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O Som e a Fúria Por Felipe Branco Cruz Pop, rock, jazz, black music ou MPB: tudo o que for notícia no mundo da música está na mira deste blog, para o bem ou para o mal

Como é o álbum de Gilberto Gil perdido há 40 anos

Disco revelado pelo projeto Google Arts & Culture transita entre o reggae e o pop, mas não havia sido lançado por um motivo curioso

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 16 jun 2022, 09h03 - Publicado em 15 jun 2022, 17h32

Em 1982, Gilberto Gil e a esposa, Flora, viajaram para os Estados Unidos para uma temporada de dois meses. A ideia era aproveitar a estadia para gravar um álbum em inglês vislumbrando uma futura carreira internacional. Em Nova York, Gil gravou nove canções no Rosebud Recording Studio, mas o resultado não agradou ao músico. “Lembro de ter achado que faltavam coisas e sobravam coisas naquele disco. Talvez tenha me incomodado a maneira de produzir muito pragmática. Acho que faltou brasilidade”, disse Gil.

De volta ao país, Gil nunca mais teve notícias daquelas gravações, e o álbum — que nem chegou a ganhar um título — ficou esquecido. Nesta terça-feira, 14, no entanto, após quase 40 anos perdido, o trabalho foi finalmente revelado ao público por meio do projeto O Ritmo de Gil, do Google Arts & Culture. Além do álbum, o site também servirá como fonte de pesquisa sobre a vida do músico, com 41.000 imagens e documentos e 900 vídeos e gravações. Há ainda entrevistas com o ex-presidente Lula, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.

Encarte da fita cassete onde estavam gravadas as músicas perdidas de Gilberto Gil
Encarte da fita cassete onde estavam gravadas as músicas perdidas de Gilberto Gil //Divulgação

A joia do acervo, no entanto, é mesmo o álbum, encontrado pela pesquisadora Chris Fuscaldo e por Ricardo Schott. Ao todo, são nove faixas: You Need Love, Jump For Joy, Estrela (Star), Fill Up The Night With Music, Come On Back Tomorrow, Somebody Like Me, Moon and Star Girl, When The Wind Blows (versão em inglês de Deixar Você) e Take a Holiday, que podem ser ouvidas sem mixagem no site do Google Arts & Culture. “Senti falta de músicos brasileiros, apesar da excelência dos que participaram. Todos eles tinham experiência em estúdio, de gravações com artistas de variados gêneros musicais. Talvez até por isso eu senti falta de uma certa personalização maior na fabricação do disco”, disse Gil em entrevista para o projeto.

Com produção do percussionista Ralph McDonald, especialista em música negra, o álbum diverge bastante do trabalho de Gil, com faixas com muitos teclados e saxofones. As canções soam como uma mistura de pop americano com ritmos caribenhos. É possível ouvir ainda influências do reggae, ritmo do qual Gil é fã. Uma das melhores faixas é You Need Love, cuja pegada remete ao álbum Realce (1979). É difícil, contudo, avaliar as músicas, já que elas foram divulgadas sem o tratamento final de estúdio. Mesmo assim, o resultado impressiona pela qualidade. Uma dessas canções é Estrela (Star), lançada posteriormente em 1997 no álbum Quanta, que na versão americana está bem próxima da versão final. Outra música que merecia ter sido lançada é Jump For Joy, um reggae delicioso gravado em parceria com a cantora Roberta Flack.

No dia 24 de junho, dois dias antes do aniversário de 80 anos de Gil, o músico lançará na Amazon Prime Video outro trabalho, a série documental Em Casa com os Gil. A atração mostrará a reunião da família na casa do cantor, em Araras, na região Serrana do Rio de Janeiro, onde organizaram os detalhes da turnê que eles fariam pela Europa em julho.

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