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O Som e a Fúria Por Felipe Branco Cruz Pop, rock, jazz, black music ou MPB: tudo o que for notícia no mundo da música está na mira deste blog, para o bem ou para o mal

O último adeus de George Michael pauta documentário intimista

Na produção autobiográfica, cantor lamenta o insuportável peso da fama e da luta contra a depressão após a morte do namorado

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 22 jun 2022, 23h13 - Publicado em 19 jun 2022, 08h00

Em 1991, aos 27 anos, George Michael era um dos artistas mais famosos do mundo quando aceitou o convite para cantar na segunda edição do Rock in Rio, no Maracanã. Além da expectativa de se apresentar para quase 200 000 pessoas, o cantor experimentava fortes emoções nos bastidores. Na época, conheceu o estilista brasileiro Anselmo Feleppa e a química entre eles foi arrebatadora. Naqueles tempos, o músico era um sex symbol que arrancava suspiros femininos por onde passava, mas estava profundamente infeliz em esconder sua orientação sexual e com as proporções avassaladoras que a fama havia atingido. “Foi a primeira vez que eu senti que poderia amar alguém. É muito difícil ter orgulho da sua própria sexualidade quando ela não lhe traz nenhuma alegria. Quando é associada à alegria e ao amor, é fácil ter orgulho dela”, diria ele anos mais tarde, referindo-se a Feleppa. A tal felicidade, no entanto, se mostraria trágica e efêmera. Três meses após engatar o namoro, o brasileiro seria diagnosticado com aids e em 1993 morreria em decorrência da doença. O efeito no músico britânico, que ainda não havia assumido sua homossexualidade, foi devastador e ele jamais se recuperaria do baque até morrer, de insuficiência cardíaca, aos 53 anos, em 25 de dezembro de 2016.

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Poucos meses antes daquele fatídico Natal, George Michael estava trabalhando em um documentário autobiográfico no qual rememorava o romance e fazia um sincero e emotivo desabafo sobre a vida pessoal. Na próxima quarta-feira, 22, seis anos após a sua morte, o filme, intitulado George Michael Freedom Uncut, será finalmente exibido na íntegra nos cinemas, inclusive no Brasil. Dirigido em parceria com o amigo de infância e também músico David Austin, o longa é narrado pelo próprio cantor e traz depoimentos de gigantes como Stevie Wonder, Elton John, Nile Rogers e Tony Bennett. “Esse filme se tornou sua obra final”, disse Austin a VEJA.

ROMANCE - George Michael com Anselmo Feleppa: morte após HIV -
ROMANCE - George Michael com Anselmo Feleppa: morte após HIV – ./Reprodução

Os efeitos positivos e nocivos da fama permeiam toda a obra. Ao lembrar de seus primeiros anos de carreira, na década de 80, quando estourou com a música Wake Me Up Before You Go-Go, no duo Wham!, Michael conta que um de seus maiores desejos era ser reconhecido na rua. Em carreira solo, após lançar os álbuns arrasa-quarteirões Faith (1987) e Listen without Prejudice Vol. 1 (1990), a fama, contudo, tomaria proporções inimagináveis. Um ano antes de conhecer Feleppa, o músico já havia desabafado em uma entrevista dizendo que estava desiludido com o circo em que sua vida havia se transformado. O fato lhe rendeu até uma carta de Frank Sinatra na qual o crooner o aconselhava a não desistir. “Talento não deve ser desperdiçado. Confie em mim, eu estive lá.”

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Três anos após a morte de Feleppa, Michael lançaria Older, o disco mais triste e introspectivo da carreira, em que a faixa de abertura, Jesus to a Child, havia sido inspirada no brasileiro. O álbum, contudo, não teve o mesmo sucesso dos anteriores e canções como You Have Been Loved e Star People, em que ele cantava seu desprezo pela fama, indicavam que algo não ia bem com sua saúde mental. O momento mais emblemático do documentário, no entanto, é quando Michael relembra o episódio mais infame de sua biografia: a prisão em 1998, em um banheiro público de Beverly Hills, após tentar praticar sexo oral em um policial à paisana. Naquela época, ele já era um astro com cerca de 100 milhões de álbuns vendidos e, embora todo mundo suspeitasse de sua sexualidade, publicamente ele a negava.

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A partir dali, Michael saiu de vez do armário e acabou se reinventando como um ícone gay. Músicas como Freedom! ‘90 (Liberdade! ‘90, em português), em que ele cantava que queria ser reconhecido pela arte e não por seu rosto bonito, adquiririam outra conotação. Nos anos seguintes, o cantor tentou passar uma imagem pública de normalidade, inclusive com um longo casamento de treze anos com o empresário Kenny Gross, de quem se separou em 2009. Mas, na intimidade, como mostra o documentário, algo do brilho do astro já havia se perdido para sempre.

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“Ele parou de se esconder”
David Austin compôs várias músicas com George Michael e conta como foi produzir e dirigir o documentário.

DIRETOR - David Austin: um dos melhores amigos do músico -
DIRETOR - David Austin: um dos melhores amigos do músico – Dave Benett/WireImage/Getty Images

Como surgiu o projeto? Era para ser sobre os bastidores do álbum Listen without Prejudice Vol. 1 e sobre uma disputa judicial com a Sony, mas percebemos que poderia ser maior. George era muito reservado e não dava entrevistas. Ele foi incrivelmente honesto e mostrou um lado que os fãs não conheciam.

O Brasil é uma parte importante da biografia dele. Como o país o influenciou? Ele ouvia muito o álbum de João Gilberto e Stan Getz, gostava de Maria Bethânia e gravou Desafinado com Astrud Gilberto. Michael visitou o Brasil diversas vezes e comprou um apartamento com Anselmo no Rio de Janeiro. Foi um casamento completo.

O que mudou após o episódio da prisão por tentar fazer sexo oral em um policial? Ele dizia que não tinha nada do que se envergonhar e deu a volta por cima. Parou de se esconder atrás das cortinas.

Publicado em VEJA de 22 de junho de 2022, edição nº 2794

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