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Trump diz ter cancelado diálogo com Irã e orienta manifestantes a ‘tomarem instituições’

Presidente dos EUA diz estudar opções de ação, inclusive militar, para responder à repressão do regime a uma onda de protestos no país

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2026, 12h31 • Atualizado em 13 jan 2026, 13h41
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 13, que cancelou o diálogo com autoridades do Irã em meio a uma onda de protestos, após ele ter feito sucessivas ameaças de intervir no país — inclusive por meios militares — para “proteger” os manifestantes da repressão que já deixou quase 700 mortos, segundo estimativas de ONGs. O chefe da Casa Branca também pediu que os iranianos “tomem as instituições” nacionais.

    “Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!!”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.

    A sigla “MIGA” faz referência ao seu slogan que promete fazer a América grande novamente, mas mudando uma letra no acrônimo: “Make Iran Great Again”.

    Guinada

    O comunicado nas redes vem um dia após o Irã dizer que havia aberto negociações com os Estados Unidos, em resposta a declarações do americano indicando que seu governo avaliava respostas à violenta repressão aos protestos no país. Nesta terça-feira, autoridades de segurança nacional dos Estados Unidos devem fazer uma reunião, e a porta-voz da Casa Branca adiantou que ataques aéreos estão entre as “muitas opções” na manga de Trump.

    Com o anúncio na Truth Social, o republicano mudou de posição em relação ao domingo 11, quando afirmou que os Estados Unidos poderiam se reunir com autoridades iranianas, ao mesmo tempo em que estavam em contato com a oposição. Ao mesmo tempo, porém, nos últimos dias aumentou a pressão sobre os líderes da República Islâmica, inclusive aludindo a uma possível ação militar em resposta à violência contra os manifestantes.

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    Cerca de 2.000 morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de protestos contra o regime, segundo um membro do próprio regime afirmou à agência de notícias Reuters, culpando o que chamou de “terroristas” pela escalada da violência. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, descartou nesta terça que haja quaisquer terroristas nas manifestações e condenou as forças de segurança iranianas pelo “ciclo de violência horrível”.

    Força das ruas

    A mais recente onda de manifestações representa um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979. Os protestos tomaram as ruas de diversas cidades do país em meio à degradação da economia e o derretimento do rial, a moeda iraniana. Comerciantes no Bazar de Teerã e outros grandes mercados do país, importantes esteios da Revolução Iraniana, voltaram-se contra o regime diante da degradação econômica e inflação.

    Desde então, muitos se juntaram aos comerciantes e o caldo de insatisfações exprimido nas ruas aumentou, passando a incluir cantos contra as restrições sociais e políticas impostas pelo regime e pedindo “o fim da ditadura”. Teerã tem acusado Israel e os Estados Unidos de fomentarem os protestos com objetivo de desestabilizar o país. Ao mesmo tempo, tenta aplacar a população reiterando a legitimidade da preocupação com a economia, se diz aberta ao diálogo e convoca manifestações pró-regime para minimizar os atos críticos aos aiatolás.

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