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Pé na estrada

Por André Sollitto
Viagens de carro para quem ama o caminho tanto quanto o destino
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A experiência na estrada com o maior ícone esportivo alemão

Produzido de forma ininterrupta há 60 anos, o Porsche 911 é um carro de alto desempenho que brilha nas rodovias, mas enfrenta perrengue na cidade

Por André Sollitto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 9 Maio 2024, 10h18 - Publicado em 16 fev 2024, 11h00

Entre os grandes carros esportivos, há um punhado de nomes importantes, que têm uma rica história, causaram impacto quando foram lançados e se transformaram em ícones culturais. Ou seja, daqueles que até quem não liga muito para o automobilismo conhece. Nenhum, no entanto, é produzido há tanto tempo, e de forma ininterrupta, quanto o Porsche 911. Em 2023, o modelo completou 60 anos de fabricação contínua. Teve gerações diferentes e é vendido em uma grande variedade de opções, de conversíveis ao modelo Dakar, voltado para o off road. Todas têm charme, elegância e potência de sobra.

Não à toa, ter um desse na garagem é motivo de orgulho. Pelo preço, claro – um 911 Carrera, o mais básico da linha, custa R$ 835 mil, sem nenhum opcional. Mas também pelo design atemporal, que sofreu modificações ao longo das décadas, sem dúvida, mas manteve características próprias, como o desenho coupé, com o para-brisa inclinado, o teto que cai de forma fluida em direção à traseira e as lanternas arredondadas. E pelo prazer de dirigir que ele oferece.

Antes da experiência, um pouco de contexto. Dentro da família 911 há algumas diferenças entre os modelos. Atualmente, a linha está na oitava geração, lançada oficialmente em 2019. O 911 Carreta GTS que testamos é uma versão intermediária, de uso mais variado. Há o já citado Dakar, com vão livre do solo mais alto, pneus de uso misto e reforço na base, para encarar terrenos acidentados em alta velocidade. Há os modelos conversíveis, Cabriolet, ou os Targa, uma espécie de intermediário entre os conversíveis e os coupés. Há ainda o GT3, versão voltada para as pistas, a mais agressiva e esportiva de todas. Tem para todos os gostos.

De volta ao Carrera GTS que testamos, a experiência começa já na hora de entrar no carro, em que é preciso sentar a poucos centímetros do chão – são apenas 132 mm. Basta acionar a ignição, do lado esquerdo do volante, para dar vida ao motor 3.0 biturbo de seis cilindros, com 480 cavalos e 58,1 kgfm de torque, capaz de atingir os 100 km/h em 3,4 segundos. O ronco dos escapamentos é alto e empolgante. Impossível não ficar com vontade de sair por aí. E o 911 Carrera GTS é considerado o mais versátil da linha, capaz de servir a uma família de quatro pessoas. Mas na hora de engatar a ré e sair da garagem, os avisos sonoros começam a apitar alucinadamente. Até a pequena rampa de acesso representa um problema e tirar o carro sem raspar a dianteira ou a traseira requer habilidade e muito cuidado.

E essa é a experiência de dirigir o Porsche 911 em São Paulo: um vai e vem constante entre a absoluta animação e as frustrações que a cidade impõe. Nas abundantes valetas e lombadas é necessário reduzir muito a velocidade e tomar cuidado. Mesmo assim, é quase impossível não dar aquela raspadinha em obstaculos piores. Logo no primeiro passeio, encaramos um trânsito intenso sob chuva pesada na Marginal Pinheiros. A velocidade mais alta alcançada foi de 30 km/h – um décimo dos 311 km/h de velocidade máxima. Em dado momento, olho para o lado e há um Ford Mustang na mesma situação. Carros feitos para o alto desempenho presos no tráfego. É até cômico.

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Apesar das limitações, ele é gostoso de dirigir na cidade. No modo de condução normal ele é até comportado, com o acelerador respondendo de forma suave à pressão. Mantendo o pé leve, ele é mais dócil. A direção é naturalmente mais firme, por conta de sua pegada esportiva, e a suspensão faz com que os ocupantes sintam mais as irregularidades do solo. Mas o porta-malas dianteiro de 132 litros até que comporta algumas coisas – serviu para levar compras feitas tranquilamente. E dá, sim, para levar dois adultos atrás. Vão todos um pouco mais apertados, sem dúvida, e o trajeto pode ser desconfortável para quem tiver mais de 1,80m. Mas todos podem curtir o passeio. O interior é luxuoso, com acabamento em camurça e atenção aos detalhes. Embora usá-lo nas atividades do dia a dia não seja uma decisão racional, é possível.

É na estrada, no entanto, que ele realmente brilha. Aproveitamos a oportunidade para fazer um bate e volta até a região de Itu, uma viagem de cerca de 150 quilômetros. E o carro mostrou a que veio. Basta pisar mais forte para que o ronco da aceleração invada a cabine, engolindo a música do som. Mesmo a 120 km/h, no limite da rodovia, seu poder é impressionante. Ultrapassagens são feitas de forma suave, e a sensação de segurança em curvas é enorme. Até o consumo é razoável: quase 9 km por litro. Tem SUVs que consomem bem mais e andam bem menos.

Ele também chama a atenção por onde passa. No trânsito, os outros motoristas dão passagem – talvez por medo de ralar um carro tão caro, ou para ter uma visão melhor de seu design. Nas ruas, muitos viram a cabeça para acompanhar a aceleração. E basta estacioná-lo para ver as pessoas se aproximando para dar uma olhada de perto ou até tirar uma foto. Impossível andar por aí discretamente. E nem é a intenção de quem compra um deles.

Com o 911, o destino é bem menos importante que o trajeto. O barato mesmo é conduzir esse clássico absoluto. A experiência ao volante é extremamente satisfatória, e dá para dirigi-lo por horas curtindo cada momento. Não é à toa que ele é tão desejado há tanto tempo. Pode não ser o carro mais prático do mundo, mas isso é irrelevante. O que vale é diversão da pilotagem.

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