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A morte está fazendo bem ao ex-presidente chileno: direita civilizada

No maior elogio que se pode receber na vida pública, adversários ideológicos exaltam o empresário e político vitimado em acidente de helicóptero

Por Vilma Gryzinski
8 fev 2024, 06h20

Michelle Bachelet, que disputou com ele a presidência – e ganhou -, exaltou Sebastián Piñera pelo compromisso com a democracia e “seu trabalho incansável e serviço à nação”.

Cristina Kirchner foi elegante: “Não tínhamos as mesmas ideias, mas sempre fomos unidos por uma relação de muito respeito. Ele era um homem de direita, mas profundamente democrático. Recordo com afeto seu senso de humor e o calor humano de sua família”.

Até Nicolás Maduro, que num passado recente acusou-o falsamente de “pinochetista”, mandou “sinceras palavras de apoio e solidariedade” – sabendo muito bem que o ex-presidente chileno coordenou o Grupo Liberdade e Democracia, uma frente de líderes latino-americanos e espanhóis conservadores, uma espécie de imagem invertida do Foro de São Paulo e do Grupo de Puebla.

Na palavras do próprio Piñera, um grupo para “confrontar os inimigos da democracia, com mais eficácia, mais vontade e mais coragem, para realmente conseguir coordenar nossa ação e passar das palavras e boas intenções à ação e aos resultados”.

“EXPLOSÃO BRUTAL”

Piñera tinha experiência política, base intelectual e fôlego econômico para esse tarefa, tendo doutorado em Harvard e uma fortuna de 2,3 bilhões de dólares com base num amplo leque de empreendimentos, incluindo a Lan Chile, que se tornou a Latam, e o grupo de comunicação Univisión, vendidos quando se tornou presidente pela primeira vez.

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Nessa frente de direita, antecedida pelo Foro para o Progresso da América do Sul, ele consolidou parceiros como o ex-presidente colombiano Iván Duque, que o homenageou como “um líder único, um ser humano íntegro e um amigo como poucos”.

Piñera, que morreu afogado quando o helicóptero Robinson R66 caiu num lago em meio à paisagem idílica do sul do Chile, tornou-se injustamente acusado pela “explosão social” que acabou levando à eleição do atual presidente, Gabriel Boric, líder estudantil de extrema esquerda que foi um dos principais nomes dos protestos.

Na última entrevista que deu, recém-chegado de uma viagem a São Paulo para uma conferência a investidores, Piñera disse que o descontrole dos protestos deveria ser qualificado como uma “explosão brutal de violência irracional sem limites”. Nesse período sombrio, sua popularidade chegou a bater em 6%, um recorde negativo.

Também foi durante seus mandatos que o Chile arrancou para consolidar índices positivos, como uma renda per capita de 15 mil dólares (o dobro do Brasil) e um honroso lugar número 22 no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation (Brasil, 127).

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CIVILIDADE

O Chile é um país complicado, com um território estreito de 4 100 quilômetros de comprimento, ao longo do Pacífico e dos Andes, e um passado geológico que o torna propício a desastres naturais e também a recursos prodigiosos como as maiores reservas de cobre do mundo, agora reforçadas pelo cobiçado lítio, o “motor” da energia renovável.

“A América Latina tem o que o mundo necessita”, disse Piñera em São Paulo, mas “estamos enfrentando outra década perdida”.

O ex-presidente chileno acertou e errou ao tentar quebrar essa maldição. Era da direita civilizada, mas nada conformado em ver a esquerda inspirada pelo chavismo insistir nos mesmos modelos fracassados, quase patologicamente.

A morte costuma limpar biografias, mas Piñera mostrou que civilidade não é sinal de fraqueza. Era bom de briga ideológica e, nessa frente, brigou até o fim.

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“Com generosidade, criatividade e energia, nos acompanhou até o último instante”, elogiou María Corina Machado, a candidata que Maduro quer calar.

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