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Trump prejudica próprio projeto com vingança contra o BC americano

Investigação do presidente do Federal Reserve por sobrecusto de reforma tumultua a transição no posto vital para manter a economia em crescimento

Por Vilma Gryzinski 14 jan 2026, 06h50 • Atualizado em 14 jan 2026, 06h51
  • Todo mundo com uma visão independente já percebeu que Donald Trump faz coisas certas, faz coisas erradas e às vezes faz as duas coisas ao mesmo tempo. Na categoria dos grandes erros se inclui a investida contra Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve, usando como pretexto o real sobrecusto das reformas na sede do banco central americano, agora projetadas em estonteantes 3,1 bilhões de dólares. Ele também disse que Powell é incompetente ou desonesto, palavras pesadíssimas.

    O ataque com gosto de vingança, pois Trump se considera traído pela posição de Powell sobre taxas mais baixas de juros, cria incerteza no mercado e prejudica uma transição sem transtornos no Fed, que deveria navegar por águas tranquilas até maio, com o crescimento da economia americana contrabalançando momentos vertiginosos na política externa, como os acontecimentos na Venezuela e no Irã.

    Em suma, os mercados precisam de segurança em fases assim e Trump prejudica seu próprio projeto de crescimento econômico, bem azeitado em outras áreas, mas necessitando de um controle perceptível de preços para melhorar a opinião dos cidadãos americanos sobre o custo de vida e também sobre o próprio presidente, impedindo uma derrota dos republicanos nas eleições para o Legislativo, em novembro próximo.

    Não que o estouro de orçamento da reforma da sede do Fed não seja impressionante, mas todos anotaram que existe um laivo de vendeta na iniciativa de Trump – inclusive os presidentes de bancos centrais estrangeiros, entre os quais uma certa instituição que, ironicamente, enfrenta ameaças e intimidações de forças poderosas do próprio sistema por ter liquidado um banco cheio de bons amigos.

    RECORDE ATRÁS DE RECORDE

    Quem está no centro das preocupações é Jay Powell, como é chamado, e não só por solidariedade do exclusivo clube dos presidentes de bancos centrais, mas também pelos efeitos deletérios que qualquer tropeço na maior economia do mundo tem sobre os outros países.

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    Na medida do possível, houve um recuo. Jeanine Pirro, a apresentadora de um programa na Fox News que foi nomeada procuradora federal em Washington, disse que sua instituição “contatou o Federal Reserve em múltiplas ocasiões para discutir estouros de orçamento, mas fomos ignorados, o que exigiu o uso de um processo legal, o qual não é uma ameaça”. A expressão investigação por acusação “veio da boca do senhor Powell”.

    Senadores republicanos criticaram a medida legal contra o presidente do Fed e ameaçaram bloquear a nomeação de seu sucessor. Até um conselheiro econômico próximo de Trump como Larry Kudlow disse que Powell “é horrível como presidente do Fed, mas não é um criminoso”.

    Bastarão os recuos para acalmar os mercados? Manter essa tranquilidade, alimentada por recorde atrás de recorde da bolsa, desde o governo de Joe Biden, era o objetivo do secretário da Fazenda, Scott Bessent. Considerado uma força poderosa, inclusive pela capacidade de sutilmente dissuadir Trump de decisões intempestivas, Bessent se viu com um problemão daqueles. Ele tem que refazer as bases para garantir a transição sem sobressaltos no Fed.

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    O nome considerado o mais cotado para substituir Powell é Kevin Hassett, um economista que dá assessoria a Trump e corre o risco de ser considerado suscetível demais aos desejos do presidente. Analistas do Deutsche Bank já disseram que Hassett vai precisar mostrar independência para convencer o mercado de que Trump não está sussurrando em seu ouvido e interferindo no controle da inflação por meio da exigência de taxas mais baixas de juros.

    TEMPERATURA EM ALTA

    Todo presidente, inclusive o brasileiro, sonha fazer isso para bombar a produção e o consumo. A tensão intrínseca de todo banco central é justamente se movimentar entre as pulsões em favor de afrouxar “só um pouquinho” as taxas de juros, insuflando assim o crescimento, e manter um controle mais firme de forma a domar o impulso inflacionário e preservar a moeda, sua missão precípua. No momento, a inflação americana está domada, em 2,6%, e o crescimento do último trimestre foi calculado em 4,3%. Nada mau.

    O nome do próximo presidente do Fed deveria ser anunciado antes da conferência de Davos, que começa na próxima segunda-feira. Como tantas outras coisas que envolvem Donald Trump, a transição agora está mais tumultuada.

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    Os acontecimentos no Irã também causam um bocado de nervosismo. Como sempre, está envolvido o preço do petróleo, em alta desde outubro, mas nada excessivo, considerando-se a situação global.

    O conselho de Trump aos patriotas iranianos para que “tomem suas instituições” e “guardem o nome dos assassinos e dos agressores; eles vão pagar caro”, acrescido da promessa de que “a ajuda está a caminho”, dá uma nova dimensão ao problema. Seria maravilhoso salvar os iranianos oprimidos, mas não é o tipo de coisa que garanta cabeças frias na reunião dos poderosos de todo o mundo na Suíça. A questão sobre o Federal Reserve também aumenta a temperatura.

    Gelado mesmo, só o ambiente externo.

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