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Abin: Governo Lula não entende o momento e parte para o deboche

A Secom precisa entender melhor como funcionam as redes sociais

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
30 jan 2024, 10h42

Desde o fim da ditadura, nunca alguém atacou tanto a institucionalidade brasileira quanto Jair Bolsonaro.

De todos os ataques, o mais grave até agora foi usar a Abin, subordinada à Presidência da República, para espionar ilegalmente cidadãos brasileiros no intuito de cumprir os desígnios pessoais, e ilícitos, do próprio presidente. É aterrador.

Esperava-se que a própria institucionalidade reagisse com a compostura e a seriedade que um momento tão grave e exige.

Lamentavelmente, não foi o que se viu.

O governo Lula usou o ocorrido para fazer gozação.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República anunciou, no X, o começo do pagamento do novo valor salário mínimo como um “grande dia”, referência debochada a um dos bordões usados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Em outro tweet oficial, a Secom insistiu no deboche e falou da visita de agentes de saúde no combate à dengue usando a onomatopeia “toc, toc, toc”, rotineiramente usada quando se fala de batidas policiais.

A atitude da Secom foi recebida com fortes críticas.

Depois de uma derrapada dessas, seria de se esperar que a Secom se desculpasse ou, no mínimo, cumprisse um período de contrição. De novo, não foi o que se viu. O ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, respondeu às críticas por seu próprio perfil.

“É difícil para quem raciocina em uma linguagem analógica tradicional entender o papel dos algoritmos nas ‘janelas de oportunidades e fluxos’ que a comunicação digital precisar considerar”, explicou, professoral. “É como se tivesse um trem em alta velocidade passando. Se eu ficar na frente sou atropelado. Se eu embarco junto, viajo na velocidade do trem, e levo junto a minha mensagem.”

O governo Lula é famoso por não entender como funcionam as redes (e dar, com frequência e de mão beijada, munição para o bolsonarismo).

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Está claro que continua não entendendo. Primeiro, evidentemente, não se pode tratar usa um crime tão grave contra a República com essa leveza, nem muito menos usá-lo como carona para viralizar outra coisa. Além disso, as redes não servem só para viralizar: elas servem também para marcar posição em assuntos importantes.

Por fim, ao tratar o assunto de maneira sarcástica, o governo dá a impressão de que o que Bolsonaro fez não é lá tão grave assim — e sugere que a ação da Polícia Federal é uma perseguição contra o ex-presidente. O que, aliás, é exatamente o que a narrativa bolsonarista repete.

Pimenta mostrou que continua não entendendo as redes, só que agora com a arrogância de quem acha que entende. O que é ainda mais perigoso para a comunicação do governo. 

(Por Ricardo Rangel em 30/01/2024)

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