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O Som e a Fúria

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A volta por cima de Rico Dalasam, do ‘cancelamento’ a novo álbum otimista

Rapper paulistano lança ‘Escuro Brilhante, Último Dia no Orfanato Tia Guga’, disco que viaja até um passado dramático para vislumbrar novo futuro

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 9 Maio 2024, 18h32 - Publicado em 14 dez 2023, 10h04

Jefferson Ricardo da Silva tinha menos de um ano quando começou a frequentar a creche da tia Guga, no Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo. Sua realidade era comum a de muitas crianças no Brasil: sua mãe saia de casa muito cedo, acumulando trabalhos e bicos ao longo do dia, para retornar de noite e manter sozinha uma família de cinco filhos – quatro biológicos e um adotado: o pequeno Jefferson. Nos primeiros anos da infância, o menino ainda tentava entender a dinâmica na qual estava inserido: se ele tinha duas mães, uma que o criava e outra que não conhecia, seria tia Guga uma terceira mãe? Hoje, aos 34 anos, Jefferson, ou melhor, Rico Dalasam – seu nome artístico –, usou essa memória como ponto de partida para o novo álbum, Escuro Brilhante, Último Dia no Orfanato Tia Guga, lançado nesta quinta-feira, 14. Poético até em conversas informais, o rapper paulistano atrela o disco e a nova fase ao movimento de um balanço. “Precisei ir ao máximo para trás e depois para frente, para dimensionar o que vivi até aqui e poder ter uma perspectiva de futuro”, diz em entrevista a VEJA. Nessa viagem ao passado, ele retornou à orfandade – trajetória que, apesar do fundo melancólico, culminou em um disco alegre, dançante, esperançoso e carregado de romance. 

Para entender esse momento, é preciso também relembrar o passado recente do cantor. Dalasam ganhou respeito no meio musical em 2016, quando lançou seu disco de estreia, o intrigante Orgunga. A fama veio de fato no ano seguinte, quando a música Todo Dia, gravada por ele ao lado de Pabllo Vittar, virou o hit do Carnaval 2017. A faixa de sua autoria foi um estouro nas plataformas de streaming, passando, em dois meses, de 50 milhões de reproduções. O sucesso que parecia rápido e brilhante para o rapper assumidamente gay, uma raridade no meio, se tornou um pesadelo judicial, quando ele moveu uma ação pelos direitos autorais e de intérprete da canção. “Eu entrei ingênuo nesse meio, então quando percebi a injustiça em que estava envolvido, tomei uma atitude drástica.” O imbróglio durou três anos, chegando a um acordo entre as partes em 2020. Neste período, Pabllo estourou e Rico caiu na teia do “cancelamento”. 

Isolado do mercado publicitário e tido como temperamental no meio, ele conta que lidou com um grave déficit de imagem – que até hoje tenta recuperar. Porém, se seus seguidores nas redes sociais não se multiplicaram, o resultado na venda de ingressos de shows o manteve na ativa. “Na época, eu entendi que a única coisa que me restava era a palavra”, conta. “A palavra é meu feitiço. A palavra é a minha reza. A palavra é a minha coisa.” O insight afetou, positivamente, sua música. Do pop sensual e frívolo, ele foi para rap rebuscado, de letras honestas e filosóficas, caminho que fez Dalasam ser comparado ao rapper americano Frank Ocean. Daí nasceram dois EPs notáveis: Dolores Dala Guardião do Alívio (2021) e o Fim das Tentativas (2022) – trabalhos que agora se encerram em uma trilogia com a chegada de Escuro Brilhante

Novo disco

Com dez faixas, o álbum traz misturas musicais peculiares. Na dançante Jovinho, ele fala do processo de amadurecimento entre batidas eletrônicas e um violão latino envolvente. Em Imã, uma percussão marcada e um flerte com o samba embalam suas rimas. Na faixa Vicioso, o soul e o R&B dominam, com um sample da canção Nem Saudade, da década de 1970, famosa na voz de Eliana Pittman. Na romântica Quebrados, Dalasam recebe o vocal primoroso da cantora Liniker. 

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No geral, o disco reflete a benção que é a maturidade. “Agora sou eu me carregando no colo”, diz ele. O ato de cuidar de si mesmo faz referência ao longo título do novo trabalho. Apesar de nunca de fato ter vivido em um orfanato – sua mãe biológica era usuária de drogas e lhe entregou para a vizinha, a mãe que o criou –, Dalasam vivia perto de uma casa de apoio para menores, onde fez amigos e se acostumou com duas realidades duras: a primeira, que crianças podem ser devolvidas pelos pais adotivos; e a segunda, ao completar 18 anos, elas devem se virar sozinhas. “Eu cresci com o medo de ser devolvido, logo fiz de tudo para ser exemplar.”

Dalasam, então, se jogou nos estudos e na música. Passou por colégios particulares pomposos, graças a bolsas de estudo por mérito. Em paralelo, começou a trabalhar aos 12 anos em um salão de beleza. A função de cabeleireiro era dividida com a escola e, posteriormente, com a faculdade de audiovisual, até se dedicar de vez à música a partir dos 24 anos de idade. Depois do episódio com a canção Todo Dia, impacto que ele caracteriza como “um cavalo de pau”, o rapaz mostra que não tem planos de ser interrompido. “Eu estou vivendo a vida e olhando para ela, para o futuro. Sou uma bicha preta que carrega uns marcadores, que venho enfrentando desde sempre. Esse novo disco é para que eu possa dançar e celebrar meus movimentos, pois sei que foram bastante corajosos.”

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