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Vocês estão cancelados: na festa da rainha, Harry e Meghan encolhem

Com popularidade em baixa e até algumas vaias, o príncipe que largou seu país para ganhar dinheiro vira uma figura menos que acessória

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 7 jun 2022, 09h33 - Publicado em 6 jun 2022, 07h42

Será que Harry e Meghan estão escondendo os filhos, guardando a surpresa para o documentário que a Netflix está fazendo sobre os dois?

A simples especulação indica a suspeição com que o príncipe, tão estimado pela nação inteira desde que perdeu a mãe com apenas 12, é tratado desde que resolveu ir embora do Reino Unido e monetizar o status especial do qual continua a desfrutar, embora tenha perdido o lugar na linha de frente da família real. Por pouco não perderam também o título de duque e duquesa de Sussex, mas aí o coração da avó faltou mais alto.

A volta ao reino rejeitado, que deveria ser triunfal a ponto de despertar receios de que ofuscasse a festa dos setenta anos de reinado de Elizabeth, foi um pouco melancólica.

Harry e Meghan foram confinados a um único evento oficial, o ato de ação de graças em St. Paul. Chegaram sob um misto de expressões de empolgação e algumas vaias, apesar do encantamento provocado por Meghan – uma lembrança de como seria uma figura valiosa para a monarquia se não tivesse resolvido cair fora. Nem mesmo Kate, com toda a sua elegância, foi páreo para a cunhada. Quem pode competir com um Dior alta costura?

Os organizadores cronometraram tudo para não permitir que os caminhos dos dois casais se cruzassem. William, que tem um temperamento muito mais explosivo do que indicam as aparências, não perdoa o irmão e a cunhada pela famosa entrevista a Oprah em que ele reclamou de ter sido “cortado financeiramente” pelo pai e ela insinuou um comentário racista feito por uma pessoa não identificada da família real, além de ter tido pensamentos suicidas por “falta de apoio” e ter ficado em pranto por um entrevero com Kate (exatamente o oposto da situação que circulava).

Foram-se os tempos em que traição era punida com a morte na Torre de Londres, como o rei Eduardo IV mandou fazer com seu irmão George, duque de Clarence (o outro irmão da complicada família foi um rei mais famoso, Ricardo III, conhecido por causa da peça de Shakespeare e das maquinações que o levaram ao trono depois de “desaparecer” com os sobrinhos).

Hoje, os indesejáveis são simplesmente cancelados. Somem, ou apenas aparecem controladamente, dos compromissos oficiais. Aconteceu com Harry e com seu tio Andrew, afundado em ignomínia pela amizade tóxica com o pedófilo suicida Jeffrey Epstein, que colocou em seu caminho – ou sua cama – uma jovem então com 17 anos, a história que se encerrou judicialmente com uma indenização de 15 milhões de dólares.

Harry tem hoje uma imagem positiva para apenas 32% do público britânico. Meghan está pior ainda: 23% de aprovação. São considerados ingratos ou interesseiros, uma imagem difícil de mudar.

A compensação é que o casal pode faturar com contratos de produção de conteúdo que seriam impossíveis se continuassem como membros “oficiais” da família real. Meghan tem ambições grandes e imagina se tornar uma figura com o calibre de Michelle Obama. Admirada mundialmente, com influência no debate político, um guarda-roupa de tirar o fôlego e contratos polpudos que bancam as três mansões do casal Obama em lugares chiques (Washington, Martha’s Vineyard e Havaí). 

A rápida incursão de Meghan para deixar flores em frente a escola da cidade texana onde dezenove crianças e duas professoras foram assassinadas, num dos piores tiroteios em massa do país, indica também que a ex-atriz, ao contrário de Michelle Obama, tem ambições políticas.

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Há muitos caminhos abertos para ela, e para Harry também, nos Estados Unidos. No reino abandonado, as portas vão se fechando.

As comemorações do jubileu de platina da rainha mostraram que a família real está como Charles e William planejaram: todos seus integrantes participaram de eventos variados, mas o foco se concentrou nos dois futuros reis e em suas esposas. Controladamente, os três filhos de William e Kate foram introduzidos nas comemorações oficiais, com inevitável destaque para George, o herdeiro número três.

George chegará a ser rei ou a monarquia não sobreviverá até chegar sua vez, presumivelmente dentro de quarenta ou cinquenta anos? 

O valor de ter um corpo permanente de representantes da nação, sem conexões com a política, fica claro em momentos como os que serão vividos hoje, quando o Parlamento decidir se dá ou não um voto de confiança a Boris Johnson. Nada menos que 54 deputados do próprio Partido Conservador do primeiro-ministro querem que ele caia fora, queimado pela péssima imagem produzida pelas festinhas proibidas durante o lockdown.

Não há previsão de que ele perca a maioria. Se perdesse, o futuro chefe de governo, escolhido pelo partido, iria para o “beija mão” – hoje apenas simbólico – com a rainha e a nação teria o sentimento de estabilidade provocado por uma instituição que paira acima dos dramas da política.

A mistura de admiração, respeito e até fervor despertada pela rainha é irreproduzível. Charles fica bem, bem atrás em matéria de prestígio e muitos gostariam até que a sucessão pulasse uma casa e a coroa fosse direto para William.

É claro que isso jamais poderia acontecer, mas Charles, que deverá chegar ao trono já se aproximando dos 80 anos, está fadado a ser apenas um interregno – o suficiente para aumentar o desinteresse das gerações mais jovens pelo anacrônico, embora esplêndido, ritual da monarquia.

As multidões que a rainha atraiu para seu jubileu, mesmo sem poder participar de todos os eventos, mostram que a monarquia de mais de mil anos ainda tem um bom fôlego.

Longe das câmeras – pelo menos das comuns –, Harry e Meghan comemoraram o primeiro aninho da filha, Lilibet, na casa que abandonaram pela mansão de 15 milhões de dólares na Califórnia (“O príncipe de Montecino”, ironizam os inconformados). Não estiveram na festa final, que teve um vasto apanhado de tudo que é britânico, de Teletubbies a Kate Moss, de Cliff Richard a Ed Sheeran, de David Beckham a Mo Farah e até um samba brasileiro.

Se o aniversário da filha aparecer no documentário da Netflix, uma das partes do contrato pelo qual levaram pelo menos 25 milhões de dólares para o banco, a traição, aos olhos dos ingleses, estará consumada. E o espaço que o duque e a duquesa tentam preservar no país onde se origina a fonte de seu prestígio diminuirá mais ainda.

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