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Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Bruno Caniato, Isabella Alonso Panho, Heitor Mazzoco, Pedro Jordão e Anna Satie. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Crivella: ‘Todo evangélico deve orar para que o governo Lula dê certo’

Deputado ligado à Igreja Universal negocia a aprovação de projeto de sua autoria que amplia isenções tributárias para bens de entidades religiosas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jul 2023, 12h26 | Atualizado em 14 Maio 2024, 00h06
Crivella: ‘Todo evangélico deve orar para que o governo Lula dê certo’ Priorize VEJA no Google

O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) tenta negociar com o governo Luiz Inácio Lula da Silva a aprovação da PEC 5/2023, de sua autoria, que amplia as isenções tributárias para entidades religiosas. Ex-ministro de Dilma Rousseff, ele é um dos líderes da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual é pastor, e um dos articuladores da chamada bancada evangélica.

Pouco antes do recesso parlamentar, os evangélicos conseguiram, em negociação que contou com o apoio do governo – por meio dos ministros Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), ambos evangélicos –, a inclusão na reforma tributária de artigo que estende a isenção de impostos a “templos de qualquer culto”, como está previsto na Constituição, para todas as “associações beneficentes e assis­ten­ciais” ligadas às igrejas, o que pode abranger de casas de repouso a instituições de ensino.

A ampliação ajudou a aproximar o governo dos religiosos, mas não será suficiente. O grupo negocia a aprovação da PEC de Crivella, que estende as benesses tributárias a bens das igrejas, como veículos, imóveis usados pelos pastores e produtos como microfones e cadeiras. “Toda a bancada evangélica subscreveu. Tem quarenta deputados coautores e 336 que apoiam essa emenda constitucional. Esse é o ponto principal que nós todos estamos pedindo ao governo”, afirma.

Crivella, no entanto, negou que a aprovação da PEC seja uma condição para que os evangélicos apoiem o governo Lula. “Os evangélicos sabem que devemos orar pelas nossas autoridades. De tal maneira que todo evangélico ore e peça a Deus que o governo do presidente Lula dê certo, que aumente a renda, emprego, que o Brasil cresça”, disse a VEJA.

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Ele ressalta, no entanto, que orar para que o governo acerte não implicará abrir mão de princípios caros aos evangélicos. “Claro que isso não inclui ser contra ou abrir mão da nossa defesa pela família, pelo direito à vida, pela liberdade religiosa e pelo livre empreendedorismo. São pontos que o presidente não deve esperar qualquer tipo de apoio nosso”, disse.

Para Crivella, é possível, no entanto, apoiar outros projetos do governo. “Tem outras coisas, que eu tenho visto que todos procurar votar sem fazer uma oposição raivosa, obstinada, como a esquerda fazia contra o Bolsonaro”, disse.

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Reportagem de VEJA desta semana mostra que o Brasil tem passado por uma grande expansão evangélica nos últimos. Só na última década, o número de novos templos passou de cerca de 54 000 para mais de 100 000. O crescimento tem ajudado a ampliar o poderio político da Frente Parlamentar Evangélica, que reúne 220 deputados (42% da Casa) e 26 senadores (quase um terço) e é o segundo maior agrupamento do Legislativo, atrás dos defensores do agronegócio.

 

 

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