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No Egito, Lula deve ter conversa dura com aliado

O senador Renan Calheiros está na COP27 e tem feito críticas à PEC da transição e aproximação com Arthur Lira e o Centrão

Por Gustavo Maia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 nov 2022, 10h30
No Egito, Lula deve ter conversa dura com aliado Priorize VEJA no Google

No Egito desde a madrugada desta terça-feira (no horário local), Lula terá uma agenda cheia na COP27 até esta quinta, que inclui reuniões com líderes mundiais como o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o enviado especial dos Estados Unidos para o clima, John Kerry. Mas o evento também conta com a presença de diversos políticos brasileiros, entre eles Rodrigo Pacheco e Renan Calheiros.

Quando encontrar o senador alagoano do MDB, integrante do Conselho Político da transição, o presidente eleito deverá ter com o aliado uma conversa dura sobre os planos da sua equipe para garantir o pagamento do Bolsa Família de 600 reais a partir do ano que vem por meio de uma PEC e a passagem do petista por Brasília na semana passada, quando ele se comprometeu com a proposta durante reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira — desafeto de Calheiros em Alagoas.

Nas últimas semanas, Calheiros vem defendendo arquitetar uma “frente ampla” de partidos de centro que dê sustentação ao governo Lula no Congresso, alternativa ao Centrão capitaneado por Lira. Pelas suas contas, seria possível somar 51 senadores e 312 deputados. “É um formato de governabilidade que isolaria os setores que flertaram com o fascismo. Não faz sentido, logo depois da eleição, fazer uma PEC e entregar a Arthur Lira”, diz o senador.

No fim de semana, ele se manifestou pelas redes sociais e afirmou que “aliança com o Centrão apavora porque sinaliza descompromisso na política fiscal, imprevisibilidade e vai na contramão das urnas”. “Há caminhos alternativos através de MPs, créditos extraordinários e no próprio Orçamento. Sem falar na eleição para presidência da CD [Câmara dos Deputados] que impedirá a punição de criminosos”, escreveu, acrescentando que seria “prudente” indicar coordenadores na transição para economia, política e defesa.

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Um interlocutor de Renan Calheiros disser ao Radar ter certeza que o senador vai aproveitar a oportunidade no Egito para alertar Lula sobre todo o cenário político, mas que não vai virar oposição caso o presidente eleito não tenha condições de descartar Lira.

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