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Por Renato Meirelles
Renato Meirelles é pai da Helena, acredita que a Terra é redonda, está à frente do Instituto Locomotiva e, neste espaço, interpreta os números muito além da planilha Excel
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A hora de olhar para o varejo de vizinhança

Pesquisa mostra raio-X de estabelecimentos que ajudam a formar o imaginário social nas cidades e demandam atenção especial

Por Renato Meirelles Atualizado em 13 Maio 2024, 21h02 - Publicado em 20 set 2023, 14h52

Todo mundo que cresceu em uma cidade provavelmente tem em sua memória algum mercadinho de bairro. Aquela loja que vende um pouco de todos os tipos de miudezas e comidas, de um proprietário ou proprietária geralmente conhecido na vizinhança e que é essencial para abastecer a comunidade local. Seja na capital ou no interior, os pequenos comércios familiares são uma realidade que resiste em milhares de municípios pelo país e dizem muito da economia e construção dos laços sociais no meio urbano.

Foi para compreender esse segmento que se faz presente no dia a dia de milhões de brasileiros que o Instituto Locomotiva realizou uma pesquisa inédita em parceria com o Compra Agora, plataforma pioneira em B2B do Brasil focada no varejista brasileiro, para compreender a realidade desses pequenos comerciantes, seus receios, angústias e perspectivas para o país.

Os resultados trazem dados animadores e um panorama dos problemas destes empreendedores que o setor público e o mercado precisam ficar atentos. Nada menos que 88% desses varejistas estão otimistas e acreditam que o desempenho do seu comércio vai melhorar nos próximos 12 meses.

Em relação ao ano passado, 75% avaliam que o negócio teve um bom desempenho, 21% afirmam que ficou igual e 4%, que piorou. Quando os dados de percepção são cruzados com o de expectativa, a maioria segue confiante, com 72% afirmando que o negócio melhorou e vai melhorar. Na outra ponta, somente 8% afirmam que a situação não melhorou e vai piorar. Entre os mais jovens de 18 a 29 anos, o otimismo é maior ainda, 82% acreditam que o negócio melhorou e vai melhorar.

Apesar das sinalizações positivas da pesquisa, o cenário para esses pequenos empresários está longe de ser tranquilo. 9 em cada 10 afirmam ter sempre uma preocupação tirando seu sono. Entre os temas mais citados estão as despesas (18%), gestão financeira (15%), concorrência (10%), precificação (7%), expansão (6%) e acesso a crédito (6%).

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Questionados sobre os desafios financeiros, quase todos (98%) dos empreendedores reconhecem dificuldades. Entre as dificuldades financeiras mais citadas pelos entrevistados estão investir os ganhos no próprio negócio por conta própria (40%), separar as despesas do negócio das despesas pessoais (38%), precificar os produtos de forma adequada (37%) e conseguir crédito e empréstimo (36%).

Em outras palavras, são desafios que indicam quais são os medos, perspectivas e desejos desses empreendedores em relação ao negócio. Entender isso é crucial para que esse empreendedor deixe de ser apenas uma linha na planilha de CNPJs e se transforme em uma pessoa com desejos e inseguranças. Mais do que isso, os dados apontam que capacitação e crédito estão entre as principais demandas dos pequenos varejistas e são fundamentais para a sustentabilidade e crescimento desses negócios. O que indica o caminho para se pensar políticas públicas e melhorias do ambiente de negócios que poderiam envolver também o setor privado. Apostar na profissionalização destes empreendedores e conceder acesso a crédito levando em conta essa realidade é um caminho que esse colunista entende ser crucial.

Para além de memórias afetivas e laços sociais locais, pensar no futuro destes pequenos empreendedores é pensar no futuro de pais e mães de família que, ao fim do dia, estão buscando seu sustento e gerando valor para negócios que formam um traço da identidade de nossas cidades e até mesmo de nosso país. E isso, não é pouca coisa.

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