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Por José Benedito da Silva
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Victoria Bechara, Bruno Caniato, Valmar Hupsel Filho, Isabella Alonso Panho e Adriana Ferraz. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
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Doria acompanha vacinação de quilombolas na cidade onde Bolsonaro viveu

Estrategicamente, governador de São Paulo participou da imunização em Eldorado, no Vale do Ribeira, e criticou o plano de imunização do Ministério da Saúde

Por Gabriel Mascarenhas
Atualizado em 23 jan 2021, 16h51 - Publicado em 23 jan 2021, 15h29

Em mais um capítulo da chamada guerra da vacina, o governador de São Paulo, João Doria, foi à cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, neste sábado, 23, para acompanhar a vacinação em duas comunidades quilombolas. A agenda tem forte simbolismo político. Trata-se do município onde Jair Bolsonaro viveu dos 11 aos 18 anos, e parte da família do presidente ainda mora na região.

De acordo com o governo paulista, 300 pessoas receberam a CoronaVac, o imunizante produzido pelo Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Ao fim do evento, Doria falou com a imprensa e aproveitou para criticar o Plano de Imunização Nacional do Ministério da Saúde e frisar que aqueles eram os primeiros quilombolas vacinados no país.

“Esses são os primeiros quilombolas vacinados no Brasil. Isso é muito importante, porque é uma representação significativa. O Plano Nacional de Imunização, o PNI, destruiu os quilombolas. Não vou aqui discutir, nem entrar no mérito  e nem fazer críticas, apenas dizer que em São Paulo estamos vacinando”, provocou Doria.

O PNI estabelece que os povos indígenas estão entre os grupos prioritários da vacinação contra a Covid-19, mas não cita as comunidades quilombolas. Na terça, 19, o Ministério Público Federal cobrou explicações do Ministério da Saúde sobre a omissão.

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Há um outro aspecto importante na escolha dos quilombolas. Bolsonaro foi processado por ter dito durante uma palestra no Rio de Janeiro, em 2017, que os representantes dessas comunidades “nem para procriar servem mais”.

“Fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles”, afirmou Bolsonaro, na ocasião.

Ele acabou absolvido da acusação de racismo.

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