca explica a ideia de cozinha ‘Pretopolita’

Restaurante na Zona Sul carioca é definido como um 'quilombo urbano'

Por Giovanna Fraguito 14 mar 2026, 13h00 •
  • A chef Andressa Cabral, filha de Oyá e criada no Rio de Janeiro, transformou o Yayá Comidaria Pop Brasileira (@yayacomidaria), no Leme, Zona Sul da cidade, em um espaço que vai além da gastronomia. Definido como um “quilombo urbano”, o restaurante homenageia as baianas de tabuleiro e serve de palco para a chamada cozinha “Pretopolita”, conceito autoral que mistura raízes afrocentradas e olhar cosmopolita. Com formação na Alain Ducasse Formation e passagens pela TV — incluindo apresentação do Iron Chef Brasil, da Netflix —, Andressa falou à coluna GENTE sobre identidade, resistência no mercado e o papel político de cozinhar.

    O que significa definir sua cozinha autoral como “Pretopolita”? Cozinha Pretopolita é um termo que eu criei há pouco mais de uma década para designar a minha produção, justamente porque é uma fusão de dois termos: Pretopolita é a mistura de pretocentrada com cosmopolita. A minha cozinha autoral reflete muito da minha vivência pessoal, da minha história. Então, ela nasce e se finca, prende suas raízes, num chão pretocentrado. Tudo que faço, primeiro lembro de onde venho. E ela é cosmopolita porque ela tem uma visão numa janela do mundo. Estou aqui com as asas para voar no mundo.

    Já houve resistência do mercado a essa afirmação estética e conceitual da sua cozinha? Sempre houve certa resistência do mercado à minha afirmação estética e conceitual, mas muito mais num lugar de se fazer de desentendido. É como se, em todos esses anos, a cada vez que as pessoas falavam isso para mim, precisava voltar e elaborar melhor minhas explicações. Por exemplo, quando uma pessoa com história europeia abre um botequim, o mercado entende. Existem malabarismos retóricos que justificam trajetórias que são também não lineares, mas as vezes podem ser absurdas — diferente da minha. É um alegado “entendimento de mercado” maior mas que, para mim, evidencia uma seletividade, uma preguiça, que só atinge determinadas figuras.

    Em que momento você percebeu que cozinhar também seria um ato de posicionamento cultural e político? Quando decidi cozinhar como profissão. Porque eu já entendo o meu corpo como um corpo político e os meus atos como atos políticos desde sempre. E quando decidi seguir profissionalmente na gastronomia, precisei lidar nessa linha de tiro, ou seja, com uma atribuição meramente braçal dada a cozinheiros que se parecem comigo, enquanto para pessoas que não se parecem comigo, mas que fazem coisas parecidas com as que eu faço, os elementos atribuídos são de intelectualidade e glamour. Então, existem pesos diferentes a depender de quem executa a gastronomia. Isso é totalmente político e isso aconteceu comigo desde o dia zero, que foi o dia da minha escolha pela gastronomia como campo de atuação profissional.

    O futuro da cozinha brasileira passa mais pela inovação ou pelo resgate? Não tem inovação nem futuro sem olhar para o passado. Para mim, que venho da matriz africana, não se trata de um ou outro, ou seja, só existe futuro se o passado for valorizado e respeitado. Só existe futuro se a gente entender e observar no passado os erros que não queremos manter, se a gente consolidar um presente mais digno e mais respeitoso. Aí sim conseguimos construir novas narrativas que podem passar ou não pela inovação. Resgatando ou não, não vou saber, mas olhar e respeitar o passado, deixar lá o que é para ficar, e trazer conosco, de maneira respeitosa, o que pode ajudar a construir o futuro é o caminho da gastronomia e de qualquer outra profissão.

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