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Comer junto dos filhos: isso melhora ou piora nossa alimentação?

Pesquisas desvendam como as refeições compartilhadas influenciam a escolha de alimentos entre pais e filhos. Pediatra comenta os achados

Por Mauro Fisberg*
25 jan 2024, 08h00

Escolher os alimentos para a refeição de crianças pequenas costuma suscitar grandes interrogações. O que colocar? De que forma? Em que quantidade? Qual a melhor consistência? Quando? Na companhia de quem comer?

Fato é que a introdução da alimentação complementar, com a primeira oferta de alimentos além do aleitamento materno, processo que deve ocorrer na teoria a partir dos 6 meses de idade, sempre causa angústia e ansiedade nos pais.

Com medo de errar, pais de primeira viagem têm como apoio inicialmente o pediatra e, em algumas vezes, a estrutura familiar, com avós, tios, padrinhos e até vizinhos. E, claro, mais recentemente, os conselhos aparecem a todo vapor nas redes sociais.

Só que, na internet, é sempre difícil saber se dá para confiar ou não nas dicas e orientações dadas? Ora, quem está por trás dos conteúdos? Quem está escrevendo? Com que interesse? Que experiência tem? Será que o influencer é profissional da área, tem currículo e vivência clínica? Você prefere alguém que está bombando nas redes ou alguém gabaritado? Tudo depende.

+ LEIA TAMBÉM: As novas regras de introdução alimentar aos bebês

Mas a questão da introdução alimentar tem nuances realmente complexas. É o que revela uma série de pesquisas da Duke Fuqua School of Business, a escola de negócios da Universidade Duke, nos Estados Unidos. O grupo liderado pelo professor Gavan Fitzsimons mostra, por exemplo, que os pais tendem a ter piores escolhas em seus pratos quando oferecem comida saudável para as crianças.

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Segundo os autores, funcionaria como uma espécie de seguro para que, se por acaso a criança não comer sua refeição, ainda assim teria alimentos de reserva, mais palatáveis e atraentes, no prato dos responsáveis. E isso, por incrível que pareça, aconteceria com maior frequência quando os pequenos gostam dos alimentos saudáveis à sua frente.

Convenhamos que não é fácil escolher sempre alimentos totalmente saudáveis. Por isso a alimentação deve ser estruturada de acordo com valores como equilíbrio, praticidade, questões econômicas e, obviamente, prazer. Ainda mais porque o hábito alimentar, formado nos primeiros anos de vida, será a base para a alimentação no futuro.

O novo estudo de Duke traz uma descoberta interessante: refeições compartilhadas em família levam a escolhas de alimentos mais saudáveis para crianças, mas não para os pais. Nas nossas pesquisas no Instituto Pensi, vimos que, quanto maior o compartilhamento de refeições em família, mais saudável é o hábito alimentar da criança – no entanto, não havíamos verificado se os pratos dos adultos eram de pior qualidade.

Os achados americanos nos fazem pensar que a vontade dos pais de que os filhos aceitem a comida de qualquer forma os leva a adotar medidas às vezes radicais, prejudicando suas próprias refeições. Além disso, podem incorrer em erros como oferecer eternamente papas liquidificadas ou colocar somente os alimentos que a criança tolera, sem variar as ofertas.

+ LEIA TAMBÉM: Precisamos impor limites aos nossos filhos?

Outro ponto a mencionar é o do autonomia da criança para pegar os alimentos sozinha, entoado pelos métodos derivados da chamada “Alimentação Guiada pelo Bebê”, que entrou na moda há alguns anos. Estudos indicam que, especialmente nos primeiros meses, o bebê ingere pouca comida se comer sozinho – o apoio do cuidador é fundamental.

É por isso que entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam um método misto, que respeite a independência do pequeno sem abrir mão da supervisão dos pais ou responsáveis.

Refeições em família ensejam mais contatos, trocas e experiências. E elas podem ser boas ou ruins.

O estudo da Duke demonstra que podemos (e devemos) ter uma boa alimentação, saudável e prazerosa, como a oferecida aos nossos filhos. Afinal, precisamos cuidar de nós para cuidar deles.

* Mauro Fisberg é pediatra e nutrólogo, coordenador do CENDA – Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi/ Sabará Hospital Infantil e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

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