A indireta de Pacheco a Rogério Marinho durante discurso no STF
Leia o pronunciamento do presidente do Senado na sessão de abertura do ano judiciário
Em um discurso de pouco mais de cinco minutos na sessão de abertura do ano judiciário, no plenário do STF, o presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), relembrou os “ataques criminosos” do dia 8 de janeiro, que classificou um “episódio de ofensa à democracia” e disse os Poderes da República resistiram ao autoritarismo.
Para Pacheco, que vai disputar a reeleição na tarde desta quarta-feira, o Estado Democrático de Direito saiu mais forte após os atos promovidos por bolsonaristas golpistas nas sedes do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo.
O senador mineiro fez questão de reafirmar sua consideração ao Poder Judiciário, “sobretudo no alto da cadeira da presidência do Congresso Nacional”, e se colocou como fiador da estabilidade institucional.
“As ameaças de subversão não encontram eco em mim. No Congresso, tenho primado pela serenidade e pelo equilíbrio na condução dos trabalhos e na condução dessa relação com os demais Poderes”, declarou, em uma indireta que serviu como contraponto a uma das principais bandeiras de Rogério Marinho, seu maior adversário na eleição para o comando do Senado, que tem feito reiteradas críticas à atuação do STF.
Leia a íntegra do pronunciamento a seguir:
Eu agradeço penhoradamente à presidente Rosa Weber pela oportunidade de compartilhar breves palavras ao representar o Congresso Nacional nesta ocasião tão importante para os trabalhos do Poder Judiciário, mas sobretudo para a harmonia das instituições e dos Poderes da República.
Esse encontro se torna ainda mais significante com a reabertura deste Plenário menos de um mês após ataques criminosos, num episódio de ofensa à democracia que ficará marcado na história do Brasil.
Este prédio foi devassado, obras importantes foram destruídas, roubadas. O patrimônio de todos os brasileiros foi violentado. O autoritarismo de uma minoria inconformada e hostil buscou nos ameaçar e tomar de assalto a democracia. Não conseguiram. Os Poderes da República resistiram. O Poder Judiciário mostrou a força de sua resiliência. Não irá vergar com intimidações. A República Brasileira demonstrou a sua importância, e que prevalecerá, presidente Lula, presidente Rosa Weber.
Estarmos reunidos aqui, neste plenário, na sessão de abertura do Ano do Judiciário, é a expressão da vitalidade do Estado Democrático de Direito, que sai ainda mais forte após esse episódio reprovável, que será superado, mas jamais esquecido, e produzirá consequências severas a todos os seus responsáveis.
O Poder Judiciário é o guardião da Constituição Federal, dos direitos, das instituições e, também como nós do Congresso Nacional, da democracia. Cabe ao Poder Judiciário efetivar ao cidadão a concretização do exercício dos direitos fundamentais. Como enunciou o grande jurista, patrono da advocacia e notável senador da República, cujo busto também no plenário do Senado Federal foi preservado, mas aqui, não, e a cicatriz será o símbolo deste hostil 8 de janeiro, para que não nos esqueçamos dele, dizia Rui Barbosa: “A democracia depende da confiança na Justiça. Todo o bem, de que vive um povo civilizado, resume-se neste elemento de confiança a que se chama Justiça”.
Todos conhecem a minha consideração ao Poder Judiciário, e a tenho, sobretudo no alto da cadeira da presidência do Congresso Nacional, para proporcionar a estabilidade institucional. As ameaças de subversão não encontram eco em mim. No Congresso, tenho primado pela serenidade e pelo equilíbrio na condução dos trabalhos e na condução dessa relação com os demais Poderes.
Cada Poder da República tem seu papel. O Judiciário julga aquilo que é de sua competência e busca o equilíbrio na aplicação da lei. O Executivo governa o país. O Legislativo estabelece as regras de convivência social. As atribuições distintas e a independência de cada um desses Poderes representam os alicerces da democracia. E a convivência harmoniosa entre eles representa o seu esteio.
Eu verdadeiramente acredito no diálogo, no respeito e na moderação, pois isso é a base para enfrentarmos os enormes desafios do Brasil. Por isso, nós estamos aqui. Estamos do mesmo lado, o lado do povo brasileiro. Temos obrigação constitucional de convivermos em harmonia. Qualquer gesto que vise à desarmonia entre os Poderes da República afronta a Constituição.
Pelo Congresso Nacional e em nome do Parlamento brasileiro, desejo ao Poder Judiciário um excelente ano de trabalho, e contem com o apoio do Legislativo brasileiro para que exerçam sua missão constitucional com liberdade, autonomia e estrita observância da lei.
Muito obrigado.







